Michel Justamand, Ana Cristina Alves Balbino, Vitor José Rampaneli de Almeida, Cristiane Andrade Buco, Pedro Paulo Funari, Mauro Alexandre Farias Fontes, Marcial Cotes, Gabriel Frechiani de Oliveira
Volume: 10 - Issue:
3
Resumo.
O Parque Nacional Serra da Capivara (PNSC), localizado no sudeste do Piauí, é um dos sítios arqueológicos mais ricos em arte rupestre, refletindo diversas atividades da vida social e experiências religiosas de seus povos ancestrais. As pinturas, que abrangem temas como rituais, cerimônias, caça, amor, dança e práticas místicas, indicam uma forte relação com o sagrado e o mundo espiritual, evidenciada também por vestígios de urnas funerárias e cenas cerimoniais. Pesquisadores renomados, como Guidon, Pessis, Martin e Asón, destacam que essas representações não são meramente decorativas, mas funcionaram como sistemas de comunicação e registros de crenças, rituais e mitos, que perpetuaram conhecimentos sobre a origem da humanidade e o cosmos. A teoria do xamanismo, defendida por autores como Clottes e Lewis-Williams, sugere que as imagens rupestres evidenciam práticas de contato com planos espirituais, possíveis locais de rituais sagrados. Além disso, as representações de animais e figuras humanas com elementos simbólicos reforçam a ideia de que esses povos atribuíam significados sagrados às suas experiências, muitas vezes associadas ao totemismo e às cosmovisões indígenas atuais, como a dos Krenak. As evidências arqueológicas e as interpretações culturais indicam que a religiosidade e o misticismo foram elementos centrais na vida dessas sociedades, contribuindo para uma compreensão mais ampla da sua espiritualidade ancestral. Assim, a arte rupestre do PNSC revela-se como uma janela para o entendimento das primeiras manifestações religiosas humanas.