Griot : Revista de Filosofia

(1059 Artigos indexados)

Filosofia e existência: mobilidades contrarruinantes da vida - (2025)

Isadora Franco

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. O objetivo deste artigo é descrever o percurso traçado por Heidegger em dois textos de 1922, são eles, respectivamente, Informe Natorp e Interpretações sobre Aristóteles: introdução à pesquisa fenomenológica, para conceber a filosofia como uma mobilidade fundamental contrarruinante da vida. Para isso, analisamos alguns conceitos principais que são tematizados em ambos escritos, como o conceito de vida, cuidado, a queda (Abfall) e a ruinância (Ruinanz), a fim de preparar o terreno para a definição de filosofia que já tinha a ontologia fundamental como horizonte. Neste sentido, se mostra fundamental discutir a relação entre facticidade e existência para compreender que a filosofia é um movimento análogo à própria existência. Heidegger pretende com seu projeto renovar o sentido de ontologia e também de filosofia, a situando em seu contexto prático e imediato e renovando o ponto de partida do fazer filosófico, que não menospreza o debate sobre o fundamento e muito menos a dimensão concreta da vida.
Nietzsche e a decadência ocidental: a transversalidade da morte - (2025)

Alonso Zengotita

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. As análises de Nietzsche sobre a decadência que implicam o cristianismo, o platonismo e o darwinismo para a vida foram abordadas de muitas perspectivas diferentes. Neste artigo, elas serão trabalhadas a partir de um conceito que, a princípio, não parece ter muito desenvolvimento e centralidade nos escritos de Nietzsche: a noção de morte. Essa conexão se baseará no fato de que para o darwinismo, o cristianismo e o platonismo a questão da morte é nuclear: a sobrevivência do mais apto, a vida após a morte, a vida como preparação para o momento da morte. Se nessas perspectivas a vida é considerada a partir de sua relação com a morte, e Nietzsche aponta que o Ocidente está doente há dois milênios de platonismo (tendo o cristianismo e o darwinismo como seus principais substitutos), por que não há um maior desenvolvimento nos escritos de Nietzsche sobre o conceito de morte? O que se buscará fundamentar é que, ainda que não de forma patente, a questão da morte é transversal aos desenvolvimentos nietzschianos que se querem pensar como novidade e crítica às outras três perspectivas mencionadas.
O percurso fenomenológico do perdão em Paul Ricœur - (2025)

Wellington Pires

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo propõe uma fenomenologia do perdão, tendo como referência fundamental a dinâmica reflexiva proposta pelo filósofo francês Paul Ricœur. Inserimos a questão do perdão em um universo conceitual mais vasto que é o problema do mal. A irrupção do mal que se concretiza nas rupturas e feridas das relações humanas, nos impõe a necessidade de respostas. Assim, nos perguntamos sobre como reconstituir laços fraturados sem reduzir o perdão à lógica jurídica sob a égide da equivalência. A nossa hipótese consiste em apresentar o perdão no campo de uma lógica da abundância. Deste modo, ele não apenas romperia com a lógica da retribuição, mas possuiria recursos para oferecer um futuro ao passado. O perdão não se apresentaria como uma solução instantânea, mas como uma força criadora que permite reconfigurar a história, e reconstruir as relações sobre uma nova base.
O pós-humano do transhumanismo - (2025)

Tiago Xavier

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. O presente artigo pretende apresentar o movimento cultural e filosófico denominado de transhumanismo, explorando a sua filosofia em prol de explicitar o seu ideal de transcendência humana, já que este movimento vislumbra a possibilidade de a espécie humana transcender a si mesma por meio da ciência e tecnologia ‒ objetivando o pós-humano. Para tanto, mostrar-se-á que o transhumanismo e pós-humanismo podem muito bem ser pensados conjuntamente e compreendidos da seguinte forma: o pós-humanismo é o ponto no qual o transhumanismo com a pretensão de melhoramento e aprimoramento humano, levada até as últimas consequências, chegará.
Racismo epistêmico: o silenciamento da filosofia africana antiga na metafísica de Aristóteles - (2025)

