Revista Digital do Laboratório de Artes Visuais

(302 Artigos indexados)

Artistas aliados(as) para a docência em dança: a experiência do Danse à l'École na França - (2024)

Silvia Camara Soter da Silveira, Marcia Strazzacappa

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa de pós-doutorado cujo objetivo era estudar o modelo francês de ensino de dança nas escolas e investigar a relação entre saberes pedagógicos (TARDIF, 2012) e saberes da dança, naquele contexto, para se pensar outras possibilidades de docência em dança. O estudo concluiu que o ensino da dança nas escolas francesas ocorre pela ação de artistas da dança em parceria com professores(as) das escolas em projetos como o Dança na Escola (Danse à l`École), aqui detalhado, sustentados por políticas públicas de dois Ministérios (Cultura e Educação) há mais de cinco décadas.
Ateliê de mundos: políticas do tempo e sentidos da escola - (2024)

Priscilla Menezes de Faria, Amanda de Faria Sánchez

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Os gregos antigos entendiam escola como uma qualidade temporal: scholé é o tempo livre, não porconvite à inação, mas por abertura à indeterminação. No mundo Clássico, escola é o tempo-espaço não determinado pelo tempo da produtividade e, por isso mesmo, propício ao pensamento criador. Com a formação da modernidade, os tempos da produtividade e da aprendizagem foram se tornando cada vez mais indistintos, a ponto de coincidirem: a escola passa a ser, em grande medida, o espaço que prepara e antecipa o trabalho produtivo. No presente artigo, essa realidade é analisada, investigando-se a categoria tempo e suas implicações políticas, traçando conexões com os sentidos da escola. Sustenta-se a possibilidade de a escola recuperar sua afinidade com a indeterminação, recusando ser pautada pelo tempo da produção e afirmando sua conexão com o tempo da criação.  São abordados os conceitos de desencantamento e reencantamento do mundo, bem como com a pluralidade de conceitos de tempo próprios a distintas culturas, investigando a complexidade político-social desses fenômenos. Dialoga-se com o conceito de pensamento poético e evoca-se, por fim, uma educação com arte, compreendendo que,para além de uma fábrica de trabalhadores, há a urgência política de pensar a escola como um grande espaço de criação: um ininterrupto ateliê de mundos.
Branquitude na docência em arte: decolonialidade e antirracismo - (2024)

Lobna Essabaa, Luciana Gruppelli Loponte

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este artigo defende a necessidade da discussão sobre branquitude para a formação docente em Arte a partir de uma perspectiva decolonial, premissa que parte dos desdobramentos de uma investigação e de experiências com estudantes de estágio de Licenciatura em Artes Visuais. Para tal defesa, a branquitude é considerada de forma múltipla a partir de Cardoso (2010) e analisada enquanto obediência colonial na docência em Artes Visuais, a partir dos pactos narcísicos da branquitude (Bento, 2022) e do discurso essencialista de lugar de fala (Ribeiro, 2017), que, repetidas vezes, sustentam o silêncio branco de professores e professoras. Junto a discussões de Quijano (2005) e Walsh (2008; 2009), são estabelecidas relações entre docência e decolonialidade, a fim de construir-se um olhar que desconfia da pálida história das artes visuais no Brasil (Santos, 2019). Apresentam-se práticas docentes e artísticas que impulsionam o debate sobre letramento racial, autodeclaração étnico-racial e branquitude. Junto a bell hooks (2020; 2021), e deslocando-se a branquitude como dimensão de análise para a pesquisa em educação, traçam-se caminhos para encarar o conflito racial na docência em Artes Visuais. Na contramão das demandas que reforçam a ideia de superioridade racial, afirma-se que a formação docente inicial é um espaço para exercício da desobediência ao padrão de poder hegemônico e colonial, abrindo caminhos para, assim, nomear a branquitude na docência e inventarem-se modos outros de ser docente.
Experimentações de uma docência com arte nos Anos Iniciais da Educação Básica - (2024)

