Revista Digital do Laboratório de Artes Visuais

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Caminhar com as cidades: estranhar, conversar e conviver - (2023)

Deisimer Gorczevski, Laryce Rhachel Martins Santos, Aline Mourão de Albuquerque, Francisco Feitosa Moura Filho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo traz inquietações que emergiram, inicialmente, a partir da proposição do caminhar como possibilidade de aprender a conversar e conviver com estranhos. Com a intensificação das deambulações, outras questões com a tríade estranhar, conversar e conviver ́ foram suscitadas como modos de pesquisar e intervir, considerando o caminhar como prática estética e produção de espaços (Careri, 2013, 2017), incendiador de caminhos (Couto, 2009) e dispositivo de processos (trans)formativos, operados com artistas, pesquisadores e educadores do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR|CNPq, 2013 - 2023). Pensar nesses processos, que acontecem na convivência, é também questionar: o que se inventa ao caminhar com ruas, praças, praias, estações do metrô, campi da universidade? Em andanças foram encontradas algumas pistas afirmando a indissociabilidade entre arte e convívio, a partir de afecções e processos de singularização que resultaram das experimentações Bó Caminhar, Caminhar com Vazios Urbanos, Caminhar e Escutar e Ateliê de Criação: percursos com as Univer|Cidades. Dessa forma, os processos (trans)formativos explicitados nesta escritura, embora singulares, convergem para a criação de redes de convívio e conversações, a partir de convites para a realização de caminhadas coletivas com a universidade, a cidade e seus vazios. Entre as proposições com as deambulações o desejo de inventar descaminhos, suspeitar do que vemos e ouvimos. Foram criados mapas sensíveis e fugazes com intensidades partilhadas e desenhadas por cartografias múltiplas, permeáveis e inacabadas. Nas errâncias, portanto, foi possível se tornar vulnerável às interferências do espaço; a partir da caminhada com ele, sujeito e agenciador de afetos e micropolíticas.
Cartografia dos Cortejos: caminhadas, crianças e cidade pelo olhar de educadoras das infâncias - (2023)

Dilma Angela da Silva, Mirian Celeste Ferreira Dias Martins

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Considerando as práticas de caminhadas-cortejos como possibilitadoras de experiências estéticas, performáticas, educativas, coletivas mediadas pela escola, entre as crianças e a cidade e que transbordam para além de seus muros, este artigo focaliza como as professoras reelaboraram seus olhares sobre a cidade e a cultura. Seguindo a pista da entrevista cartográfica apontadas por Tedesco et al. (2016) foram abordados dois planos: 1. a experiência de vida ou vivida e 2. a experiência pré-reflexiva ou ontológica como indissociáveis. Das cartografias realizadas durante as entrevistas com três professoras depreendemos as suas concepções a respeito dos cortejos, a relação com a comunidade, com as linguagens e o lúdico. No processo da investigação constatamos que os cortejos são definidos nas narrativas das educadoras como uma prática caminhante pela cidade e de mediação cultural entre a escola, a experiência lúdica e a corporalidade da criança na cidade. Como práticas artísticas e culturais, abre um caminho plausível que muito podem contar sobre a cidade gerando afetividade, pertencimento, celebração, encontro; acabam por se constituírem como modos de provocar uma experiência estética desenvolvendo assim o olhar, a atenção e a sensibilidade das crianças, da comunidade e de toda a escola.
Corpo presente: o desenvolvimento do sensível a partir de ações poéticas e educacionais - (2023)

Nathalia Fonte, Juliano Reis Siqueira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este trabalho apresenta algumas ações poéticas e educacionais realizadas entre 2020 e 2022 no projeto de pesquisa ‘Peciar e a Formação do Artista’, na Universidade Estadual de Londrina. A partir da pesquisa de Iniciação Científica Presençausência: a arte e os desafios perceptivos na era digital, relacionamos os impactos negativos das tecnologias digitais na vida humana e o papel da arte em recuperar a dimensão corpórea e sensível na sociedade.  As ações apresentadas do projeto tiveram como referência o trabalho de Joseph Beuys e seu conceito de escultura social (BORER, 2001). Partimos de investigações tridimensionais no sentido de expandir as pesquisas individuais em ações coletivas; com o intuito de uma reconexão com o espaço tátil e com a busca de uma sintonia com a constelação de forças que a escultura coloca em jogo.
Corpo, cidade e imagem: pensando práticas educativas no campo das artes - (2023)