Francisco Erik Washington Marques da Silva

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo, inserido dentro do campo interdisciplinar, composto por Filosofia e Linguística, tem como objetivo analisar o discurso filosófico aristotélico, especialmente na forma como esse discurso contribui para a construção do silenciamento e racismo epistêmico no que se refere a filosofia africana antiga (James, 2022; Obenga, 2004). Deste modo, sistematizamos o conceito de silenciamento discursivo (Orlandi, 1992), para investigar o racismo epistêmico (Grosfoguel, 2011; 2016; Noguera, 2014; Ocoró; 2020; 2021) presente na obra Metafísica de Aristóteles (2012). Assim, o silenciamento é concebido e aplicado pelo discurso filosófico de Aristóteles, por meio do não-dito, não-citado e não-referenciado, fundando assim uma forma de encarar os conhecimentos filosóficos egípcios como não tendo legitimidade filosófica, visto a sua não-referencialização na sistematização da filosofia em Aristóteles. Conclui-se então, que a relação entre racismo epistêmico e silenciamento discursivo causa apagamento histórico dos sujeitos negros/as como produtores de conhecimento, reverberando assim a consequências sociorraciais que vão de Aristóteles aos dias atuais.
Teologia política e democracia - (2025)

Luis Uribe Miranda

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. A filosofia política moderna, a partir de Maquiavel, pensou em ter superado o problema da teologia política; contudo, ela só permaneceu escondida até emergir novamente, com mais força e poder, que, inclusive, coloca em questão a democracia liberal contemporânea. O presente texto tem como objetivo mostrar a relação entre dois conceitos que na atualidade aparecem imbricados dentro de uma mesma lógica política de negação e afirmação: teologia política e democracia. Nossa tese é que teologia política e democracia se intercruzam no paradigma liberal (do ponto de vista político e não ético); e neoliberal (do ponto de vista do modelo econômico) gerando a dissolução da última e preparando as condições para o retorno dos totalitarismos. Do ponto de vista filosófico, seguindo as reflexões de Cacciari e Esposito, é preciso pensar as possibilidades de uma democracia não liberal, não dependente nem de uma teologia política nem de uma economia política, que, inclusive, aceite a possibilidade de uma comunidade nunca realizada ontologicamente.
Toda fonte pode estar envenenada: sobre deepfakes e a ameaça de apocalipse epistêmico - (2025)

Bismarck Bório de Medeiros

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo visa argumentar sobre o problema das denominadas deepfakes em ambientes epistêmicos e como tal fenômeno é uma ameaça às estruturas de obtenção, armazenamento, divulgação de informação e aquisição de conhecimento. Para isso, faremos uma análise das principais semelhanças e distinções ao fenômeno das fake news e como ela é um tipo de desinformação substancialmente perniciosa, fazendo com que haja perda generalizada tanto de confiabilidade em qualquer ambiente virtual em que possa incidir tais falsificações, quanto de credibilidade dos agentes epistêmicos envolvidos na deepfake. Desta forma, buscamos embasar nossa posição às críticas sobre a possibilidade deste apocalipse epistêmico com investigações históricas sobre casos diversos de enganação e falsificação de moeda corrente com consequências sociais, econômicas e políticas. Pontua-se com base nesta análise que procedimentos de autenticação estão sempre presentes e podem ser implementados para mitigar o espalhamento de desinformação nas redes, adotando uma posição moderada com relação a esta ameaça.    
‘Determinantes’ e ‘determinação’ na tese de Marx como base para uma crítica à recepção feita pelo campo da saúde coletiva - (2025)

Leonardo Carnut, Daniele Correia, Anna Lidia Beltrán Marín, Yohanka León del Río

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo tem como objetivo criticar a categoria ‘determinantes’ em relação à ideia de ‘determinação’ recepcionadas e/ou apropriadas pelo campo da saúde coletiva latino-americana desde a tese de doutorado de Marx intitulada: “Diferença entre a filosofia da natureza de Demócrito e a de Epicuro”. O intuito deste estudo foi demonstrar como a categoria ‘determinantes’ está associada à ideia de causalismo simples e, ainda, como a compreensão da categoria ‘determinação’ em Marx se afasta completamente da ideia de ‘relações determinísticas’. Assim, este artigo se apresenta estruturado em três seções. Na primeira seção se questiona como se desenvolveu o debate sobre ‘Determinantes sociais’ ou ‘Determinação social da saúde’ no campo da saúde coletiva. Na segunda seção, enfatiza-se à categoria ‘determinação’ na tese de doutoramento de Marx com a finalidade de demonstrar os pressupostos do sistema filosófico epicurista nos quais essa categoria está assentada em contraponto aos pressupostos do sistema democrítico que encerra a categoria ‘determinantes’. Por fim, a terceira seção apresenta breves considerações finais sobre este debate.
A divisão principal do conceito de lógica em Tomás de Aquino - (2025)