Emanuele Dias Lopes, Alberto D'Avila Coelho

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Neste artigo à docência envolvida com arte indaga acerca dos resultados que um currículo não prevê: quando estes podem ser responsáveis por uma educação que atenda questões para além da assimilação dos conteúdos programáticos? E: como a arte pode participar destes momentos? Questiona-se os modos de atuar com o currículo frente às infinitas possibilidades presentes nas forças criadoras da arte, que venham a ser traduzidas para a educação na sensibilidade de uma professora que inventa didáticas que excedem as linhas duras do currículo, com estudos fundamentados em Gilles Deleuze, Félix Guattari e Sandra Corazza. A escrita discorre sobre a elaboração e execução das OficinArtes, encontros com crianças do primeiro ano dos Anos Iniciais de uma escola da rede pública municipal. Seguimos algumas suspeitas quanto às garantias para que as crianças conquistem habilidades em sua aprendizagem. Nosso objetivo foi o de definir algumas linhas que convocam a arte como um conjunto de forças ativas. A pesquisa de doutorado, de onde se extrai este artigo, utilizou o método cartográfico que tem como característica o acompanhamento dos processos por um pesquisar atento às pistas que chegam. Problematizou-se o desdobrar de um currículo por didáticas mais potentes que capturem as crianças, é nesse aspecto que uma sala de aula pode ser uma usina de práticas responsáveis por atividades inventivas. As práticas escolares engessadas em modelos prontos exigem de uma professora que vá ao encontro de forças que alimentam uma necessidade criadora, com a arte ela poderá colocar o currículo, e tudo com o que está implicado, em movimento.
Imagens da arte e antirracismo na sala de aula - (2024)

Luísa Guazzelli Sirangelo, Karine Storck, Taís Ritter Dias

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este texto tem por objetivo refletir sobre as imagens da arte utilizadas em contexto escolar, especialmente nas aulas de Artes Visuais, e sobre seu papel na propagação do racismo ou, na contramão desse, em atuação na luta antirracista. Para tanto, inicia-se a reflexão a partir da obra "A Redenção de Cam" (1895), de Modesto Brocos y Gómez, pintura pertencente ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e símbolo da tese do branqueamento no Brasil. São referenciais para a problematização dessa imagem os estudos de Lotierzo (2013; 2017), acerca do racismo na pintura brasileira entre 1850-1940; a ideia de olhar opositor/oposicional, de bell hooks (2019); e o conceito de imagens de controle, de Patrícia Hill Collins (2019). Ao final, são apresentadas produções das artistas Aline Motta, Renata Sampaio e Renata Felinto dos Santos, como imagens que podem provocar modos de se compreenderem as relações raciais no Brasil e, talvez, contribuir para o exercício de uma docência mais reflexiva e comprometida com a luta antirracista no que se refere ao trabalho com imagens da arte na escola.
Lápis cor de pele: cor de pele de quem? Uma experiência com professoras e professores do ensino superior - (2024)

Marcelo Feldhaus

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este texto reverbera gestos de uma pesquisa mais ampla e inscreve-se nas problematizações sobre a docência universitária, educação antirracista e algumas produções de arte contemporânea para pensar em uma dimensão estética na docência no ensino superior. Estabelece diálogo com os estudos de Michel Foucault, Grada Kilomba, Nicolas Bourriaud, Luciana Gruppelli Loponte, Nadja Hermann, dentre outros. Nesse interim, propõe como objetivo problematizar uma experiência realizada com professoras e professores de uma universidade comunitária localizada no estado de Santa Catarina, Brasil, durante um encontro de formação permanente, envolvendo docentes de diferentes áreas do conhecimento. O método para a produção de dados está ligado às formas artísticas de investigação no intuito de auxiliarem a colocar em suspenso o que sabemos sobre a formação do/a profissional que atua no ensino superior, menos vinculada a prescrições, certezas e soluções. Os resultados apontam para outros modos de operar a docência ligados à abertura de práticas contaminadas pela experiência, constituindo, assim, uma dimensão estética para/na a formação, disparada por alguns artistas contemporâneos e suas produções, de modo a mobilizar o estranhamento e colocar em jogo o que acreditamos sobre a docência, a arte e a vida.
Memórias para uma educação digital sensível - (2024)

