Revista Digital do Laboratório de Artes Visuais

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Mundos diferentes: una propuesta de difusión de la cultura popular mexicana a través de talleres artísticos dirigidos a migrantes japoneses en México - (2024)

Valeria Estefania Meza Aguirre, Jaqueline Alexandra Miramontes López, Nicole Padilla Alfaro, Vanessa Freitag

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. La migración es un fenómeno social complejo que implica no solo el proceso de cambio de residencia y el traspaso de algún límite geográfico y administrativo debidamente definido, sino que acarrea cambios profundos en la vida sociocultural y emocional de quien migra. Este artículo es un recorte de un proyecto más amplio titulado “Descubriendo a México”, el cual, busca dar a conocer elementos de la cultura mexicana a sectores de distintas comunidades migrantes de otros países, en este caso, de Japón. Por medio de talleres artísticos y culturales impartidos a un pequeño grupo de migrantes japoneses residentes en la ciudad de Guanajuato/México, nuestro objetivo fue construir saberes, conocimientos y desmantelar posibles prejuicios sobre la cultura mexicana hacia esta comunidad. Generando así, un proceso de diálogo, integración y encuentro intercultural.
Olindas Inventadas: analisando um filme realizado por crianças - (2024)

Ana Julia Lacerda Meira Menezes, Patrícia Maria Uchôa Simões

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. Este artigo investiga a invenção de paisagens em Olinda por meio do filme "Praça do Terror", produzido por crianças de 8 anos em uma escola pública na periferia da cidade, as quais desenvolvem narrativas que exploram a cidade de Olinda sem recorrer a estereótipos. O filme aborda questões como restrições à mobilidade urbana e busca por autonomia. O referencial teórico adotado fundamenta-se na noção de devir-criança de Deleuze e Guattari, assim como nas contribuições de Walter Kohan. Explora-se também a perspectiva cinematográfica de Deleuze, juntamente com as contribuições de Migliorin e Pipano no campo do cinema-educação. A metodologia adotada foi nomeada experiência “cartográfica-artística-educativa". Ao final, sugere-se que Olinda, tradicionalmente conhecida em escala global pelo olhar do colonizador, emerge aqui como um território de invenção a partir das imagens, desdobrando-se em histórias de emancipação ancoradas nas experiências das crianças. Assim, a cidade é apresentada não apenas como um patrimônio histórico, mas como um espaço permeado por afetos diversos.
Por uma Educação Física antirracista: estratégias de ensino para o conteúdo de danças afro na formação docente - (2024)

Rodrigo Lemos Soares, Marta Íris Camargo Messias da Silveira, Paulo Roberto Cardoso da Silveira

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O texto que segue narra uma experiência na formação docente, a partir do componente curricular Introdução à Educação Física (IEF), no momento de ingresso dos discentes no curso em questão. O cenário dos acontecimentos foi definido por rodas de conversas orientadas pela Lei 10.639/03, a qual possibilita pensar uma formação antirracista e suas relações com os campos da Arte, destacam-se aqui: materiais imagéticos, sons, itãns (mitos e lendas) e as danças, propriamente ditas. O objetivo é o de narrar e refletir sobre uma experimentação em danças afro-brasileiras com discentes da turma de IEF, do primeiro semestre do Curso de Educação Física - Licenciatura, no que tange suas compreensões, aproximações e distanciamentos de saberes que envolvem o ensino de elementos das culturas africanas e afro diaspóricas. Esse foco está balizado pelos campos dos Estudos Culturais em Educação e Decolonialistas ancorados em múltiplas linguagens, na intenção de circundar o assunto danças afro e antirracismo por um viés formativo que agenciará modos de ensinar no curso da formação docente. Conclui-se que ao propor desvios do tradicional formato acadêmico de leitura textual (como fonte única ou centralizadora) para produzir estratégias de ensino, possibilita-se uma ampliação acerca de um fazer docente, pois ao propor esse desvio se conseguiu acessar outros campos sensíveis aos discentes em processo formativo, como por exemplo: acessar memórias, ancestralidades e afetividades de cunho familiar, potencializando as aprendizagens desses estudantes.
Vídeo Educativo como ferramenta acessível e inclusiva para auxiliar os professores na seleção de filmes nas escolas - (2024)

