Orfeu

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A Levada-Tamborim de Baden Powell - (2025)

Lucas Martins Corrêa, Luiz C Mantovani Jr

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Este artigo examina uma das levadas mais recorrentes de Baden Powell, que, pela semelhança com a prática do tamborim no samba, é aqui apelidada de “levada-tamborim”. Após revisitar a definição de levada como padrão circular de repetição e variação, e compreender como as levadas de violão imitam os instrumentos de percussão, observamos a prática do tamborim no samba e como ela incorpora o conceito de linha-guia que permeia a maior parte da música de origem afro-brasileira. Para tanto, apoiamo-nos em referenciais teóricos e práticos, englobando tanto o universo do violão como o de outros instrumentos e conjuntos. Uma vez estabelecida a fundamentação teórica, abordamos a levada-tamborim a partir da análise detalhada de cinco exemplos selecionados, retirados de gravações e vídeos de Baden e Marcel Powell. Nossa análise revelou diversas maneiras de se realizar a levada-tamborim, que, no entanto, compartilham o procedimento de pensar a ação da mão direita do/a violonista em dois grupos complementares, trabalhando de maneira a espelhar o ritmo ininterrupto da levada de samba do tamborim.
Composição musical a partir da modelagem sistêmica dos contornos texturais do início do Quarteto de Cordas nº 17 de Heitor Villa-Lobos - (2025)

Sidnei Marques de Oliveira, Marcos da Silva Sampaio

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Apesar de Daniel Moreira e coautores (2021) já terem abordado a modelagem sistêmica da textura musical, a modelagem de determinados aspectos dessa dimensão, tais como o contorno dos níveis de complexidade do particionamento rítmico da textura e da densidade-compressão, ainda permanece inexplorada. A Modelagem Sistêmica é uma metodologia pré-composicional que examina a estrutura de uma obra musical, empregando parâmetros específicos para gerar uma nova composição, utilizando suas relações abstratas como fundamento. Neste trabalho, descrevemos e discutimos o processo de modelagem sistêmica do contorno da textura sob a perspectiva dos níveis de complexidade do particionamento rítmico e da densidade-compressão no primeiro movimento do Quarteto de Cordas n. 17, de Heitor Villa-Lobos, para gerar a obra Devaneios 5. Concluímos que a modelagem sistêmica, na perspectiva dos contornos da textura, tem potencial para novas abordagens composicionais criativas.
Considerando estilo e gêneros musicais - (2025)

Allan F. Moore, David Ganc, Mário Sève, Martha Ulhôa

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. “Considerando estilo e gênero musicais” é um ensaio que conjuga dois textos de Allan F. Moore publicados em décadas diferentes: “Categorical Conventions in Music Discourse: Style and Genre” (Music & Letters 82/3, 2001) e “Style and Genre as a Mode of Aesthetics” (Musurgia XXV/3, 2018). Além de oferecer ao leitor lusófono uma revisão sobre estes dois conceitos centrais para a pesquisa em música, é inspirador observar as mudanças de perspectiva do musicólogo ao longo do tempo. Em 2001, com uma atitude mais “positivista”, em 2018 incluindo questões de estética musical, sem deixar de mencionar a comunicação recente, de 2024, onde é admitida a existência de certo grau de subjetividade por parte do analista musical.  Importante ressaltar a interação dos tradutores com o autor, visto que a proposta da edição dos textos unificados, motivou Moore escrever alguns parágrafos especialmente para esta publicação, com o intuito de servir de elo entre a primeira e segunda parte do ensaio.
De carne e aço: criatividade computacional na música e na questão do corpo - (2025)