Pedro Barbosa Araujo

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. O objetivo do presente artigo é desenvolver as razões apresentadas por Tomás de Aquino para que o conceito de lógica fosse dividido da forma mais científica possível. De fato, é por essas razões que se alcançam as partes da lógica distinguidas como judicativo-resolutória, dialético-inventiva e sofística. São as três partes pelas quais todo o fieri do entendimento humano pode manifestar-se, na execução de seu ato de conhecer. Porque este ato de conhecer é tríplice, admite e requer a divisão da ciência e da arte que o considera como tríplice, tanto quanto. A lógica judicativo-resolutória tematiza a fundamentação do juízo científico; a lógica dialético-inventiva considera o processo de descoberta do juízo científico; e a lógica sofística aborda, de modo científico, a produção de aparências próximas, mais ou menos, da verdade. Por isso, essa consideração e esse requerimento deram azo a que se dividisse a lógica, justamente, em três distintas partes, expostas e explicadas a contento, neste artigo.
A experiência humana do mal e a revolta metafísica: uma análise a partir da obra de Albert Camus - (2025)

Alberto Oliveira

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo tem como objetivo apresentar uma análise sobre a experiência humana do mal a partir de duas perspectivas complementares. Primeiro, a experiência humana do mal na perspectiva da tradição grega clássica, com base no texto fundamental do aedo Hesíodo. E, a partir desse recorte, apresentaremos as inferências que o conceito de revolta metafísica apresenta como possível resposta à leitura da teodiceia cristã da condição humana marcada pela experiência do mal. Pois, um dos problemas fundamentais da leitura cristã sobre a experiência do mal está intimamente ligado à relação entre o ser humano, em sua condição de criatura, e o Criador, em sua condição de afastamento pelo pecado adâmico, o que impulsiona a revolta metafísica como uma experiência filosófica e artística de contestação dessa condição adâmica. Essa análise será abordada por meio das obras de Camus, tendo como base o ensaio filosófico O Homem Revoltado (1951). A partir de uma série de obras complementares, buscaremos apresentar a complexificação do conceito da revolta metafísica em direção à luta coletiva como resposta à experiência do mal. Pois esses temas fomentam uma parte fundamental do pensamento do autor argelino em seu esforço de construir uma aparente historiografia da revolta e da condição humana.
A tentativa de comprovação da existência divina na terceira via tomásica - (2025)

Clodoaldo da Luz

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. A discussão acerca da existência divina tem na gênese filosófica um pilar importante. Haja vista que, da reflexão clássica sobre a origem de tudo que há, a investigação filosófica medieval, sobretudo em Tomás de Aquino, baseou sua especulação sobre a existência divina. Pois, da busca do classicismo filosófico pelo elemento primordial, a investigação filosófica do Medievo converteu tal empreita clássica na discussão acerca da Causa incausada. Desse modo, o presente artigo visa refletir que a discussão acerca do problema da existência divina não se enquadra tão somente no âmbito teológico, senão, também, no filosófico. Por causa dessa ideia e pelo fato da filosofia do Aquinate ser fecunda para a investigação medieval acerca da existência divina, será, em primeiro lugar, refletido que a problemática acerca da existência divina constitui uma questão fecunda para a Filosofia. Depois, investigar-se-á, à luz do itinerário tomásico, qual poderia ser a base para se empenhar uma discussão sobre Deus. Por fim, será redigido um apontamento sobre a terceira via tomásica acerca da existência divina.
Apontamentos para uma política dos corpos na arqueologia foucaultiana - (2025)