Inara Novaes Macedo, Rodrigo Hipólito, Fabiana Pedroni

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este artigo compara duas experiências educacionais separadas por quinze anos. Na primeira parte do texto, relata-se o desenvolvimento de uma oficina de artes digitais realizada no projeto Caminhando Juntos (CAJUN), no bairro Bela Vista, em Vitória, ES, entre 2008 e 2009. Essa oficina teve como um dos objetivos centrais o fortalecimento de vínculos socioafetivos de crianças e adolescentes, com vistas ao desenvolvimento da autoestima, da identidade e do senso de pertença. Na segunda parte, comentam-se as práticas de ateliê de fotografia para o curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Espírito Santo, no ano de 2023. Através desse processo de rememoração, do uso de conceitos operatórios desenvolvidos durante os processos de ensino-aprendizagem e do comparativo entre essas duas experiências, compreende-se a importância da memória educacional para a formulação de metodologias de trabalho eficientes e sensíveis.
Mundos diferentes: una propuesta de difusión de la cultura popular mexicana a través de talleres artísticos dirigidos a migrantes japoneses en México - (2024)

Valeria Estefania Meza Aguirre, Jaqueline Alexandra Miramontes López, Nicole Padilla Alfaro, Vanessa Freitag

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. La migración es un fenómeno social complejo que implica no solo el proceso de cambio de residencia y el traspaso de algún límite geográfico y administrativo debidamente definido, sino que acarrea cambios profundos en la vida sociocultural y emocional de quien migra. Este artículo es un recorte de un proyecto más amplio titulado “Descubriendo a México”, el cual, busca dar a conocer elementos de la cultura mexicana a sectores de distintas comunidades migrantes de otros países, en este caso, de Japón. Por medio de talleres artísticos y culturales impartidos a un pequeño grupo de migrantes japoneses residentes en la ciudad de Guanajuato/México, nuestro objetivo fue construir saberes, conocimientos y desmantelar posibles prejuicios sobre la cultura mexicana hacia esta comunidad. Generando así, un proceso de diálogo, integración y encuentro intercultural.
Olindas Inventadas: analisando um filme realizado por crianças - (2024)

Ana Julia Lacerda Meira Menezes, Patrícia Maria Uchôa Simões

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este artigo investiga a invenção de paisagens em Olinda por meio do filme "Praça do Terror", produzido por crianças de 8 anos em uma escola pública na periferia da cidade, as quais desenvolvem narrativas que exploram a cidade de Olinda sem recorrer a estereótipos. O filme aborda questões como restrições à mobilidade urbana e busca por autonomia. O referencial teórico adotado fundamenta-se na noção de devir-criança de Deleuze e Guattari, assim como nas contribuições de Walter Kohan. Explora-se também a perspectiva cinematográfica de Deleuze, juntamente com as contribuições de Migliorin e Pipano no campo do cinema-educação. A metodologia adotada foi nomeada experiência “cartográfica-artística-educativa". Ao final, sugere-se que Olinda, tradicionalmente conhecida em escala global pelo olhar do colonizador, emerge aqui como um território de invenção a partir das imagens, desdobrando-se em histórias de emancipação ancoradas nas experiências das crianças. Assim, a cidade é apresentada não apenas como um patrimônio histórico, mas como um espaço permeado por afetos diversos.
Por uma Educação Física antirracista: estratégias de ensino para o conteúdo de danças afro na formação docente - (2024)

Rodrigo Lemos Soares, Marta Íris Camargo Messias da Silveira, Paulo Roberto Cardoso da Silveira

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O texto que segue narra uma experiência na formação docente, a partir do componente curricular Introdução à Educação Física (IEF), no momento de ingresso dos discentes no curso em questão. O cenário dos acontecimentos foi definido por rodas de conversas orientadas pela Lei 10.639/03, a qual possibilita pensar uma formação antirracista e suas relações com os campos da Arte, destacam-se aqui: materiais imagéticos, sons, itãns (mitos e lendas) e as danças, propriamente ditas. O objetivo é o de narrar e refletir sobre uma experimentação em danças afro-brasileiras com discentes da turma de IEF, do primeiro semestre do Curso de Educação Física - Licenciatura, no que tange suas compreensões, aproximações e distanciamentos de saberes que envolvem o ensino de elementos das culturas africanas e afro diaspóricas. Esse foco está balizado pelos campos dos Estudos Culturais em Educação e Decolonialistas ancorados em múltiplas linguagens, na intenção de circundar o assunto danças afro e antirracismo por um viés formativo que agenciará modos de ensinar no curso da formação docente. Conclui-se que ao propor desvios do tradicional formato acadêmico de leitura textual (como fonte única ou centralizadora) para produzir estratégias de ensino, possibilita-se uma ampliação acerca de um fazer docente, pois ao propor esse desvio se conseguiu acessar outros campos sensíveis aos discentes em processo formativo, como por exemplo: acessar memórias, ancestralidades e afetividades de cunho familiar, potencializando as aprendizagens desses estudantes.
Vídeo Educativo como ferramenta acessível e inclusiva para auxiliar os professores na seleção de filmes nas escolas - (2024)