Pedro Simon Gonçalves Araújo

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente artigo apresenta reflexões de uma experiência pedagógico-afetiva realizada durante minha pesquisa de doutorado, realizada entre os anos de 2018 e 2022. A partir da articulação entre os conceitos de memória, imagem, corpo e cidade realizo com alunos do curso de licenciatura em dança do Instituto Federal de Goiás uma investigação de cunho qualitativo, que encontra na abordagem narrativa (auto)biográfica bases para o seu desenvolvimento. Ancorado nos princípios da educação da cultura visual, teço uma escrita que estabelece relações dialógicas com imagens e saberes estético-afetivos vinculados à dança, colocando em perspectiva subjetividades e potências do corpo em espaços de ensino. Discuto modos como o corpo pode ser afetado por imagens da cidade, buscando compreender de que maneira esses atravessamentos impactam a formação de indivíduos e geram aprendizados por meio do movimento e da performance, intensificando as percepções de si e apropriações pedagógicas de espaços dentro e fora das escolas. Os resultados do estudo revelam uma composição de saberes sensíveis dos indivíduos sobre si mesmos a partir do corpo em movimento e de conexões com memórias e episódios de suas histórias de vida. Demonstram, ainda, a possibilidade do uso de imagens na relação entre corpos e cidades através da performance/dança, projetando potencialidades de apropriação e uso do espaço público.
Deficiência Visual, Arte e Inclusão: reflexões sobre a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (2022) - (2023)

Caue de Camargo dos Santos, Luiz Paulo da Silva Braga

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo examinou a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (I CONIN-IBC), realizado em novembro de 2022, cuja temática foi a deficiência visual. O objetivo foi caracterizar a referida programação, por meio de uma abordagem qualitativa, considerando suas especificidades estéticas e inclusivas, a partir de um diálogo teórico entre os Estudos Culturais e as filosofias da diferença. As divergências e aproximações entre as duas perspectivas possibilitaram uma compreensão mais abrangente das práticas envolvendo arte e inclusão, um fenômeno emergente e complexo. Do ponto de vista teórico-metodológico, também foi considerado o significado simbólico das atividades realizadas em um espaço reconhecido como lócus de produção científica sobre a temática. Os resultados mostraram que a programação artístico-cultural do evento foi inclusiva e multissensorial, configurando-se como uma experimentação deleuziana de arte menor e inclusão menor, que estimulou a produção de novos significados. As atividades propostas também questionaram a supremacia visual, convidando os participantes do congresso a desestabilizarem a hegemonia sensorial dela. Concluiu-se que a inclusão de pessoas cegas e com baixa visão nos processos de criação e fruição artístico-cultural, embora desafiadora, dispara o surgimento de outras possibilidades de arte e sociabilidade.
Denúncia da Encruzilhada: a moral como droga do nosso tempo - (2023)

Robert Santos do Carmo, Michele de Freitas Faria de Vasconcelos, Simone Mainieri Paulon

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O que se lê são narrativas de um processo formativo na encruzilhada produzida pelo encontro entre psicologia e redução de danos; entre uma formação escolarizada (prima-irmã da ciência ‘laboratorizada’) e uma estratégia de cuidado territorial junto a pessoas em situação de rua, que fazem uso de drogas; entre um corpo e a moralidade que lhe constitui. A literatura infanto-juvenil é utilizada como intercessor justo por fabular com palavras, por desdizê-las, por transgredir sua sina desenvolvimentista e moral. Cansado/as de tragar gozando por padecer, tragamos gozando e padecendo. Assim, saberemos, ao final desse ensaio, que se a ver com a droga da moral custa uma vida para criar outra – inumana.
Derivas entre a ciência, a vida e a educação: modos de aprender em movimento - (2023)