Augustho da Costa Soares, Cristiano Corrêa Ferreira

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O uso de recursos audiovisuais, para fins educativos, tem chamado a atenção de pesquisadores que buscam meios de manter o interesse dos alunos durante atividades pedagógicas. Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que investigou a avaliação de um grupo de pós-graduandos de um curso de mestrado em educação, por meio de um vídeo com recursos inclusivos e com ênfase nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). O vídeo em questão foi desenvolvido com a intenção de auxiliar professores no processo de seleção de filmes a serem utilizados como recurso pedagógico em sala de aula. Para isso, foi realizada uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, no período de setembro de 2022 a fevereiro de 2023. Para a produção do conteúdo do vídeo, também foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os passos para a seleção de filmes. O recurso inclusivo foi avaliado por meio de um questionário online com auxílio da ferramenta Google Forms. Participaram nove pós-graduandos que foram os sujeitos de pesquisa. Ao final, detectou-se que o recurso (vídeo educativo) conseguiu atender aos seus propósitos, apresentando e disseminando informações e os conceitos de uma forma didática, inclusiva e objetiva.
“Pra quê fazer teatro na escola?”: perspectivas do ensino de teatro na educação formal - (2024)

Jailton Ferreira de Oliveira Júnior, Mauricio Antunes Tavares

Volume: 17 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo busca compreender o desenvolvimento das práticas teatrais nas escolas de ensino básico regular, por meio de um levantamento das principais produções acadêmicas brasileiras em nível de mestrado e doutorado. Utilizando a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) como principal fonte de dados, a pesquisa abrangeu produções de 2018 a 2023, utilizando o descritor "Ensino de Teatro para Adolescentes". Foram encontrados 63 trabalhos, dos quais 33 atenderam ao critério de incluir o teatro como processo de desenvolvimento artístico e pedagógico com adolescentes. Focando na prática artístico-pedagógica do teatro no ambiente escolar, a análise delimitou-se aos trabalhos desenvolvidos no contexto da educação formal, resultando em 13 produções relevantes. Este levantamento oferece uma visão abrangente das abordagens e práticas teatrais nas escolas, destacando seu potencial estético e pedagógico no desenvolvimento de adolescentes.
A experiência de cegueira induzida e a percepção espacial-temporal no desenho cego - (2023)

Bethielle Amaral Kupstaitis

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. A partir da experiência de criação de desenhos cegos nasce este estudo baseado em reflexões acerca da prática artística. Na experiência de cegueira induzida, debruça-se sobre a percepção espacial e temporal compreendida no fazer. A predominância da percepção temporal frente à desorientação da percepção espacial conduziu à busca de relatos do neurologista Oliver Sacks quanto à formação da percepção de pessoas cegas que retomam ou não a visão. Estabelece-se então um paralelo sobre a percepção da cegueira induzida e o modo como a realização da série de desenhos cegos é conduzida. O conceito de “contemporâneo” de Giorgio Agamben auxilia a pensar na escuridão dos olhos vendados como uma forma de ser plenamente ativo. Reconhece-se neste não-ver a capacidade de tornar desperto e ativar a atenção para o momento presente, ao oferecer a possibilidade de perceber o tempo e o espaço de forma alargada e intensa.
A formação nos doutoramentos em artes na região norte do Brasil: panorama e desafios na/da Amazônia - (2023)

Leila Adriana Baptaglin, Floralice Barreto Oliveira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Esta investigação buscou compreender os desafios e abordagens do/no contexto do doutoramento em Artes na região norte do Brasil. Para isso foi realizada uma investigação de abordagem qualitativa – a partir de um estudo documental no Portal da CAPES-Sucupira; no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES; e, nos portais dos Programas strictu sensu das Instituições de Ensino Superior Públicas Federais (IESPF) da Região Norte com programas na área de Artes. A partir disso foram analisadas 15 teses defendidas entre 2019-2021 no Programa de Pós-Graduação em Artes – UFPA. Para a análise elaboramos 3 categorias: 1-Sujeito/Objeto de investigação; 2 - Metodologia; 3 - Conceitos/Autores. Como consideração, evidenciamos que na região Norte há poucos Programas resultando em parcos recursos humanos formados e inúmeras formas de acessar o conhecimento, invisibilizados. No entanto, as discussões que estão sendo acionadas no doutoramento em Artes é bastante ampla e tem abordado as quatro linguagens do campo das Artes.
Algumas banalidades pedestres: a figura do flâneur e a contemporaneidade - (2023)