Augustho da Costa Soares, Cristiano Corrêa Ferreira

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O uso de recursos audiovisuais, para fins educativos, tem chamado a atenção de pesquisadores que buscam meios de manter o interesse dos alunos durante atividades pedagógicas. Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que investigou a avaliação de um grupo de pós-graduandos de um curso de mestrado em educação, por meio de um vídeo com recursos inclusivos e com ênfase nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). O vídeo em questão foi desenvolvido com a intenção de auxiliar professores no processo de seleção de filmes a serem utilizados como recurso pedagógico em sala de aula. Para isso, foi realizada uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, no período de setembro de 2022 a fevereiro de 2023. Para a produção do conteúdo do vídeo, também foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os passos para a seleção de filmes. O recurso inclusivo foi avaliado por meio de um questionário online com auxílio da ferramenta Google Forms. Participaram nove pós-graduandos que foram os sujeitos de pesquisa. Ao final, detectou-se que o recurso (vídeo educativo) conseguiu atender aos seus propósitos, apresentando e disseminando informações e os conceitos de uma forma didática, inclusiva e objetiva.
“Pra quê fazer teatro na escola?”: perspectivas do ensino de teatro na educação formal - (2024)

Jailton Ferreira de Oliveira Júnior, Mauricio Antunes Tavares

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo busca compreender o desenvolvimento das práticas teatrais nas escolas de ensino básico regular, por meio de um levantamento das principais produções acadêmicas brasileiras em nível de mestrado e doutorado. Utilizando a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) como principal fonte de dados, a pesquisa abrangeu produções de 2018 a 2023, utilizando o descritor "Ensino de Teatro para Adolescentes". Foram encontrados 63 trabalhos, dos quais 33 atenderam ao critério de incluir o teatro como processo de desenvolvimento artístico e pedagógico com adolescentes. Focando na prática artístico-pedagógica do teatro no ambiente escolar, a análise delimitou-se aos trabalhos desenvolvidos no contexto da educação formal, resultando em 13 produções relevantes. Este levantamento oferece uma visão abrangente das abordagens e práticas teatrais nas escolas, destacando seu potencial estético e pedagógico no desenvolvimento de adolescentes.
A experiência de cegueira induzida e a percepção espacial-temporal no desenho cego - (2023)

Bethielle Amaral Kupstaitis

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. A partir da experiência de criação de desenhos cegos nasce este estudo baseado em reflexões acerca da prática artística. Na experiência de cegueira induzida, debruça-se sobre a percepção espacial e temporal compreendida no fazer. A predominância da percepção temporal frente à desorientação da percepção espacial conduziu à busca de relatos do neurologista Oliver Sacks quanto à formação da percepção de pessoas cegas que retomam ou não a visão. Estabelece-se então um paralelo sobre a percepção da cegueira induzida e o modo como a realização da série de desenhos cegos é conduzida. O conceito de “contemporâneo” de Giorgio Agamben auxilia a pensar na escuridão dos olhos vendados como uma forma de ser plenamente ativo. Reconhece-se neste não-ver a capacidade de tornar desperto e ativar a atenção para o momento presente, ao oferecer a possibilidade de perceber o tempo e o espaço de forma alargada e intensa.
A formação nos doutoramentos em artes na região norte do Brasil: panorama e desafios na/da Amazônia - (2023)