Pedro Vaz

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Será que algum dia as máquinas poderão tomar nosso lugar na criação de arte e, particularmente, de música? Os excelentes resultados de algumas Ias1 conhecidas (por exemplo, EMI2, Flow Machines3) podem nos fazer acreditar que sim. Entretanto, apesar dessas evidências, parece que as máquinas apresentam alguns limites intrínsecos, tanto em contextos criativos quanto não criativos (já destacados por John Searle e pelo debate sobre mecanismo). Os argumentos deste artigo estão centrados exatamente nessa crença: estamos convencidos de que as afirmações utópicas sobre a inteligência total das máquinas não são plausíveis e que nossa atenção deve ser direcionada para questões mais relevantes no campo da criatividade computacional. Em particular, concentramos nossa atenção no que chamamos de "questão do corpo", ou seja, o papel do corpo na experiência e na criação de música, que consideramos problemático para a ideia de uma máquina verdadeiramente criativa (mesmo se levarmos em consideração versões mais fracas da inteligência artificial). Nosso argumento baseia-se em descobertas contemporâneas da neurociência (especialmente sobre cognição incorporada) e nas teorias de Maurice Merleau-Ponty e Roland Barthes.
Marcos Leite e o canto coral brasileiro no contexto da contracultura: aspectos históricos, analíticos e interpretativos - (2025)

Anderson Mauricio do Nascimento, Vladimir Alexandro Pereira Silva

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. O objetivo geral deste artigo é analisar a atuação de Marcos Leite (1953-2002), pianista, compositor e regente, no contexto da contracultura. A pesquisa qualitativa, com caráter bibliográfico e documental, contemplou tanto a produção, a circulação e a recepção da obra de Marcos Leite no cenário brasileiro da segunda metade do século XX, quanto os princípios que nortearam a sua prática enquanto arranjador, maestro e pedagogo. Inicialmente, traçamos um panorama do movimento coral brasileiro, a partir da década de 1960, e discutimos sobre o trabalho de Marcos Leite na cidade de Curitiba. Depois, nos dedicamos à análise do arranjo de Vassourinhas (Matias da Rocha e Joana Baptista Ramos), produzido por Marcos Leite, identificando os seus elementos formais, harmônicos, melódicos e rítmicos. Os resultados indicam que, ao lado de outros nomes, Marcos Leite contribuiu para a renovação estética do canto coral, propondo formas de atuação cênica, visual e gestual, para cantores e regentes.
Nova objetividade, análise cultural e a oposição entre “artista” e “trabalhador”: - (2025)

Álvaro Neder

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. O artigo coloca o problema, para o entendimento da categoria trabalho no campo musical, representado pelas concepções ontológicas dualistas, que contrapõem ideia e matéria. Argumenta que tais concepções foram responsáveis por instituir uma cisão entre a condição de artista e de trabalhador/a da música, resultando – na vigência de relações sociais fetichizadas – no ocultamento do trabalho do músico. Como superação desse impasse, propõe a descoberta marxiano-engelsiana do trabalho como categoria fundante do ser social, incluindo o aporte lukácsiano: por meio do trabalho, o ser social produz uma nova objetividade. A partir da mediação da consciência, a matéria natural é organizada pelo trabalho, originando entes e relações ontologicamente novos, sínteses entre ideia e mundo natural: ideias objetivadas. Por esta via, supera-se a contradição herdada entre arte e trabalho e abre-se a possibilidade do desvelamento do real e para a práxis de construção da generalidade humana-para-si.
Por uma pedagogia da afiliação intelectual: desafios e necessidades dos estudantes de música em universidades mineiras - (2025)

Marcus Vinícius Medeiros Pereira, Maria Angélica de Toledo Calderano da Costa, Ana Carolina dos Santos Martins, Gustavo de Oliveira Coelho, Josuan Vicenzi Daun

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Este estudo investiga a afiliação intelectual de estudantes dos cursos de Licenciatura em Música de três universidades públicas mineiras, analisando o domínio de estratégias cognitivas e comportamentos essenciais ao sucesso acadêmico, com base na pedagogia da afiliação intelectual de Alain Coulon. Utilizando um questionário online com escala Likert, a pesquisa avaliou práticas acadêmicas e considerou marcadores sociais, como renda familiar e origem escolar. Os resultados indicam que, apesar de reconhecerem a importância dessas estratégias, os estudantes ainda não as dominam plenamente, o que pode estar relacionado ao seu perfil social. Isso evidencia a necessidade de apoio pedagógico para promover a afiliação intelectual e destaca o papel do corpo docente em desenvolver tais habilidades, além dos conteúdos curriculares tradicionais. O estudo busca contribuir para a democratização do ensino superior, fortalecendo políticas institucionais e pedagógicas que garantam permanência e formação qualificada dos futuros professores de música.
Proposta metodológica de ensino da flauta doce no fundamental I com elaboração de material didático - (2025)