Daniela Lima Barros

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Neste artigo, trata-se de reunir apontamentos para a formulação de uma política dos corpos na arqueologia foucaultiana. A visão sedimentada pela recepção hegemônica da obra de Foucault pretende que tanto o tratamento do corpo quanto a inflexão política em seu pensamento só adviriam na década de 1970. Em sentido contrário, buscamos extrair de dois momentos do percurso arqueológico de Foucault nos anos 1960 elementos de sua reflexão filosófica centrada na noção de corpo que dão ensejo e subsídios ao desenvolvimento de implicações políticas. Para tanto, recorremos à obra O nascimento da clínica, de 1963, e à conferência radiofônica O corpo utópico, de 1966, exemplos paradigmáticos da investigação arqueológica que têm no corpo seu eixo de articulação central. No primeiro, encontramos uma reconstrução do processo de constituição de corpos por meio do olhar médico, que culmina com a reflexão sobre as implicações sociais da construção desse saber – o que Foucault chama de “espacialização terciária” –; na segunda, a utopia emerge como força de auto-transcendência e vetor de transformação do corpo, a partir do corpo e rumo a outros corpos, o que evidencia o potencial político desse conceito.
Balancing Feudal Legacies and Socialist Aspirations: Vietnam’s Ethical Transformation - (2025)

Huong Thu Thi Nguyen

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. This study examines the enduring influence of Confucian ethics on Vietnam’s new morality, shaped by revolutionary and socialist ideals. Confucianism, with its emphasis on moral values, social harmony, and hierarchical relationships, provided the foundation for Vietnam’s traditional morality during the feudal era. However, its remnants, including patriarchal structures and rigid hierarchies, present challenges to modern democratic and socialist aspirations. Employing a qualitative research design, this study analyzes primary texts, including Confucian classics and Hồ Chí Minh’s writings, alongside secondary academic sources. Through thematic content analysis, the research explores the interplay between traditional Confucian values and modern ethical constructs, highlighting their dual role as both a moral cornerstone and a potential barrier to progress. The findings underscore that while Confucian ethics offer valuable guidance for governance, education, and societal cohesion, their feudal origins must be critically reevaluated to align with contemporary goals of equality and social justice. The study concludes by proposing strategies to retain the strengths of Confucian ethics while addressing their limitations, demonstrating how Vietnam can integrate its cultural heritage with revolutionary and modern principles to build a harmonious and progressive society.
Ciência e tecnologia no século XXI: um novo movimento de renovação epistemológica - (2025)

Elemar Kleber Favreto, Josie Agatha Parrilha da Silva, Marcos Cesar Danhoni Neves

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Science had its origin in the rationalization of reality, going through a continuous process of epistemological renewal over the past four centuries, culminating in the inseparable interconnection between Science and Technology in the new millennium. In the face of this scenario, the research in question aims to address the following problem: "How have the movements of epistemological renewal influenced the construction and validation of scientific knowledge throughout different eras, culminating in the interconnection between Science and Technology in the contemporary context of the 21st century?" With this purpose, the study aims to investigate the impact of epistemological renewal movements over time on the construction and validation of scientific knowledge, specifically analyzing the intrinsic relationship between Science and Technology in the 21st-century scenario. Configuring itself as basic research with a qualitative focus and bibliographic procedures, the results emphasize the relevance of the dialogue about Technoscience, a term that encompasses the profound interconnection between Science and Technology in contemporary times, aiming to redefine the human relationship with nature and address the challenges posed by the complex network of interactions in Technoscience.
Da crítica ao semiótico ao abjeto como paradigma de corpo-generificação: Judith Butler leitora de Kristeva - (2025)

Diego Luiz Warmling

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Seja em função do semiótico para criticar a psicanálise, seja para incorporar o abjeto entre suas problematizações, seja para evidenciar suas ambiguidades, é fato que Judith Butler (re)mobiliza amplamente as noções e críticas deixadas por Julia Kristeva. A começar na sua tese sobre Hegel, ela encontra nesta autora ferramentas úteis para problematizar os modos como certos sujeitos são execrados da mesma maneira que execramos os nossos excessos. Apoiados na sua leitura de Kristeva, veremos que Butler edifica crítica ao semiótico e sua teoria da abjeção, entendendo esta como paradigmática à problematização da performatividade dos corpos-gêneros. Haja vista que os atos de gênero não necessariamente obedecem às leis que os interpelam, é (re)mobilizando Kristeva desde uma perspectiva queer-feminista que Butler faz pensar na potencialidade de, nos termos do poder, não tratarmos como ilegítimas, invivíveis e patologizáveis a priori uma parcela significativa das formas de corpo-generificação. Através de uma leitura queer-feminista do semiótico e da abjeção kristevianos, este artigo procura analisar um dos passos pelos quais Judith Butler faz pensar quão “furadas” são as expectativas de coerência, fixidez e estabilidade identitárias.
Diatopía, decolonialidad y complejidad ¿qué significancias ocupan en la educación en la actualidad? - (2025)