João Guilherme Sorpreso Barbieri, Carla Juliana Galvão Alves

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo trata sobre uma forma de vista a respeito do espaço urbano, além das maneiras de ocupar a cidade e se relacionar com o tempo na contemporaneidade e parte do período entendido como moderno da história da arte. Nele ainda é apresentada uma pequena revisão histórica a respeito do flâneur, assim como também estabelece reflexões sobre a experiência e o cotidiano. Por fim, se analisa e relaciona os conceitos apresentados com duas produções cinematográficas brasileiras: Décimo Segundo Andar, 2016 e Viajo porque preciso, volto porque te amo, 2009. Como referencial teórico para a fundamentação do artigo, encontram-se os teóricos: Baudelaire (1988), Certeau (2012), Featherstone (2000) e Larrosa Bondía (2002).
Andanças: caminhos trilhados na formação em psicologia - (2023)

Eliane Regina Pereira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este ensaio nasceu da experiência docente na disciplina Arte e Formação de Psicólogos. Nele são apresentadas cenas das andanças pela cidade e por espaços específicos, num processo de ensinar-e-aprender que visa provocar rupturas nos aprendizes, nos seus corpos, nos seus pensamentos, nos seus afetos e na sua escuta, produzindo um tipo diferente de aprendizagem. Um aprender que se faz experiência, que exige um corpo em movimento, um corpo atento, que reconhece seus limites, suas potencialidades, sua força, seus medos, sua coragem e se ativa no encontro com o outro.
Arte e literatura em deslocamento: espaços de diálogo e aprendizagens - (2023)

Letícia Lazzari, Izandra Alves, Viviane Diehl

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo traz experiências educativas que deslocam a arte e a literatura para além dos muros da escola. Vivemos momentos em que estamos sobrecarregados pela falta de tempo e pelo excesso de informações. Nesse sentido, faz-se necessário ocupar os espaços urbanos com atividades que proporcionem pausas no cotidiano agitado, a fim de que se possa apreciar, desfrutar, sentir e refletir acerca do que nos circunda e de como as constantes modificações da paisagem interferem na vida de cada ser. Assim, ao percorrer ruas, praças, cafeterias e supermercado, proporcionamos aos transeuntes o encontro com poesias em árvores, livros entre frutas e legumes e outras manifestações artísticas que se abriram como possibilidades de transformar as paisagens, por vezes, monótonas, em espaços de aprendizagem, a partir do olhar atento de cada um. A teoria do espaço e da paisagem de Milton Santos em diálogo com os estudos acerca da experiência traça, então, o percurso textual e os resultados positivos de engajamento social que aqui apresentamos.
Caminhar com as cidades: estranhar, conversar e conviver - (2023)

Deisimer Gorczevski, Laryce Rhachel Martins Santos, Aline Mourão de Albuquerque, Francisco Feitosa Moura Filho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo traz inquietações que emergiram, inicialmente, a partir da proposição do caminhar como possibilidade de aprender a conversar e conviver com estranhos. Com a intensificação das deambulações, outras questões com a tríade estranhar, conversar e conviver ́ foram suscitadas como modos de pesquisar e intervir, considerando o caminhar como prática estética e produção de espaços (Careri, 2013, 2017), incendiador de caminhos (Couto, 2009) e dispositivo de processos (trans)formativos, operados com artistas, pesquisadores e educadores do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR|CNPq, 2013 - 2023). Pensar nesses processos, que acontecem na convivência, é também questionar: o que se inventa ao caminhar com ruas, praças, praias, estações do metrô, campi da universidade? Em andanças foram encontradas algumas pistas afirmando a indissociabilidade entre arte e convívio, a partir de afecções e processos de singularização que resultaram das experimentações Bó Caminhar, Caminhar com Vazios Urbanos, Caminhar e Escutar e Ateliê de Criação: percursos com as Univer|Cidades. Dessa forma, os processos (trans)formativos explicitados nesta escritura, embora singulares, convergem para a criação de redes de convívio e conversações, a partir de convites para a realização de caminhadas coletivas com a universidade, a cidade e seus vazios. Entre as proposições com as deambulações o desejo de inventar descaminhos, suspeitar do que vemos e ouvimos. Foram criados mapas sensíveis e fugazes com intensidades partilhadas e desenhadas por cartografias múltiplas, permeáveis e inacabadas. Nas errâncias, portanto, foi possível se tornar vulnerável às interferências do espaço; a partir da caminhada com ele, sujeito e agenciador de afetos e micropolíticas.
Cartografia dos Cortejos: caminhadas, crianças e cidade pelo olhar de educadoras das infâncias - (2023)