Eliton Perpetuo Rosa Pereira, Marcelo de Almeida, Cristiano Aparecido da Costa, Ronan Gil de Morais

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Partindo da constatação de que a música em sala de aula deve receber maior atenção dentro da disciplina Arte, propomos a metodologia de ensino coletivo de flauta doce, buscando mostrar a importância desta na musicalização de crianças do ensino fundamental I. O estudo foi desenvolvido a partir de uma revisão sobre o histórico do ensino da flauta doce no Brasil e de seus aspectos pedagógicos inerentes. Além disso, foram incluídas uma pesquisa narrativa autobiográfica e a elaboração de um produto educacional que visa auxiliar docentes na musicalização dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental I. A proposta faz do uso da flauta doce como uma alternativa viável para a inclusão de um instrumento musical na rede pública escolar. Nesse contexto, o instrumento utilizado mostra-se um recurso a ser adequado, não o único, mas importante na musicalização do ensino fundamental. Sendo um instrumento de baixo custo e de fácil aprendizado, a flauta doce é muito utilizada nos anos iniciais. Tendo em conta uma abordagem cultural que considera as músicas das diferentes regiões brasileiras, o produto educacional elaborado consiste em uma sequência didática que visa auxiliar os educadores musicais na utilização da flauta doce no ensino fundamental.  
Vivências em versos: a música como representação da identidade cultural dos povos do campo - (2025)

Marcos Clair Bovo, Julio Rodrigues de Oliveira, Fred Maciel

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. A música pode ser considerada um elemento de representação social, refletindo a identidade cultural de grupos por meio da expressão de suas experiências e valores, como é o caso para os povos do campo, que, em meio às mudanças nos seus modos de vida impulsionadas pela modernização agrícola, resistem em seus locais de origem. Dessa forma, este artigo objetiva analisar as representações das identidades culturais dos povos do campo a partir de músicas sertanejas e como estas representam duas classes distintas no espaço agrário: de um lado, os descendentes de latifundiários; de outro, os proprietários de pequenas propriedades rurais. Para essa análise, baseamo-nos na busca de referenciais teóricos sobre identidade cultural, campo e música, concomitantemente à análise de letras de canções do gênero sertanejo. Com base nas análises realizadas, constatamos que a música pode ser considerada um elemento político, essencialmente no que se refere à representatividade, evidenciando contrastes entre estilos e grupos sociais vinculados.
Walking – um recurso técnico-estratégico - (2025)

Raquel Turra Loner, Maria Bernardete Catelan Póvoas, Alisson Alípio

Volume: 10 - Issue: 1

Resumo. Neste artigo é abordada uma das etapas de aplicação de um recurso técnico-estratégico em formulação, o walking. O walking é um comportamento de mão esquerda ao violão, o qual pode ser definido como a sucessão de movimentos que possibilita a sustentação do som entre as notas, uma sucessão de intenções. As etapas previstas para a aplicação do recurso são: planejamento ou organização da prática, treinamento e avaliação, sendo a primeira delas objeto deste artigo. Compreende-se o planejamento de uma execução instrumental como a sistematização da prática, contexto no qual a decodificação do texto musical possibilita a sua segmentação em partes que podem ser praticadas por meio de sistemas e/ou métodos de partes progressivas. Ao realizar-se a segmentação, é indicado considerar quais componentes (movimentos) da ação de mão esquerda ao violão são independentes e quais são interdependentes, evitando-se a prática isolada de movimentos que seriam melhor executados se praticados em conjunto. Para ilustrar a aplicação dessas proposições, é descrito o planejamento da ação de mão esquerda em um excerto da peça Pavana II (1536) de Luis Milán. Resultados preliminares apontam para a possível aplicação dos direcionamentos aqui expostos, assim como para o aprofundamento da pesquisa.
A intertextualidade transferida da literatura para a música: caminhos adotados por diversos autores - (2024)