Tiago Amaral Sales, Fernanda Monteiro Rigue

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente ensaio visa evidenciar como a educação pode acontecer entre as ciências e a vida, em movimentos do corpo e do pensamento. Para tanto, por meio de tómo-vacúolos, emergem escritas fabulativas que se enredam entre as ciências da natureza, a vida e a educação. São tangenciadas sete escritas que se fizeram a partir de experiências ficcionadas, as quais maquinam o individual e o coletivo, o singular e o múltiplo. Emerge desse movimento a potência do exercício da escrita fabulativa na docência em ciências da natureza, assim como a urgência de inaugurarmos espaços de vida nas práticas formativas em educação em ciências da natureza.
Educação da sensibilidade, dez limões e um balde na mão - (2023)

Luciana Mourão Arslan

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo apresenta questões relacionadas à corporeidade no ensino-aprendizagem. O foco em práticas de atenção e no trabalho sensorial é revelado a partir de um relato de uma aula, na qual alunos foram convidados a limpar os espaços do edifício no qual estudavam. O relato é o fio condutor de discussões acerca de como a corporeidade se conecta com as ações de aprender-pensar-ensinar-mover.  Esta proposta refere-se também ao campo de discussões da somaestética e de estudos da cognição que consideram o soma-corpo de forma integral.
Entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora: algumas relações da cultura i/material - (2023)

Mirtes Antunes Locatelli Strapazzon, Dione da Rocha Bandeira, Sandra Paschoal Leite de Camargo Guedes

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo trata da discussão sobre artistas que simultaneamente são pesquisadores e professores de Artes ao longo de suas carreiras/vidas.  A premissa conceitual está no entendimento de que o conhecimento produzido por meio das Artes, como espaço e objeto, contribui nas construções subjetivas dos sujeitos. Uma das inquietudes traduzidas em questão foi: quais seriam as relações da cultura i/material entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora? Assim, o objetivo é refletir sobre as relações da cultura i/material encontradas a partir do tocar/pesquisar/ensinar por meio do piano e da narrativa vida/profissão da primeira autora deste artigo. Portanto, a metodologia escolhida foi A/r/tografia, sendo uma das metodologias de Pesquisa Educacional Baseada em Artes utilizada nas Ciências Sociais e Ciências Humanas. Esta abordagem interdisciplinar, constitui-se em significativa construção de projetos, diferentes metodologias e outras formas textuais, adentrando no universo das artes (música) e do conhecimento científico. No processo da investigação foram constados alguns resultados, entre eles: que materialidade e imaterialidade são uníssonas/inseparáveis e que a consonância entre o ser das coisas e o ser, é perceptível, tanto no olhar sensível quanto na escuta. A contemplação do piano enquanto objeto material é visual, a sonoridade do piano, por sua vez pode ser efêmera, i/material e sensível, que por vezes, é produzida pela musicista, outras, pela pesquisadora, e em algumas vezes, pela professora de música, trazendo contribuições interdisciplinares nos campos da Música, do Patrimônio Cultural, das Ciências Sociais e da Educação, sem perda das subjetividades, inerentes ao ser humano.
Escrever com o que fica e escapa em pesquisas - (2023)

Elaine Schmidlin, Sandra Maria Correia Favero

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este texto ensaia o pensar com o que escapa de uma pesquisa e permanece nos caminhos da vida, docente e artística, de duas pesquisadoras. Como visibilizar o que fica em suspenso pelo percurso, recolhido ou escondido, que, de certo modo, ficou deixado de lado nos trabalhos realizados? Foi a pergunta que impulsionou a escrita das autoras em processos de investigação nas áreas de arte e da educação. Esses restos ou sobras de pesquisas possibilitaram uma escrita que recusa investidas hierárquicas e dominantes, propondo invenções de novos problemas em composições sensíveis, emaranhadas a diversas práticas em um tom menor (rastros em fotos, bordados etc.). O que se pretendeu foi o rastreio de imagens e notas adormecidas nos guardados e gavetas, deixados à margem, em pesquisas empreendidas pelas pesquisadoras na área de artes visuais.
Espaços abandonados na cidade: apropriação e ressignificação - (2023)