Leila Adriana Baptaglin, Floralice Barreto Oliveira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Esta investigação buscou compreender os desafios e abordagens do/no contexto do doutoramento em Artes na região norte do Brasil. Para isso foi realizada uma investigação de abordagem qualitativa – a partir de um estudo documental no Portal da CAPES-Sucupira; no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES; e, nos portais dos Programas strictu sensu das Instituições de Ensino Superior Públicas Federais (IESPF) da Região Norte com programas na área de Artes. A partir disso foram analisadas 15 teses defendidas entre 2019-2021 no Programa de Pós-Graduação em Artes – UFPA. Para a análise elaboramos 3 categorias: 1-Sujeito/Objeto de investigação; 2 - Metodologia; 3 - Conceitos/Autores. Como consideração, evidenciamos que na região Norte há poucos Programas resultando em parcos recursos humanos formados e inúmeras formas de acessar o conhecimento, invisibilizados. No entanto, as discussões que estão sendo acionadas no doutoramento em Artes é bastante ampla e tem abordado as quatro linguagens do campo das Artes.
Algumas banalidades pedestres: a figura do flâneur e a contemporaneidade - (2023)

João Guilherme Sorpreso Barbieri, Carla Juliana Galvão Alves

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo trata sobre uma forma de vista a respeito do espaço urbano, além das maneiras de ocupar a cidade e se relacionar com o tempo na contemporaneidade e parte do período entendido como moderno da história da arte. Nele ainda é apresentada uma pequena revisão histórica a respeito do flâneur, assim como também estabelece reflexões sobre a experiência e o cotidiano. Por fim, se analisa e relaciona os conceitos apresentados com duas produções cinematográficas brasileiras: Décimo Segundo Andar, 2016 e Viajo porque preciso, volto porque te amo, 2009. Como referencial teórico para a fundamentação do artigo, encontram-se os teóricos: Baudelaire (1988), Certeau (2012), Featherstone (2000) e Larrosa Bondía (2002).
Andanças: caminhos trilhados na formação em psicologia - (2023)

Eliane Regina Pereira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este ensaio nasceu da experiência docente na disciplina Arte e Formação de Psicólogos. Nele são apresentadas cenas das andanças pela cidade e por espaços específicos, num processo de ensinar-e-aprender que visa provocar rupturas nos aprendizes, nos seus corpos, nos seus pensamentos, nos seus afetos e na sua escuta, produzindo um tipo diferente de aprendizagem. Um aprender que se faz experiência, que exige um corpo em movimento, um corpo atento, que reconhece seus limites, suas potencialidades, sua força, seus medos, sua coragem e se ativa no encontro com o outro.
Arte e literatura em deslocamento: espaços de diálogo e aprendizagens - (2023)

Letícia Lazzari, Izandra Alves, Viviane Diehl

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo traz experiências educativas que deslocam a arte e a literatura para além dos muros da escola. Vivemos momentos em que estamos sobrecarregados pela falta de tempo e pelo excesso de informações. Nesse sentido, faz-se necessário ocupar os espaços urbanos com atividades que proporcionem pausas no cotidiano agitado, a fim de que se possa apreciar, desfrutar, sentir e refletir acerca do que nos circunda e de como as constantes modificações da paisagem interferem na vida de cada ser. Assim, ao percorrer ruas, praças, cafeterias e supermercado, proporcionamos aos transeuntes o encontro com poesias em árvores, livros entre frutas e legumes e outras manifestações artísticas que se abriram como possibilidades de transformar as paisagens, por vezes, monótonas, em espaços de aprendizagem, a partir do olhar atento de cada um. A teoria do espaço e da paisagem de Milton Santos em diálogo com os estudos acerca da experiência traça, então, o percurso textual e os resultados positivos de engajamento social que aqui apresentamos.
Caminhar com as cidades: estranhar, conversar e conviver - (2023)