Milagros Elena Rodríguez

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. En las líneas de investigación: Decolonialidad planetaria-complejidad en re-ligaje, Educación Decolonial Planetaria - transepistemologías complejas y transmetodologías complejas y los transmétodos decoloniales planetarios-complejos, como objetivo de la indagación se sustenta la tríada diatopía-decolonialidad-complejidad y su eficacia en la educación actualmente. En la reconstrucción la tríada diatopía - decolonialidad – complejidad y su urgencia en la educación aporta: la perentoria decolonialidad que representaría una implosión a las intencionalidades alienantes de la educación; es conyúgante de estas comprensiones y ejercicios en la praxis; la diatopía tiene como objetivo de comprender lo separado de la vida y minimizar el pensamiento abismal; diatopía conjunción maravillosa que va al abrazo de los topoi, la justicia como valor que promueve la paz como esencia pues no hay justicia sin paz; por ello urge  en la concordia sin superioridades, atendiendo las franjas de los desprotegidos de la vida. La tríada diatopías-decolonialidad-complejidad salvaguarda en la educación excelencias del ser humano, las provoca y pone en evidencia. Rescata la condición humana en la educación, es promotora de una educación que sea problematizadora de la salvaguarda de la vida, de la tierra como patria. Es promotora de una política del ser humano en su educación. Entre la política que salvaguardar la vida la tríada diatopías-decolonialidad-complejidad en la educación esta educar al ser humano en toda su complejidad. Por ello retomamos a Dios nuestro Arché que nos redime como humanos en la educación, fuera de las religiones atomizantes, se trata de una relacionalidad que nos regresa a nuestra complejidad.
Esboço para uma retomada do existencialismo: crer, desejar e brincar com e além de Sartre - (2025)

Vítor Hugo dos Reis Costa

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Trata-se de uma interpretação dos conceitos de crença, desejo, angústia e atitude de jogo tal como apresentadas por Sartre em O ser e o nada. Privilegiando o enquadramento oferecido por intérpretes de orientação heideggeriana como Gerd Bornheim e Joseph Fell, que veem em Sartre algo como um epílogo da tradição metafísica, pretendo apresentar os conceitos mencionados em uma perspectiva distinta daquela que seria a compreensão convencional do estatuto desses conceitos na já consagrada perspectiva da superação radical da má-fé. O artigo, portanto, consiste na apresentação interpretativa desse enquadramento metafísico da obra de Sartre e do estatuto desses conceitos na perspectiva de que a superação total da má-fé não é desejável – caso seja mesmo praticável. Tal apresentação interpretativa tem, por intento geral, oferecer as bases do que pode ser uma renovada atitude existencialista inspirada pelo pensamento de Sartre.
Fagologia e cismogênese - (2025)

Maurício Fernando Pitta

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Motivada por uma colocação de Eduardo Viveiros de Castro em seu prefácio ao livro Antropofagia – Palimpsesto Selvagem, de Beatriz Azevedo, a noção de “fagologia” busca suprir, na economia conceitual de minha tese de doutorado, O Anti-Orfeu: por uma esferologia do ponto de vista do espectral, a carência de um conceito adequado para designar e escalonar diferentes esquemas de relação entre ontologias e para organizar alguns pares conceituais ramificados a partir da relação nuclear “eu–outro”, atravessados cada qual e entre si por uma dinâmica intrinsecamente perspectivista. Neste artigo, considerando a possível pertinência do conceito para pesquisas afins, pretendo: (1) apresentar os principais componentes do conceito, organizados em torno dos pares lógos–phágos (modos de relação com a alteridade) e topologia lógica–topologia fágica (planos topológicos); (2) desdobrar sua aplicação em dois tipos ideais simetricamente opostos (a “imunologia” e a “antropofagia”); e (3) articular, na forma dupla de um diagnóstico-prognóstico, a maneira como esses tipos ideais se relacionam, na intersecção entre o conceito de fagologia e o conceito de “cismogênese”, cunhado por Gregory Bateson e retrabalhado por autores como Viveiros de Castro, David Graeber, David Wengrow, Michael Houseman e Carlo Severi.
Hegel: o conceito de liberdade e história a partir das Linhas fundamentais da filosofia do direito - (2025)