Dilma Angela da Silva, Mirian Celeste Ferreira Dias Martins

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Considerando as práticas de caminhadas-cortejos como possibilitadoras de experiências estéticas, performáticas, educativas, coletivas mediadas pela escola, entre as crianças e a cidade e que transbordam para além de seus muros, este artigo focaliza como as professoras reelaboraram seus olhares sobre a cidade e a cultura. Seguindo a pista da entrevista cartográfica apontadas por Tedesco et al. (2016) foram abordados dois planos: 1. a experiência de vida ou vivida e 2. a experiência pré-reflexiva ou ontológica como indissociáveis. Das cartografias realizadas durante as entrevistas com três professoras depreendemos as suas concepções a respeito dos cortejos, a relação com a comunidade, com as linguagens e o lúdico. No processo da investigação constatamos que os cortejos são definidos nas narrativas das educadoras como uma prática caminhante pela cidade e de mediação cultural entre a escola, a experiência lúdica e a corporalidade da criança na cidade. Como práticas artísticas e culturais, abre um caminho plausível que muito podem contar sobre a cidade gerando afetividade, pertencimento, celebração, encontro; acabam por se constituírem como modos de provocar uma experiência estética desenvolvendo assim o olhar, a atenção e a sensibilidade das crianças, da comunidade e de toda a escola.
Corpo presente: o desenvolvimento do sensível a partir de ações poéticas e educacionais - (2023)

Nathalia Fonte, Juliano Reis Siqueira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este trabalho apresenta algumas ações poéticas e educacionais realizadas entre 2020 e 2022 no projeto de pesquisa ‘Peciar e a Formação do Artista’, na Universidade Estadual de Londrina. A partir da pesquisa de Iniciação Científica Presençausência: a arte e os desafios perceptivos na era digital, relacionamos os impactos negativos das tecnologias digitais na vida humana e o papel da arte em recuperar a dimensão corpórea e sensível na sociedade.  As ações apresentadas do projeto tiveram como referência o trabalho de Joseph Beuys e seu conceito de escultura social (BORER, 2001). Partimos de investigações tridimensionais no sentido de expandir as pesquisas individuais em ações coletivas; com o intuito de uma reconexão com o espaço tátil e com a busca de uma sintonia com a constelação de forças que a escultura coloca em jogo.
Corpo, cidade e imagem: pensando práticas educativas no campo das artes - (2023)

Pedro Simon Gonçalves Araújo

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo apresenta reflexões de uma experiência pedagógico-afetiva realizada durante minha pesquisa de doutorado, realizada entre os anos de 2018 e 2022. A partir da articulação entre os conceitos de memória, imagem, corpo e cidade realizo com alunos do curso de licenciatura em dança do Instituto Federal de Goiás uma investigação de cunho qualitativo, que encontra na abordagem narrativa (auto)biográfica bases para o seu desenvolvimento. Ancorado nos princípios da educação da cultura visual, teço uma escrita que estabelece relações dialógicas com imagens e saberes estético-afetivos vinculados à dança, colocando em perspectiva subjetividades e potências do corpo em espaços de ensino. Discuto modos como o corpo pode ser afetado por imagens da cidade, buscando compreender de que maneira esses atravessamentos impactam a formação de indivíduos e geram aprendizados por meio do movimento e da performance, intensificando as percepções de si e apropriações pedagógicas de espaços dentro e fora das escolas. Os resultados do estudo revelam uma composição de saberes sensíveis dos indivíduos sobre si mesmos a partir do corpo em movimento e de conexões com memórias e episódios de suas histórias de vida. Demonstram, ainda, a possibilidade do uso de imagens na relação entre corpos e cidades através da performance/dança, projetando potencialidades de apropriação e uso do espaço público.
Deficiência Visual, Arte e Inclusão: reflexões sobre a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (2022) - (2023)