Ariane Petri

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. O presente artigo revisa as estratégias adotadas por diversos autores ao aplicar a intertextualidade à música. Originária da teoria literária, a intertextualidade examina o cruzamento de textos e seu diálogo. Na música, trata das relações entre realizações musicais, tanto anotadas quanto gravadas, completas ou de trechos. O objetivo deste artigo é reunir e diferenciar essas abordagens. Inicialmente, apresentamos as principais abordagens intertextuais na literatura, diferenciando-as entre pós-estruturalistas e estruturalistas, para em seguida descrever e comparar suas aplicações na música. A intertextualidade musical abrange subáreas como empréstimo, influência e a Teoria das Tópicas. Propomos ainda a subárea da intertextualidade pragmática, com uma linha analítica e outra compositiva. Detalhamos as particularidades dessas subáreas e identificamos características dos campos poiético, estésico e neutro sob a perspectiva semiótica de Jean-Jacques Nattiez (1990; 2021). Finalizamos trazendo as tendências recentes da intermidialidade e dos estudos de adaptação.  O artigo dedica uma parte mais extensa à transtextualidade de Gérard Genette (1997a; 2010), autor ainda pouco explorado na música.
A tradução para o "violonês": o processo de elaboração das transcrições e dos arranjos do álbum Ian Guest – Música para Violão - (2024)

Luciano Lima

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Esta pesquisa apresenta uma visão dos bastidores da edição do álbum Ian Guest – Música para Violão, publicado em 2021 pelo Acervo Violão Brasileiro, tendo como foco o processo de adaptação das composições para violão. Ian Guest (1940-2022) teve uma participação significativa na história da música brasileira como compositor, diretor musical, arranjador e educador. Seu nome é bastante familiar por seus métodos de harmonia e arranjo, um material que há décadas vem dando suporte à formação de diversos músicos. Sua produção como compositor, entretanto, não é tão conhecida, ganhando mais visibilidade apenas recentemente por meio da publicação de seu Songbook (2019c), pela Vitale, e do lançamento de seu único disco autoral, HEMATHACAMA – Aventura de Lápis e Borracha (2021g). Mas seu catálogo, que tem início na década de 1960, reúne um número expressivo de obras, incluindo peças originais para violão, canções e música de câmara, revelando a pluralidade de uma intensa vivência musical. Assim, da mesma forma que o húngaro János Geszti precisou traduzir seu idioma nativo quando chegou ao Brasil, em 1957, sua música passou por algo similar ao ser transportada para o violão. Esse processo de reelaboração musical, realizado em parceria com o compositor, será descrito a seguir com base em peças selecionadas que integram o álbum de partituras.
Análise de gravações como recurso para o desenvolvimento da ornamentação: um estudo aplicado à Suíte para violoncelo nº 2, em Ré menor, de J. S. Bach - (2024)

William Teixeira, Guilherme Ferreira

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo explora o papel da ornamentação na prática musical atual, utilizando como estudo de caso a Suíte para violoncelo nº 2 em Ré menor (BWV 1008) de Johann Sebastian Bach. Baseado em observações de Carl Philipp Emanuel Bach e Daniel Leech-Wilkinson, o estudo analisa 17 gravações de 13 artistas diferentes, abrangendo um período de 78 anos, para compreender como os músicos contemporâneos abordam a ornamentação. A metodologia adotada envolve uma análise comparativa das gravações e da notação escrita da fonte de Anônimo D, destacando a importância da escuta atenta e do estudo das interpretações passadas. Conclui-se que a ornamentação não apenas enriquece a expressão musical, mas também reflete a criatividade do intérprete. A discussão sobre a pedagogia da ornamentação destaca a necessidade de os músicos desenvolverem sua própria linguagem interpretativa, em vez de se pautarem estritamente por normativas históricas.
Apontamentos para uma teoria da forma em música popular - (2024)