Rosmane Gabriele V. Alves de Albuquerque

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Apesar da abundância de trabalhos e debates concernente ao conceito de liberdade, seja ela individual, coletiva ou metafísica, nota-se que as questões circundantes ao tema são inesgotáveis e passivas de reflexões. Principalmente no que diz respeito à Hegel, já que, sua filosofia não aborda o conceito de liberdade e seus seguimentos como partes isoladas, como se houvessem vários tipos de liberdade.  Pelo contrário, a liberdade em Hegel aparece como essência do espírito subjetivo que se expressa no mundo na forma do espírito objetivo, ou seja, na história. Essa, por sua vez, aparece como ação do próprio espírito através dos indivíduos. Esses, são guiados pela razão progressivamente ao autoconhecimento de que a liberdade é condição intrínseca a todos os homens. Assim, o presente artigo tem por objetivo esclarecer o conceito de liberdade em Hegel a partir da Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito (2022) e sua relação com o conceito de história.   
Hiperreligião e o desaparecimento do religioso com caráter, marcas de uma sociedade contemporânea - (2025)

André Magalhães Coelho

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Esse artigo procura analisar a hiperculturalidade pensada pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han. A hipercultura não gera massas unitárias de cultura, uma unidade monocromática. Ela desencadeia uma individualização cada vez maior, seguindo as próprias inclinações, reconfigura-se a identidade religiosa a partir de formas e práticas de vida. A hiperreligião estabelece diversas crenças a partir da qual se reconstrói uma religião própria. Etimologicamente, o caráter é o signo marcado a fogo, uma queimadura indelével. Seu traço principal é a inalterabilidade. A duração e a constância não favorecem o consumo e se excluem. O propósito deste texto é mostrar que a cultura de consumo de crenças está gradualmente eliminando qualquer sinal constante, e o declínio do aspecto religioso vai impondo um consumidor sem caráter.
Integrating Innovation with Integrity: Navigating the Humanistic and Ethical Dimensions of the Fourth Industrial Revolution - (2025)

Nga Thi Khuat

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. The Fourth Industrial Revolution (4IR) marks a transformative period in which the convergence of biological, digital, and physical technologies redefines human existence and societal structures. This paper critically examines the philosophical, ethical, and socio-political implications of these advancements, advocating for an integrative approach that aligns rapid technological innovation with enduring humanistic values. By addressing the potential for both human advancement and the exacerbation of social inequalities, the study emphasizes the importance of ethical reflection, robust regulatory frameworks, and educational reforms. It further explores the profound changes in work, identity, and community dynamics, calling for proactive policies to ensure equitable access to the benefits of 4IR while preserving human diversity. Ultimately, this analysis calls for a responsible and ethical engagement with emerging technologies to foster a future that promotes justice, human dignity, and planetary sustainability.
O teatro Político e a democracia ateniense - (2025)

Jean Farias

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. O objetivo deste artigo é analisar a relação da tragédia com a política, com a democracia e com o contexto social da Atenas no século V. A ideia do texto é debater como a tragédia reverberava questões importantes da sociedade ateniense. Na primeira parte do texto apresentamos um resumo bastante sucinto do contexto original das tragédias, a saber, os rituais em hora ao deus Dionísio, celebrando a fertilidade e a colheita. Na segunda parte o texto apresenta uma abordagem mais ampla da relação entre a tragédia e a política ateniense, tentando contrastar os ritos religiosos do primeiro momento com o teatro trágico que era praticado na cidade. Neste contexto a questão da pólis torna-se um elemento fundamental para tragédias. Na terceira parte do texto focamos em Eurípides como guia da nossa abordagem. Por meio da tragédia euripidiana tentamos enfatizar como os temas políticos estavam presentes no teatro grego.
Os caminhos de Schopenhauer em direção às origens sensualistas - (2025)