Caue de Camargo dos Santos, Luiz Paulo da Silva Braga

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo examinou a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (I CONIN-IBC), realizado em novembro de 2022, cuja temática foi a deficiência visual. O objetivo foi caracterizar a referida programação, por meio de uma abordagem qualitativa, considerando suas especificidades estéticas e inclusivas, a partir de um diálogo teórico entre os Estudos Culturais e as filosofias da diferença. As divergências e aproximações entre as duas perspectivas possibilitaram uma compreensão mais abrangente das práticas envolvendo arte e inclusão, um fenômeno emergente e complexo. Do ponto de vista teórico-metodológico, também foi considerado o significado simbólico das atividades realizadas em um espaço reconhecido como lócus de produção científica sobre a temática. Os resultados mostraram que a programação artístico-cultural do evento foi inclusiva e multissensorial, configurando-se como uma experimentação deleuziana de arte menor e inclusão menor, que estimulou a produção de novos significados. As atividades propostas também questionaram a supremacia visual, convidando os participantes do congresso a desestabilizarem a hegemonia sensorial dela. Concluiu-se que a inclusão de pessoas cegas e com baixa visão nos processos de criação e fruição artístico-cultural, embora desafiadora, dispara o surgimento de outras possibilidades de arte e sociabilidade.
Denúncia da Encruzilhada: a moral como droga do nosso tempo - (2023)

Robert Santos do Carmo, Michele de Freitas Faria de Vasconcelos, Simone Mainieri Paulon

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O que se lê são narrativas de um processo formativo na encruzilhada produzida pelo encontro entre psicologia e redução de danos; entre uma formação escolarizada (prima-irmã da ciência ‘laboratorizada’) e uma estratégia de cuidado territorial junto a pessoas em situação de rua, que fazem uso de drogas; entre um corpo e a moralidade que lhe constitui. A literatura infanto-juvenil é utilizada como intercessor justo por fabular com palavras, por desdizê-las, por transgredir sua sina desenvolvimentista e moral. Cansado/as de tragar gozando por padecer, tragamos gozando e padecendo. Assim, saberemos, ao final desse ensaio, que se a ver com a droga da moral custa uma vida para criar outra – inumana.
Derivas entre a ciência, a vida e a educação: modos de aprender em movimento - (2023)

Tiago Amaral Sales, Fernanda Monteiro Rigue

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente ensaio visa evidenciar como a educação pode acontecer entre as ciências e a vida, em movimentos do corpo e do pensamento. Para tanto, por meio de tómo-vacúolos, emergem escritas fabulativas que se enredam entre as ciências da natureza, a vida e a educação. São tangenciadas sete escritas que se fizeram a partir de experiências ficcionadas, as quais maquinam o individual e o coletivo, o singular e o múltiplo. Emerge desse movimento a potência do exercício da escrita fabulativa na docência em ciências da natureza, assim como a urgência de inaugurarmos espaços de vida nas práticas formativas em educação em ciências da natureza.
Educação da sensibilidade, dez limões e um balde na mão - (2023)

Luciana Mourão Arslan

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo apresenta questões relacionadas à corporeidade no ensino-aprendizagem. O foco em práticas de atenção e no trabalho sensorial é revelado a partir de um relato de uma aula, na qual alunos foram convidados a limpar os espaços do edifício no qual estudavam. O relato é o fio condutor de discussões acerca de como a corporeidade se conecta com as ações de aprender-pensar-ensinar-mover.  Esta proposta refere-se também ao campo de discussões da somaestética e de estudos da cognição que consideram o soma-corpo de forma integral.
Entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora: algumas relações da cultura i/material - (2023)

Mirtes Antunes Locatelli Strapazzon, Dione da Rocha Bandeira, Sandra Paschoal Leite de Camargo Guedes