Deisimer Gorczevski, Laryce Rhachel Martins Santos, Aline Mourão de Albuquerque, Francisco Feitosa Moura Filho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo traz inquietações que emergiram, inicialmente, a partir da proposição do caminhar como possibilidade de aprender a conversar e conviver com estranhos. Com a intensificação das deambulações, outras questões com a tríade estranhar, conversar e conviver ́ foram suscitadas como modos de pesquisar e intervir, considerando o caminhar como prática estética e produção de espaços (Careri, 2013, 2017), incendiador de caminhos (Couto, 2009) e dispositivo de processos (trans)formativos, operados com artistas, pesquisadores e educadores do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR|CNPq, 2013 - 2023). Pensar nesses processos, que acontecem na convivência, é também questionar: o que se inventa ao caminhar com ruas, praças, praias, estações do metrô, campi da universidade? Em andanças foram encontradas algumas pistas afirmando a indissociabilidade entre arte e convívio, a partir de afecções e processos de singularização que resultaram das experimentações Bó Caminhar, Caminhar com Vazios Urbanos, Caminhar e Escutar e Ateliê de Criação: percursos com as Univer|Cidades. Dessa forma, os processos (trans)formativos explicitados nesta escritura, embora singulares, convergem para a criação de redes de convívio e conversações, a partir de convites para a realização de caminhadas coletivas com a universidade, a cidade e seus vazios. Entre as proposições com as deambulações o desejo de inventar descaminhos, suspeitar do que vemos e ouvimos. Foram criados mapas sensíveis e fugazes com intensidades partilhadas e desenhadas por cartografias múltiplas, permeáveis e inacabadas. Nas errâncias, portanto, foi possível se tornar vulnerável às interferências do espaço; a partir da caminhada com ele, sujeito e agenciador de afetos e micropolíticas.
Cartografia dos Cortejos: caminhadas, crianças e cidade pelo olhar de educadoras das infâncias - (2023)

Dilma Angela da Silva, Mirian Celeste Ferreira Dias Martins

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Considerando as práticas de caminhadas-cortejos como possibilitadoras de experiências estéticas, performáticas, educativas, coletivas mediadas pela escola, entre as crianças e a cidade e que transbordam para além de seus muros, este artigo focaliza como as professoras reelaboraram seus olhares sobre a cidade e a cultura. Seguindo a pista da entrevista cartográfica apontadas por Tedesco et al. (2016) foram abordados dois planos: 1. a experiência de vida ou vivida e 2. a experiência pré-reflexiva ou ontológica como indissociáveis. Das cartografias realizadas durante as entrevistas com três professoras depreendemos as suas concepções a respeito dos cortejos, a relação com a comunidade, com as linguagens e o lúdico. No processo da investigação constatamos que os cortejos são definidos nas narrativas das educadoras como uma prática caminhante pela cidade e de mediação cultural entre a escola, a experiência lúdica e a corporalidade da criança na cidade. Como práticas artísticas e culturais, abre um caminho plausível que muito podem contar sobre a cidade gerando afetividade, pertencimento, celebração, encontro; acabam por se constituírem como modos de provocar uma experiência estética desenvolvendo assim o olhar, a atenção e a sensibilidade das crianças, da comunidade e de toda a escola.
Corpo presente: o desenvolvimento do sensível a partir de ações poéticas e educacionais - (2023)

Nathalia Fonte, Juliano Reis Siqueira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este trabalho apresenta algumas ações poéticas e educacionais realizadas entre 2020 e 2022 no projeto de pesquisa ‘Peciar e a Formação do Artista’, na Universidade Estadual de Londrina. A partir da pesquisa de Iniciação Científica Presençausência: a arte e os desafios perceptivos na era digital, relacionamos os impactos negativos das tecnologias digitais na vida humana e o papel da arte em recuperar a dimensão corpórea e sensível na sociedade.  As ações apresentadas do projeto tiveram como referência o trabalho de Joseph Beuys e seu conceito de escultura social (BORER, 2001). Partimos de investigações tridimensionais no sentido de expandir as pesquisas individuais em ações coletivas; com o intuito de uma reconexão com o espaço tátil e com a busca de uma sintonia com a constelação de forças que a escultura coloca em jogo.
Corpo, cidade e imagem: pensando práticas educativas no campo das artes - (2023)

Pedro Simon Gonçalves Araújo

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo apresenta reflexões de uma experiência pedagógico-afetiva realizada durante minha pesquisa de doutorado, realizada entre os anos de 2018 e 2022. A partir da articulação entre os conceitos de memória, imagem, corpo e cidade realizo com alunos do curso de licenciatura em dança do Instituto Federal de Goiás uma investigação de cunho qualitativo, que encontra na abordagem narrativa (auto)biográfica bases para o seu desenvolvimento. Ancorado nos princípios da educação da cultura visual, teço uma escrita que estabelece relações dialógicas com imagens e saberes estético-afetivos vinculados à dança, colocando em perspectiva subjetividades e potências do corpo em espaços de ensino. Discuto modos como o corpo pode ser afetado por imagens da cidade, buscando compreender de que maneira esses atravessamentos impactam a formação de indivíduos e geram aprendizados por meio do movimento e da performance, intensificando as percepções de si e apropriações pedagógicas de espaços dentro e fora das escolas. Os resultados do estudo revelam uma composição de saberes sensíveis dos indivíduos sobre si mesmos a partir do corpo em movimento e de conexões com memórias e episódios de suas histórias de vida. Demonstram, ainda, a possibilidade do uso de imagens na relação entre corpos e cidades através da performance/dança, projetando potencialidades de apropriação e uso do espaço público.
Deficiência Visual, Arte e Inclusão: reflexões sobre a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (2022) - (2023)