Carlos de Lemos Almada

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo integra uma pesquisa abrangente sobre a estrutura da Música Popular Brasileira (MPB), focando em aspectos da forma. O estudo, que pretende essencialmente estabelecer uma base sólida para uma teoria sobre forma em música popular, é motivado pela escassa literatura específica sobre o assunto e toma como principais referenciais para suas formulações conceitos e pressupostos derivados da assim chamada Neue Formenlehre. Iniciando com um grupo de definições básicas (forma nominal, camadas e níveis estruturas, relações S/C e fatores de segmentação), o estudo propõe tipologias referentes às ideias de macro e microformas, concentrando-se especialmente neste último aspecto, ao qual se associa a dualidade conceitual período e sentença (SCHOENBERG, 1967; CAPLIN, 1998). Como ponto central de discussão, propomos uma perspectiva mais flexível para ambos os conceitos, a partir da observação da prática musical no contexto da MPB. A construção de um modelo analítico voltado para as formulações propostas e sua aplicação em quatro estudos de caso são contemplados nas seções finais do artigo.
As transformações e heranças do modelo pedagógico Napolitano: uma pequena reflexão a partir do tratado de João Sépe - (2024)

Fernando Tavares, Diósnio Machado Neto

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo explora a evolução do modelo pedagógico napolitano, concentrando-se nos trabalhos de Fedele Fenaroli (versões de 1775 e 1847) e João Sépe (lançado em 1942). Destaca como o livro “Regole musicali per i principianti di cembalo”, lançado por Fenaroli, testemunhou mudanças no pensamento musical ao longo do século XIX e possuía semelhanças com os exercícios de harmonia e contraponto, no “Tratado de Harmonia” de João Sépe, amplamente utilizado em escolas de música no Brasil. Para tanto, em um primeiro momento, comparamos o formato da escrita dos exercícios e discutimos o modelo de ensino por meio dos baixos instrucionais. Posteriormente, apresentamos um modelo comparativo dos quatro ensinamentos musicais fundamentais dos cadernos de partimento: Regra da Oitava, Cadências, Suspensões e Movimentos de Baixo. Ademais, apresentamos uma breve discussão sobre as formas de modulações que encontramos nos autores. Por fim, demonstramos como a realização harmônica, transmitida através dos baixos, ganha destaque, evidenciando a força do acorde como unidade harmônica em relação às passagens contrapontísticas.
Dalcroze sempre polifônico: seleção e tradução de três textos originais - (2024)

José Rafael Madureira

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Tradução de três textos originais de Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950), a saber: O espírito da educação musical (1930), Em resposta àqueles que confundem os exercícios públicos de ginástica rítmica de minhas alunas com exercícios de dança (1909) e Deveres e conhecimentos do professor de rítmica (1922). As temáticas abordadas nesses manuscritos, como se pode observar pelos títulos, são bastante variadas, revelando o caráter multifacetado do pensamento do autor, que transitou com audácia por diversos campos além da arte musical. Essas traduções são precedidas por uma apresentação, na qual o contexto histórico e biográfico do autor é discutido.
Ensinar música na educação básica: a compreensão da função da docência na perspectiva de um estagiário de um curso de licenciatura em música - (2024)

Danielle Chaves Joaquim, Luciana Del-Ben

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo tem como objetivo investigar como o estagiário do curso de licenciatura em música constrói compreensões sobre a função de ensinar música na educação básica. Fundamentando-se nos estudos de Maria do Céu Roldão sobre profissionalidade docente, foi desenvolvido por meio de análise documental, tendo como material empírico o portfólio de estágio de um licenciando em música, composto por oito relatórios. Os resultados indicam que a compreensão do estagiário se constrói ao longo do tempo, a partir de encontros no campo de estágio, com alunos, professoras e escola, do encontro consigo mesmo e dos encontros coletivos de orientação na universidade. Quanto mais encontros no campo de estágio, maior a possibilidade de construir entendimentos mais amplos, mas as transformações da compreensão do estagiário dependem da ampliação de saberes e do acionamento de geradores de especificidade do conhecimento docente, conduzidos pela orientação. É, portanto, a partir da interação entre o espaço de atuação profissional e a universidade que a função de ensinar música na educação básica vai sendo compreendida em sua complexidade.
Epistemologia da formação em música: reflexões para sua constituição - (2024)