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo trata da discussão sobre artistas que simultaneamente são pesquisadores e professores de Artes ao longo de suas carreiras/vidas.  A premissa conceitual está no entendimento de que o conhecimento produzido por meio das Artes, como espaço e objeto, contribui nas construções subjetivas dos sujeitos. Uma das inquietudes traduzidas em questão foi: quais seriam as relações da cultura i/material entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora? Assim, o objetivo é refletir sobre as relações da cultura i/material encontradas a partir do tocar/pesquisar/ensinar por meio do piano e da narrativa vida/profissão da primeira autora deste artigo. Portanto, a metodologia escolhida foi A/r/tografia, sendo uma das metodologias de Pesquisa Educacional Baseada em Artes utilizada nas Ciências Sociais e Ciências Humanas. Esta abordagem interdisciplinar, constitui-se em significativa construção de projetos, diferentes metodologias e outras formas textuais, adentrando no universo das artes (música) e do conhecimento científico. No processo da investigação foram constados alguns resultados, entre eles: que materialidade e imaterialidade são uníssonas/inseparáveis e que a consonância entre o ser das coisas e o ser, é perceptível, tanto no olhar sensível quanto na escuta. A contemplação do piano enquanto objeto material é visual, a sonoridade do piano, por sua vez pode ser efêmera, i/material e sensível, que por vezes, é produzida pela musicista, outras, pela pesquisadora, e em algumas vezes, pela professora de música, trazendo contribuições interdisciplinares nos campos da Música, do Patrimônio Cultural, das Ciências Sociais e da Educação, sem perda das subjetividades, inerentes ao ser humano.
Escrever com o que fica e escapa em pesquisas - (2023)

Elaine Schmidlin, Sandra Maria Correia Favero

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este texto ensaia o pensar com o que escapa de uma pesquisa e permanece nos caminhos da vida, docente e artística, de duas pesquisadoras. Como visibilizar o que fica em suspenso pelo percurso, recolhido ou escondido, que, de certo modo, ficou deixado de lado nos trabalhos realizados? Foi a pergunta que impulsionou a escrita das autoras em processos de investigação nas áreas de arte e da educação. Esses restos ou sobras de pesquisas possibilitaram uma escrita que recusa investidas hierárquicas e dominantes, propondo invenções de novos problemas em composições sensíveis, emaranhadas a diversas práticas em um tom menor (rastros em fotos, bordados etc.). O que se pretendeu foi o rastreio de imagens e notas adormecidas nos guardados e gavetas, deixados à margem, em pesquisas empreendidas pelas pesquisadoras na área de artes visuais.
Espaços abandonados na cidade: apropriação e ressignificação - (2023)

Milena Rubin Magoga, Josicler Orbem Alberton, Verônica Garcia Donoso

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo aborda a questão dos espaços abandonados no tecido urbano e explora as possibilidades de intervenção e apropriação desses locais. O objetivo é ampliar a discussão teórica sobre o tema, apresentando exemplos de intervenções no espaço urbano que estimulam novas formas de habitar a cidade. O trabalho está dividido em três partes principais. Primeiro, reflete-se sobre a presença de arquiteturas abandonadas no espaço urbano e a importância da arte e da educação no processo de ressignificação e as experiências que surgem desse encontro. Em seguida, são identificados diferentes tipos de intervenções e apropriações desses locais. Por fim, são apresentados casos de intervenções que surgem a partir de práticas não-hegemônicas, coletivas e/ou artísticas, buscando reativar os espaços de maneira orgânica. Em conclusão, destaca-se o papel fundamental da arte e da cultura nos processos de ressignificação do espaço urbano, como fomentadoras de novas formas de habitar e refletir sobre a cidade.
Fotografias digitais na Educação Básica: ensaios e experimentações na produção de visualidades - (2023)

Jean Oliver Linck, Paula Garcia Lima, Valdirene de Assunção Pereira, Silvia Regina dos Santos Meireles

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo apresenta uma proposta educativa de experimentação e investigação do cotidiano de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental, iniciada em 2021, visando estabelecer relações com as tecnologias móveis (Smartphones e Tablets) na produção de imagens digitais, através da linguagem da fotografia. Considerando relevante a preocupação em inserir as novas tecnologias na educação básica, propõe-se uma abordagem, onde o educando dialogue com a Arte, entre diferentes disciplinas de forma crítica, poética e reflexiva e com isso, produzir novos conhecimentos e aprendizagens. Ainda, busca-se desenvolver a autonomia dos envolvidos, numa postura de pesquisador e atuante em sua aprendizagem. Tendo como proposta dar visibilidade para que o aluno articulem práticas variadas, em um ideário pedagógico que parte de uma abordagem qualitativa e tece relações com uma pesquisa baseada em artes (PBA) e na perspectiva da Cultura Visual, verifica-se a possibilidade de se produzir registros visualidades narrativas, incentivar a escrita, a leitura e a representação, colaborando na construção de exposição virtual chamada “Imagens no meu caminho’’ no Instagram, um repositório como forma de compartilhamento da proposta e de culminar os resultados das produções.
Gambiarras: uma pequena coleção de gestos recolhidos em percurso - (2023)