Caue de Camargo dos Santos, Luiz Paulo da Silva Braga

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo examinou a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (I CONIN-IBC), realizado em novembro de 2022, cuja temática foi a deficiência visual. O objetivo foi caracterizar a referida programação, por meio de uma abordagem qualitativa, considerando suas especificidades estéticas e inclusivas, a partir de um diálogo teórico entre os Estudos Culturais e as filosofias da diferença. As divergências e aproximações entre as duas perspectivas possibilitaram uma compreensão mais abrangente das práticas envolvendo arte e inclusão, um fenômeno emergente e complexo. Do ponto de vista teórico-metodológico, também foi considerado o significado simbólico das atividades realizadas em um espaço reconhecido como lócus de produção científica sobre a temática. Os resultados mostraram que a programação artístico-cultural do evento foi inclusiva e multissensorial, configurando-se como uma experimentação deleuziana de arte menor e inclusão menor, que estimulou a produção de novos significados. As atividades propostas também questionaram a supremacia visual, convidando os participantes do congresso a desestabilizarem a hegemonia sensorial dela. Concluiu-se que a inclusão de pessoas cegas e com baixa visão nos processos de criação e fruição artístico-cultural, embora desafiadora, dispara o surgimento de outras possibilidades de arte e sociabilidade.
Denúncia da Encruzilhada: a moral como droga do nosso tempo - (2023)

Robert Santos do Carmo, Michele de Freitas Faria de Vasconcelos, Simone Mainieri Paulon

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O que se lê são narrativas de um processo formativo na encruzilhada produzida pelo encontro entre psicologia e redução de danos; entre uma formação escolarizada (prima-irmã da ciência ‘laboratorizada’) e uma estratégia de cuidado territorial junto a pessoas em situação de rua, que fazem uso de drogas; entre um corpo e a moralidade que lhe constitui. A literatura infanto-juvenil é utilizada como intercessor justo por fabular com palavras, por desdizê-las, por transgredir sua sina desenvolvimentista e moral. Cansado/as de tragar gozando por padecer, tragamos gozando e padecendo. Assim, saberemos, ao final desse ensaio, que se a ver com a droga da moral custa uma vida para criar outra – inumana.
Derivas entre a ciência, a vida e a educação: modos de aprender em movimento - (2023)

Tiago Amaral Sales, Fernanda Monteiro Rigue

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente ensaio visa evidenciar como a educação pode acontecer entre as ciências e a vida, em movimentos do corpo e do pensamento. Para tanto, por meio de tómo-vacúolos, emergem escritas fabulativas que se enredam entre as ciências da natureza, a vida e a educação. São tangenciadas sete escritas que se fizeram a partir de experiências ficcionadas, as quais maquinam o individual e o coletivo, o singular e o múltiplo. Emerge desse movimento a potência do exercício da escrita fabulativa na docência em ciências da natureza, assim como a urgência de inaugurarmos espaços de vida nas práticas formativas em educação em ciências da natureza.
Educação da sensibilidade, dez limões e um balde na mão - (2023)

Luciana Mourão Arslan

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo apresenta questões relacionadas à corporeidade no ensino-aprendizagem. O foco em práticas de atenção e no trabalho sensorial é revelado a partir de um relato de uma aula, na qual alunos foram convidados a limpar os espaços do edifício no qual estudavam. O relato é o fio condutor de discussões acerca de como a corporeidade se conecta com as ações de aprender-pensar-ensinar-mover.  Esta proposta refere-se também ao campo de discussões da somaestética e de estudos da cognição que consideram o soma-corpo de forma integral.