Jéssica de Almeida, Ziliane Lima de Oliveira Teixeira

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. O artigo tem como objetivo refletir sobre uma teoria da formação docente em música, com base nos referenciais empregados em pesquisas dos campos da Música e Educação Musical sobre esta temática. Baseando-se em uma pesquisa interinstitucional que analisou 220 trabalhos acadêmicos publicados nos últimos 30 anos e adotando a bricolagem metodológica como procedimento, discutem-se perspectivas teóricas das pesquisas de Música e Educação Musical que tematizaram a formação docente, além de analisar os impactos para as suas diferentes concepções. Os resultados foram estudados a partir de quatro categorias, consideradas como dimensões, a fim de entender o progresso dos conceitos na área. Assim, identificou-se um conjunto de saberes, que têm sido discutidos e teorizados, contribuindo para a constituição de uma cultura docente na área da Música. Por outro lado, alerta-se para a necessidade de que outras possibilidades sejam exploradas, sobretudo, partindo-se de teorias nascidas da própria Música.
Expediente v.9 n.2 - (2024)

Guilherme Antonio Sauerbronn de Barros, Teresa Mateiro

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Expediente editorial do v.9 n.2 (2024).
Formação de Professores de Instrumento de Metal: uma experiência prática - (2024)

Michele Girardi

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Em busca de novas trajetórias formativas, esse trabalho relata sobre a proposta de uma experiência pedagógica realizada em 2018, com a oferta de um Curso de Extensão Universitária destinado à Formação de Professores de Instrumento de Metal. A proposta tinha como objetivo geral formar professores de instrumento de metal com foco na realidade. Sua elaboração foi norteada pelo desenho da pesquisa-ação, fundamentada nos princípios da Proposta Musicopedagógica Cante e Dance com a Gente, doravante PropMpCDG, e nas ideias e recursos didáticos de Arnold Jacobs (1915-1998), associados a conceitos próprios ao formato de Ensino Coletivo e à Teoria da Aprendizagem Situada, de Lave e Wenger (2006). A oferta, considerada pioneira e inovadora, se deu no formato presencial e a distância, tendo conseguido alcançar seus objetivos. O Curso foi concluído com uma apresentação pública original, qual seja, um Recital Musicopedagógico CDG.
Panorama da produção da área Artes/música apresentada em artigos publicados em periódicos brasileiros listados no Qualis CAPES (2017-2020) ao longo dos dez anos compreendidos entre 2013-2022 - (2024)

José Antônio Baêta Zille

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo busca delinear o perfil da pesquisa em Música no Brasil, explicitada na publicação de artigos, ressaltando áreas e subáreas temáticas, bem como listar as instituições responsáveis pela difusão dos mesmos. Em se tratando de ciência, a comunicação escrita ainda consiste no principal veículo de divulgação de novos conhecimentos, oriundos das pesquisas. Esta forma tradicional de divulgação é feita, basicamente, por meio de documentos convencionais, como artigos de revistas. Este é o ponto que permitiu uma primeira indagação sobre o lugar e o alcance das práticas de pesquisa relacionadas à música. Para dar cabo a este estudo, utilizou-se de dados levantados junto aos periódicos listados na avaliação do quadriênio 2017-2020, do Qualis Capes, disponível na Plataforma Sucupira, tendo como período de análise os dez anos compreendidos entre 2013 e 2022. Deste contexto listaram-se e quantificaram-se todos os periódicos da área Artes/Música com acesso eletrônico, classificados e quantificados quanto a área e a subárea temática. Acredita-se que, com isso, se está contribuindo para a organização dos saberes, colaborando para com a percepção do universo da pesquisa em música e as leituras daqueles ligados a distintas áreas do conhecimento que se dedicam ao estudo da música, nas suas mais diversas nuances.
Quantificação do grau de dissonância cromático como ferramenta de planejamento composicional: uma proposta pedagógica - (2024)