Eduardo Silveira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O ensaio apresenta uma pequena coleção de gestos capturados em percursos por diferentes cidades e experiências pedagógicas.Qual a entrega e disponibilidade necessária para que pequenos gestos possam insinuar-se em meio à atribulação da vida? O corpo com o qual se caminha pela cidade na tentativa de encontrar pequenos gestos é o mesmo que caminha na vida cotidiana? Qual a qualidade de presença necessária para que se veja o que se esconde na sombra dos detalhes? Estas são algumas das questões surgem nesses percursos compartilhados. Gestos e percursos se imbricampara compor movimentos de gambiarra. A gambiarra aqui é entendida como um movimento de composição para pensar em questões que atravessam processos pedagógicos investigativos e vai se construindo no encontro com a cidade e por meio de movimentos de escrita. Em cada gesto e percurso, aos poucos, vão se sobrepondo rastros de experiências que trazem material para que se componham novas camadas em relação à pesquisa em educação e sobre práticas pedagógicas.
Moscas transgênicas: quando o laboratório de genética torna-se ateliê de criação artística - (2023)

Fabiola Simões Rodrigues da Fonseca, Ada Beatriz Gallicchio Kroef

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo é sobre o período da residência artística no laboratório de Genética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) quando foi feita a primeira obra de arte transgênica no Brasil. Acreditamos que os avanços nas pesquisas em genética têm alcançado, cada vez mais, possibilidades de transformações coletivas, o que tem dado margem para que artistas partam da ciência para tensionar as relações que ela cria, algo necessário à arte contemporânea. Trouxemos para cá fragmentos de como arrancamos perceptos e afetos dos protocolos científicos para fazer com que as moscas transgênicas que produzimos se tornassem arte e discutimos esse processo da desterritorialização do laboratório de pesquisa. Com isso, escrevemos esta cartografia a qual se propõe este texto. Tomamos como referenciais teóricos Deleuze e Guattari para falar como criamos blocos de sensações com o que foi experimentado e produzido no laboratório.
Narrativas de uma cidade em ruínas: caminhando com paisagens, educações e alianças multiespécies - (2023)

Marcos Allan da Silva Linhares, Keyme Gomes Lourenço, Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este ensaio, escrito ao modo narrativo e experimentativo, procura flagrar alianças que emergem do espaço urbano e que interseccionam natureza-cidade-educação, compondo paisagens multiespécies que nos mostrem caminhos possíveis para pensarmos educações-outras. Para criar uma escrita em experimentação fizemos alianças epistemológicas com as antropólogas Anna Tsing e Donna Harawaye com trabalhos do campo da filosofia da diferença de Deleuze e Guattari. Dessa forma esse trabalho foi tecido como se caminha por aí, atravessando as dobras da cidade, nas vielas ora de cimento, ora de palavras. Caminhamos com o corpo ao subir e descer ruas, produzíamos uma conversa contínua entre nós e os seres das cidades, humanos e não-humanos. Esses encontros foram disparadores potentes para a criação de narrativas que se expressam através de imagens, textos, grafias, contos, enredos que compõem aquilo que nos marcou e nos fez vibrar pelo caminhar. A caminhada como método para produção de narrativas de uma cidade em ruínas, nos abre a possibilidade de conhecer e também de participar de negociações que produzem as paisagens-multiespécies na cidade. Produzir narrativas que permitem serem permeadas pelo fluxo de devir-escrita-caminhar significa atentar-se enquanto pesquisadores-professores-artistas a escutar mais do que falar, de tornar-se acolhedor daquilo que é pequeno e passa despercebido, de reaprender a todo momento, de expor-se aos inesperados das descobertas que vão ecoar não dos grandes prédios, mas sim daquilo que estará entre eles, nas frestas que eles deixam na composição da paisagem que são preenchidas e arrochadas pelos habitantes humanos e não-humanos.