Milena Rubin Magoga, Josicler Orbem Alberton, Verônica Garcia Donoso

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo aborda a questão dos espaços abandonados no tecido urbano e explora as possibilidades de intervenção e apropriação desses locais. O objetivo é ampliar a discussão teórica sobre o tema, apresentando exemplos de intervenções no espaço urbano que estimulam novas formas de habitar a cidade. O trabalho está dividido em três partes principais. Primeiro, reflete-se sobre a presença de arquiteturas abandonadas no espaço urbano e a importância da arte e da educação no processo de ressignificação e as experiências que surgem desse encontro. Em seguida, são identificados diferentes tipos de intervenções e apropriações desses locais. Por fim, são apresentados casos de intervenções que surgem a partir de práticas não-hegemônicas, coletivas e/ou artísticas, buscando reativar os espaços de maneira orgânica. Em conclusão, destaca-se o papel fundamental da arte e da cultura nos processos de ressignificação do espaço urbano, como fomentadoras de novas formas de habitar e refletir sobre a cidade.
Fotografias digitais na Educação Básica: ensaios e experimentações na produção de visualidades - (2023)

Jean Oliver Linck, Paula Garcia Lima, Valdirene de Assunção Pereira, Silvia Regina dos Santos Meireles

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo apresenta uma proposta educativa de experimentação e investigação do cotidiano de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental, iniciada em 2021, visando estabelecer relações com as tecnologias móveis (Smartphones e Tablets) na produção de imagens digitais, através da linguagem da fotografia. Considerando relevante a preocupação em inserir as novas tecnologias na educação básica, propõe-se uma abordagem, onde o educando dialogue com a Arte, entre diferentes disciplinas de forma crítica, poética e reflexiva e com isso, produzir novos conhecimentos e aprendizagens. Ainda, busca-se desenvolver a autonomia dos envolvidos, numa postura de pesquisador e atuante em sua aprendizagem. Tendo como proposta dar visibilidade para que o aluno articulem práticas variadas, em um ideário pedagógico que parte de uma abordagem qualitativa e tece relações com uma pesquisa baseada em artes (PBA) e na perspectiva da Cultura Visual, verifica-se a possibilidade de se produzir registros visualidades narrativas, incentivar a escrita, a leitura e a representação, colaborando na construção de exposição virtual chamada “Imagens no meu caminho’’ no Instagram, um repositório como forma de compartilhamento da proposta e de culminar os resultados das produções.
Gambiarras: uma pequena coleção de gestos recolhidos em percurso - (2023)

Eduardo Silveira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O ensaio apresenta uma pequena coleção de gestos capturados em percursos por diferentes cidades e experiências pedagógicas.Qual a entrega e disponibilidade necessária para que pequenos gestos possam insinuar-se em meio à atribulação da vida? O corpo com o qual se caminha pela cidade na tentativa de encontrar pequenos gestos é o mesmo que caminha na vida cotidiana? Qual a qualidade de presença necessária para que se veja o que se esconde na sombra dos detalhes? Estas são algumas das questões surgem nesses percursos compartilhados. Gestos e percursos se imbricampara compor movimentos de gambiarra. A gambiarra aqui é entendida como um movimento de composição para pensar em questões que atravessam processos pedagógicos investigativos e vai se construindo no encontro com a cidade e por meio de movimentos de escrita. Em cada gesto e percurso, aos poucos, vão se sobrepondo rastros de experiências que trazem material para que se componham novas camadas em relação à pesquisa em educação e sobre práticas pedagógicas.
Moscas transgênicas: quando o laboratório de genética torna-se ateliê de criação artística - (2023)