Liduino José Pitombeira de Oliveira

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. O estudo da dimensão vertical ou harmônica da música envolve duas perspectivas fundamentais: a léxica e a sintática. No contexto léxico, lidamos com acordes, enquanto na perspectiva sintática, focamos nas relações entre esses acordes. Quando abordamos o léxico harmônico, encontramos duas dimensões fundamentais, uma de natureza quantitativa e outra qualitativa. A dimensão quantitativa diz respeito à contagem das notas que compõem os acordes, ou seja, sua cardinalidade. Enquanto isso, no âmbito qualitativo, adotamos a expressão “grau de dissonância” para descrever essa característica. Na primeira parte deste estudo, vamos explorar a construção de um léxico harmônico com acordes contendo três notas, usando combinações dos intervalos entre as diferentes notas da escala cromática. Na segunda parte, iremos analisar diversos fatores de natureza sintática, incluindo a tonalidade, a parcimônia, o grau de dissonância, aspectos estocásticos e o conceito de intertextualidade na música.
Transversalidades entre a composicionalidade e a comprovisação a partir da criação musical do ciclo de peças afrossurrealistas Abaeté - (2024)

George Cristian Vilela Pereira

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. O presente artigo tenciona mostrar uma investigação (de um projeto de pesquisa de Mestrado em andamento) sobre o quanto a composicionalidade (a partir de Paulo Costa Lima) poder-se-ia conectar com a comprovisação, a partir da experiência de criação musical para o ciclo de peças Abaeté, que é um projeto que intenta explorar musicalmente o quanto a região mencionada pelo título deste trabalho conceitual transformou-se em sua ecologia, passando por uma violência em seu crescimento urbano. O grupo Afluentes Ensemble foi montado no intuito de trazer uma concepção artística de invenção de mundo que é reflexo das temáticas do ciclo de peças e de sua “comprovisação afrossurrealista” em sua proposta estética. As teorias da comprovisação escolhidas, especialmente, em sua descrição abrangente de práticas musicais abertas (conforme identificado por Arthur Faraco) foram as de Bhagwati e Fujak para um diálogo de ideias e uma convergência transversal com a composicionalidade de Lima em cada um de seus vetores para uma síntese de como se realizaria a percepção de uma comprovisacionalidade (comprovisação e composicionalidade). A partir de trechos selecionados das peças já compostas para o ciclo Abaeté, trazendo o afrossurrealismo como um objetivo estético a ser alcançado com o resultado das comprovisações, assim como também a plena definição da comprovisacionalidade a partir do estudo sobre o ciclo de peças Abaeté seguirá sendo investigada.
Uma Bateria de Bolso: o groove na perspectiva do Pandeiro Grave - (2024)

Ricardo Augusto de Lima Brandão, Leandro Barsalini

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este artigo busca investigar algumas das transformações na linguagem do pandeiro brasileiro que ocorreram a partir dos anos 90, em especial através do trabalho do percussionista Marcos Suzano e da geração de pandeiristas que seguiram seu legado, referida neste trabalho como Pandeiro Grave. Esta nova escola pandeirística tem como uma de suas características a ampliação do repertório do pandeiro para além dos estilos tradicionais em que este instrumento está inserido, aproximando o pandeiro de gêneros da música pop estadunidense como o funk e o rock. Esta abertura do pandeiro para novos estilos, exóticos a música brasileira e que tem na ideia de groove uma pedra fundamental, fez com que ele absorvesse muito da linguagem da bateria, instrumento hegemônico nestes gêneros. Isto possibilitou a criação de novos horizontes técnicos, estéticos e tecnológicos para o pandeiro brasileiro.
Uma investigação acerca da viola caiçara em Itapoá, Santa Catarina - (2024)

Jose Augusto Pereira Navarro Lins, Frederico Gonçalves Pedrosa

Volume: 9 - Issue: 2

Resumo. Este estudo etnomusicológico investiga a prática do Fandango Caiçara em Itapoá-SC, destacando a substituição da viola caiçara pelo violão na região. Metodologicamente a pesquisa envolveu análises musicais por meio de registros fonográficos e duas viagens a campo, revelando semelhanças nos rasqueados, tamanqueados, poesia e "repente" com outras localidades onde o Fandango Caiçara é praticado. Um aspecto relevante desta pesquisa é o levantamento de novas evidências para a afinação da viola em Pelas Três na tonalidade de lá maior. O estudo destaca a importância de incluir o litoral norte catarinense no território do Fandango Caiçara, reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil. Além disso, aponta para demandas de pesquisa futura, como a afinação da viola na Folia do Divino Espírito Santo em Guaratuba/PR e a exploração da cultura caiçara em outros municípios da Baía da Babitonga, Santa Catarina.