José de Souza Neto, Giselli Liliani Martins, Ana Paula Posenti
Volume: 11 - Issue:
7
Resumo.
Este trabalho tem como objeto de análise o romance "São Bernardo", de Graciliano Ramos (2019), do qual busca-se extrair aspectos que demonstrem como as relações estabelecidas entre as personagens passam por um processo de reificação, especialmente, conduzido pela personagem principal, o latifundiário Paulo Honório. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo debater a problemática da supervalorização da mercadoria em desfavor das próprias relações humanas, que são degradadas ao limite, se sobrepondo, inclusive, ao amor e à própria vida. A exploração do trabalho, a ganância, a submissão e a opressão. Elementos presentes no romance em análise evidenciam a luta de classes, a tentativa fracassada de revolução, que mais se mostra como uma miragem do que uma possibilidade de mudanças, a força avassaladora do capital, que destrói e se agiganta a tudo que possa lhe confrontar. Para analisar os elementos da obra que demonstram esse processo de reificação do homem em favor do capital, utiliza-se nesta pesquisa a base teórico-metodológica do materialismo histórico-dialético, por entender que essa teoria oferece os conceitos necessários para compreender criticamente e demonstrar as consequências do capitalismo exacerbado na vida das pessoas, tomando-se como exemplo as personagens do romance de Graciliano. Nesse sentido, utilizam-se os conceitos de trabalho, alienação, fetichismo e reificação como base de sustentação da análise. Para tanto, os autores que contribuem com este estudo são Alfredo Bosi (1994); Antônio Cândido (1995); Karl Marx (1985); Georg Lukács (2013), dentre outros relevantes. Compreender como as relações pessoais, sociais e de trabalho se imbricam e se condicionam ao capital, bem como as consequências de um sistema que ultrapassa os séculos se fortalecendo cada vez mais, justifica a importância deste estudo, tendo em vista que "São Bernardo", em que pese ter sido publicado em 1934, ainda é um nítido reflexo da sociedade atual, na qual o valor do homem é equiparado à uma mercadoria.