Fabiola Simões Rodrigues da Fonseca, Ada Beatriz Gallicchio Kroef

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo é sobre o período da residência artística no laboratório de Genética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) quando foi feita a primeira obra de arte transgênica no Brasil. Acreditamos que os avanços nas pesquisas em genética têm alcançado, cada vez mais, possibilidades de transformações coletivas, o que tem dado margem para que artistas partam da ciência para tensionar as relações que ela cria, algo necessário à arte contemporânea. Trouxemos para cá fragmentos de como arrancamos perceptos e afetos dos protocolos científicos para fazer com que as moscas transgênicas que produzimos se tornassem arte e discutimos esse processo da desterritorialização do laboratório de pesquisa. Com isso, escrevemos esta cartografia a qual se propõe este texto. Tomamos como referenciais teóricos Deleuze e Guattari para falar como criamos blocos de sensações com o que foi experimentado e produzido no laboratório.
Narrativas de uma cidade em ruínas: caminhando com paisagens, educações e alianças multiespécies - (2023)

Marcos Allan da Silva Linhares, Keyme Gomes Lourenço, Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este ensaio, escrito ao modo narrativo e experimentativo, procura flagrar alianças que emergem do espaço urbano e que interseccionam natureza-cidade-educação, compondo paisagens multiespécies que nos mostrem caminhos possíveis para pensarmos educações-outras. Para criar uma escrita em experimentação fizemos alianças epistemológicas com as antropólogas Anna Tsing e Donna Harawaye com trabalhos do campo da filosofia da diferença de Deleuze e Guattari. Dessa forma esse trabalho foi tecido como se caminha por aí, atravessando as dobras da cidade, nas vielas ora de cimento, ora de palavras. Caminhamos com o corpo ao subir e descer ruas, produzíamos uma conversa contínua entre nós e os seres das cidades, humanos e não-humanos. Esses encontros foram disparadores potentes para a criação de narrativas que se expressam através de imagens, textos, grafias, contos, enredos que compõem aquilo que nos marcou e nos fez vibrar pelo caminhar. A caminhada como método para produção de narrativas de uma cidade em ruínas, nos abre a possibilidade de conhecer e também de participar de negociações que produzem as paisagens-multiespécies na cidade. Produzir narrativas que permitem serem permeadas pelo fluxo de devir-escrita-caminhar significa atentar-se enquanto pesquisadores-professores-artistas a escutar mais do que falar, de tornar-se acolhedor daquilo que é pequeno e passa despercebido, de reaprender a todo momento, de expor-se aos inesperados das descobertas que vão ecoar não dos grandes prédios, mas sim daquilo que estará entre eles, nas frestas que eles deixam na composição da paisagem que são preenchidas e arrochadas pelos habitantes humanos e não-humanos.
O caminhar como produção de sentidos e prática pedagógica de construção narrativa - (2023)

Reginaldo Bastos dos Santos, Maria Clara Guimaraes Ferrer Carrilho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente estudo é uma reflexão sobre o ato de caminhar pela cidade enquanto produção de sentidos e como gatilho para a escrita. Para tanto, busca-se, primeiramente, desenvolver uma sintética perspectiva histórica da figura do caminhante, muito marcada pelo flâneur, e suas relações com a filosofia, com a literatura e com as artes visuais e performativas.
Ouvidos em trânsito: intervenções urbanas em aprendizagens docentes - (2023)

Tamiris Vaz

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O projeto Ouvidos em Trânsito explorou vivências imersivas em espaços da cidade pelo deslocamento, pela coletividade e pela escuta como ferramentas para pensar aprendizagens da docência junto aos sotaques, aos corpos e aos saberes heterogêneos que habitam a cidade. Após visitas de contato e mapeamento, foram realizadas conversas e entrevistas com moradores e comerciantes e propostas intervenções artísticas urbanas participativas. Essas intervenções se voltaram a subjetividades, memórias e temáticas sociais nascidas dos encontros com os fluxos urbanos, fazendo com que os conteúdos formativos emergissem das vivências com habitantes da cidade. Como parte do processo foram produzidos fanzines e diários afetivos, através dos quais discutiu-se o ver, o ouvir, o pesquisar e o produzir colaborativamente como saberes de uma docência aberta às contingências dos contextos percorridos. Da criança ao idoso, do feirante ao comerciante, do morador de rua ao morador de condomínio, os ouvidos de licenciandos transitaram por saberes múltiplos que fazem do aprender docente uma caminhada constante e permeada pelo inesperado.
Quando humanos, cães e caminhos se encontram: arte, afetos e palavras no movimento potente da vida nas ruas - (2023)