André Mário Gonçalves Oliveira

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. Este artigo tem como objetivo demonstrar as raízes filosóficas de Arthur Schopenhauer no movimento sensualista. Para tanto, proponho afastá-lo das alegações de uma influência irrestrita do Romantismo, sem, contudo, descartar o influxo desse movimento, que reflete o espírito de sua época. O foco é aproximar o filósofo alemão de um dos movimentos que, embora menor, impulsionou o período romântico: o Sensualismo. Esse movimento, que atribui todas as funções da alma e, por conseguinte, todo o conhecimento às sensações, como exposto no Tratado das Sensações, de Étienne Bonnot de Condillac — frequentemente apontado como precursor do sensualismo — exerceu grande influência sobre filósofos franceses, entre os quais se destacam alguns de seus alunos e discípulos, que mais tarde buscaram expandir e aprimorar essa doutrina. A hipótese de uma influência sensualista em Schopenhauer será sustentada por meio de duas teses: 1) a transição entre intelecto e vontade, apresentada em sua obra magna, O Mundo como Vontade e Representação, que será relacionada à fisiologia francesa; e 2) seu breve tratado sobre educação, exposto em Parerga e Paralipomena, que será associado à pedagogia de Johann Pestalozzi.
Os conceitos fundamentais da filosofia da cultura de Tobias Barreto - (2025)

Leonardo de Sousa Oliveira Tavares

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. O artigo a seguir é dedicado à filosofia da cultura desenvolvida por Tobias Barreto e às implicações que esta é capaz de oferecer ao exercício filosófico. O autor das Glosas Heterodoxas a um dos Motes do Dia, ou Variações Antissociológicas (1884/1887) apresenta-nos um modo de conceber a cultura que tem algo a contribuir para a caracterização filosófica deste conceito. Em sua fase neokantiana, a tematização da cultura é marcada por uma reflexão que transpõe os limites da teoria do direito para avançar na direção da epistemologia e da antropologia filosófica, no ato inaugural de uma filosofia da cultura que influenciará diretamente o culturalismo brasileiro. Ao definir a cultura como o resultado das criações livres da humanidade em sociedade, a filosofia barretiana abre-nos um horizonte de consideração da cultura como o solo incontornável das realizações humanas. A partir desta concepção, se nenhum valor capaz de guiar a humanidade surge incriado na história das civilizações, é pelo fato de que há um processo de cultivo interminável, no qual a humanidade é livremente efetivada. Na origem deste mesmo processo, há um esforço para fazer triunfar os valores atuais, numa constante negação da natureza. Conforme analisamos, diante das articulações barretianas dos conceitos de cultura, natureza, sociedade e liberdade, somos convidados ao exercício de pensar em que medida a própria filosofia é responsável por nos acordar do sono cultural, a partir do qual esquecemos que a vida teórica e as suas leis brotam do domínio cultural dos valores.
Sobre a justiça da lei: estudo sobre lei eterna e humana à luz de Agostinho de Hipona - (2025)

Ricardo Evangelista Brandão

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. No presente artigo se investigou a relação entre lei natural e lei positiva (eterna e humana conforme o autor), segundo o prisma de Agostinho e Cícero. A escolha de dois autores com distância temporal de quatro séculos, e, consequentemente, com certa disparidade entre os contextos políticos, justifica-se por Cícero se constituir importante fonte teórica para Agostinho na matéria. Assim, no presente texto, por meio do estudo de diversos textos de Agostinho e Cícero, se pesquisou os conceitos de ambos sobre os apontados aspectos da lei, e a partir dessa pesquisa se estabeleceu uma análise dialogal entre os dois para entender o teor da influência de Cícero em Agostinho no assunto. Ambos os filósofos – com algumas variações - defenderam que a lei natural é universal, contém uma exortação para se manter a ordem natural por meio de ordenamentos imperativos e proibitivos, que se faz presente no homem por uma inclinação na razão (reta razão). Logo, os homens são capazes, por meio desse bom senso racional, de construir regramentos jurídicos que considerem os contextos de cada povo, regramentos esses guiados pelos princípios orientadores da lei natural.