Michele Fernandes Gonçalves

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo aposta nas artes, especificamente nas intervenções de rua em formato lambe-lambe e na escrita narrativa, como formas de partilha do sensível (RANCIÈRE, 2005) e de circulação de afetos (SAFATLE, 2015; ESPINOSA, 2009) entre humanos e cães ‘de rua’ quando nela eles se encontram. Parte-se da afirmação de que há uma relação de poder (FOUCAULT, 2007), sujeição e assujeitamento entre esses viventes, adota-se a premissa de que é necessário rompê-la para acessar as potencialidades não hierarquizadas do encontro entre eles e apresenta-se uma discussão conceitual sobre como esse encontro pode, pelas sensações e sensibilidades que aí se despertam, atuar nesse rompimento, possibilitando aos segundos outras configurações espaciais e existenciais. Algumas experimentações feitas com narrativas e lambe-lambes produzidos como parte de uma pesquisa de mestrado são apresentadas.
Um caminhar multiespécies: mesas de trabalho como modos de habitar artes, educações e comunicações diante do Antropoceno - (2023)

Susana Dias

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Neste artigo busca-se pensar a potência de duas mesas de trabalho, desenvolvidas em diferentes contextos e denominadas de “Encontros com potências frágeis” e “Modos de atenção à Terra”. As mesas de trabalho são, ao mesmo tempo, uma intervenção artística urbana e uma metodologia de pesquisar-criar entre artes e ciências, desenvolvidas no âmbito do grupo multiTÃO (CNPq) e Revista ClimaCom. Interessa pensar como tais mesas de trabalho instauram um certo caminhar multiespécies e como geram novas possibilidades de habitar a educações e comunicações diante do Antropoceno.
Uma Arte/Corpo/Cidade: itinerâncias imersivas em Arte e Educação nos centros urbanos - (2023)

Margarete Sacht Goes

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Problematizar como os deslocamentos pelos centros urbanos podem ser utilizados como dispositivos de sensibilização do olhar e ativação dos ambientes de aprendizagens em arte é o objetivo deste texto. Metodologicamente, sustenta-se na pesquisa qualitativa exploratória e artográfica, por meio de dispositivos de narrativas, em que estudantes de graduação do curso de licenciatura em Pedagogia, ao participarem do projeto de pesquisa internacional “Arte na Pedagogia: Formação docente com e em Artes/Culturas”, experienciam a proposição Arte/Corpo/Cidade, na qual narram suas experiências imersivas em Arte e Educação ao andar pelos centros urbanos e equipamentos culturais da cidade de Vitória/ES. Teoricamente, fundamenta-se em Larossa (2002), Jacques (2005), Bellidson e Irwin (2013), Careri (2017), Góes (2021), Martins (2021) e Barbosa (2023). Finaliza inferindo sobre a premência de que, na formação inicial de professoras/es, a arte seja potencializada por deslocamentos pelos centros urbanos, pois as visualidades que compõem os repertórios artístico-culturais são constituídas nos mais diferentes e diversos locais de aprendizagem quando os corpos se sensibilizam para seu entorno e, ao se moverem, compreendem suas memórias, histórias e identidades culturais e reconhecem seu lugar na educação e no mundo.
Uma cidade em variações compositivas errantes - (2023)

Leandro Belinaso

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O ensaio se cria nas margens de um conjunto de artefatos culturais composto em caminhadas por uma metrópole costurada por rios, pontes, portas, ruas, gentes e histórias. Sonoridades, palavras e imagens são construídas em deslocamento pelo tecido urbano. O ensaio é o resultado do encontro do autor com uma profusão de textualidades. O texto desdobra três questões que colocam em cena indagações relativas à alteridade, aos processos de escrita e à vida dos rios. Sem produzir um fim, o ensaio deixa espaço para novas perguntas a serem tecidas por um corpo errante em caminhadas pelas cidades.
Unas Experiências de ensinar e criar em artes mais além dos muros da universidade - (2023)

Fernando Miranda

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo relata e analisa quatro experiências de formação artística em nível universitário de graduação e pós-graduação. As experiências têm em comum a ideia do interesse de um trabalho docente coletivo e interdisciplinar e postulam a possibilidade de ultrapassar o recinto físico das universidades para que os alunos intervenham criativamente no espaço público. 2.11.0.0
‘De volta pra casa’: analogias como estratégia para o desenvolvimento do pensamento crítico - (2023)

Isabel Orestes Silveira, Paula Elisa Ricardo Serafim Daré

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo parte da hipótese de que o uso de analogias pode favorecer a compreensão de conceitos, os quais necessitam ser validados em determinados campos, além de possibilitar o desenvolvimento do pensamento crítico e as formulações de conclusões e de argumentos simbólicos. Por isso, a problematização que se aventa busca tencionar as analogias possíveis para o termo “casa”. Interessa suplantar o senso comum que atribui a essa palavra o significado apenas de espaço funcional para moradia e lugar de dentro. O objetivo foi valorizar o termo, exemplificando-o como lugar de dentro e de fora, ou seja, ora como habitação, ora como possibilidade de expressão artística, ora como corpo, e ora também como casa comum, dizendo respeito ao planeta. A metodologia de natureza básica nvolveu a abordagem qualitativa com ênfase interdisciplinar ao dialogar com teóricos de diferentes áreas: Carl G. Jung favorece a reflexão numa perspectiva psicológica; já outros, como Edgar Morin, compreendem a vida como um grande tecido entrelaçado, de forma que - juntamente com Marc Augé ampliam a relação entre a humanidade, seu meio e entorno. Por seu turno, Salles e Ostrower embasam as teorias sobre os processos criativos, a linguagem da arte e o uso imagético para representar os sintomas expressos no homem e em seu meio ambiente.
“Páginas encadernadas que contêm histórias”: do livro ao Livro de Artista na disciplina de Arte - (2023)

Natalia Comerlatto Ribacki, Michelle Coelho Salort, Felipe Pergher

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo investiga de forma teórico-prática as possibilidades criativas do livro de artista, por meio de uma experiência realizada no Componente Curricular Arte, em uma turma de oitavo ano do Ensino Fundamental de Garibaldi — RS. Por isso,  versa de forma sintética o conceito de Livro de Artista.  Para o estudo, foram apresentadas obras de artistas que trabalharam com esse meio para os estudantes, que foram instigados a explorar livros antigos, obtidos de uma pilha de descarte, como suporte para a criação artística. O resultado da atividade foram quatro livros de artista desenvolvidos coletivamente pelos estudantes, que posteriormente foram expostos em um ambiente de circulação da escola. Foram discutidas, também, as implicações que esta atividade trouxe à percepção dos estudantes sobre o livro enquanto objeto e instituição.
“Vai rolar festa na escola!” Cotidianos escolares: arte, estética e coletivo - (2023)

Aldo Victorio Filho, Edivan Carneiro de Almeida

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O este artigo trata do conhecimento da vida escolar em suas relações com as Artes e demais manifestações culturais nas quais a energia estética é predominante. Consideramos estas relações no panorama ampliado dos trânsitos dentro/fora escola/cidade. A escola na qual se deu a pesquisa se destaca tanto nas semelhanças quanto nas diferenças meio ao universo escolar e em sua singularidade nas relações com a cidade. Como tantas, porosa e receptiva a tudo que acontece na cidade mundo, a despeito de marcas precisas - pública e de uma cidade do interior - floresce em seus modos de fazer, modos de existência cotidiana absolutamente em sintonia com a atualidade das culturas juvenis. A proposta investigativa aplicada, pesquisa do e com os cotidianos escolares, evidencia seus protagonistas, os discentes e a dedicação de seus docentes, na invenção cotidiana da escola em seus fundamentais aspectos poéticos.