Revista Digital do Laboratório de Artes Visuais

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Deficiência Visual, Arte e Inclusão: reflexões sobre a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (2022) - (2023)

Caue de Camargo dos Santos, Luiz Paulo da Silva Braga

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo examinou a programação artístico-cultural do I Congresso Internacional do Instituto Benjamin Constant (I CONIN-IBC), realizado em novembro de 2022, cuja temática foi a deficiência visual. O objetivo foi caracterizar a referida programação, por meio de uma abordagem qualitativa, considerando suas especificidades estéticas e inclusivas, a partir de um diálogo teórico entre os Estudos Culturais e as filosofias da diferença. As divergências e aproximações entre as duas perspectivas possibilitaram uma compreensão mais abrangente das práticas envolvendo arte e inclusão, um fenômeno emergente e complexo. Do ponto de vista teórico-metodológico, também foi considerado o significado simbólico das atividades realizadas em um espaço reconhecido como lócus de produção científica sobre a temática. Os resultados mostraram que a programação artístico-cultural do evento foi inclusiva e multissensorial, configurando-se como uma experimentação deleuziana de arte menor e inclusão menor, que estimulou a produção de novos significados. As atividades propostas também questionaram a supremacia visual, convidando os participantes do congresso a desestabilizarem a hegemonia sensorial dela. Concluiu-se que a inclusão de pessoas cegas e com baixa visão nos processos de criação e fruição artístico-cultural, embora desafiadora, dispara o surgimento de outras possibilidades de arte e sociabilidade.
Denúncia da Encruzilhada: a moral como droga do nosso tempo - (2023)

Robert Santos do Carmo, Michele de Freitas Faria de Vasconcelos, Simone Mainieri Paulon

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O que se lê são narrativas de um processo formativo na encruzilhada produzida pelo encontro entre psicologia e redução de danos; entre uma formação escolarizada (prima-irmã da ciência ‘laboratorizada’) e uma estratégia de cuidado territorial junto a pessoas em situação de rua, que fazem uso de drogas; entre um corpo e a moralidade que lhe constitui. A literatura infanto-juvenil é utilizada como intercessor justo por fabular com palavras, por desdizê-las, por transgredir sua sina desenvolvimentista e moral. Cansado/as de tragar gozando por padecer, tragamos gozando e padecendo. Assim, saberemos, ao final desse ensaio, que se a ver com a droga da moral custa uma vida para criar outra – inumana.
Derivas entre a ciência, a vida e a educação: modos de aprender em movimento - (2023)

Tiago Amaral Sales, Fernanda Monteiro Rigue

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente ensaio visa evidenciar como a educação pode acontecer entre as ciências e a vida, em movimentos do corpo e do pensamento. Para tanto, por meio de tómo-vacúolos, emergem escritas fabulativas que se enredam entre as ciências da natureza, a vida e a educação. São tangenciadas sete escritas que se fizeram a partir de experiências ficcionadas, as quais maquinam o individual e o coletivo, o singular e o múltiplo. Emerge desse movimento a potência do exercício da escrita fabulativa na docência em ciências da natureza, assim como a urgência de inaugurarmos espaços de vida nas práticas formativas em educação em ciências da natureza.
Educação da sensibilidade, dez limões e um balde na mão - (2023)

Luciana Mourão Arslan

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo apresenta questões relacionadas à corporeidade no ensino-aprendizagem. O foco em práticas de atenção e no trabalho sensorial é revelado a partir de um relato de uma aula, na qual alunos foram convidados a limpar os espaços do edifício no qual estudavam. O relato é o fio condutor de discussões acerca de como a corporeidade se conecta com as ações de aprender-pensar-ensinar-mover.  Esta proposta refere-se também ao campo de discussões da somaestética e de estudos da cognição que consideram o soma-corpo de forma integral.
Entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora: algumas relações da cultura i/material - (2023)

Mirtes Antunes Locatelli Strapazzon, Dione da Rocha Bandeira, Sandra Paschoal Leite de Camargo Guedes

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo trata da discussão sobre artistas que simultaneamente são pesquisadores e professores de Artes ao longo de suas carreiras/vidas.  A premissa conceitual está no entendimento de que o conhecimento produzido por meio das Artes, como espaço e objeto, contribui nas construções subjetivas dos sujeitos. Uma das inquietudes traduzidas em questão foi: quais seriam as relações da cultura i/material entre o piano e a pianista/pesquisadora/professora? Assim, o objetivo é refletir sobre as relações da cultura i/material encontradas a partir do tocar/pesquisar/ensinar por meio do piano e da narrativa vida/profissão da primeira autora deste artigo. Portanto, a metodologia escolhida foi A/r/tografia, sendo uma das metodologias de Pesquisa Educacional Baseada em Artes utilizada nas Ciências Sociais e Ciências Humanas. Esta abordagem interdisciplinar, constitui-se em significativa construção de projetos, diferentes metodologias e outras formas textuais, adentrando no universo das artes (música) e do conhecimento científico. No processo da investigação foram constados alguns resultados, entre eles: que materialidade e imaterialidade são uníssonas/inseparáveis e que a consonância entre o ser das coisas e o ser, é perceptível, tanto no olhar sensível quanto na escuta. A contemplação do piano enquanto objeto material é visual, a sonoridade do piano, por sua vez pode ser efêmera, i/material e sensível, que por vezes, é produzida pela musicista, outras, pela pesquisadora, e em algumas vezes, pela professora de música, trazendo contribuições interdisciplinares nos campos da Música, do Patrimônio Cultural, das Ciências Sociais e da Educação, sem perda das subjetividades, inerentes ao ser humano.
Escrever com o que fica e escapa em pesquisas - (2023)

Elaine Schmidlin, Sandra Maria Correia Favero

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este texto ensaia o pensar com o que escapa de uma pesquisa e permanece nos caminhos da vida, docente e artística, de duas pesquisadoras. Como visibilizar o que fica em suspenso pelo percurso, recolhido ou escondido, que, de certo modo, ficou deixado de lado nos trabalhos realizados? Foi a pergunta que impulsionou a escrita das autoras em processos de investigação nas áreas de arte e da educação. Esses restos ou sobras de pesquisas possibilitaram uma escrita que recusa investidas hierárquicas e dominantes, propondo invenções de novos problemas em composições sensíveis, emaranhadas a diversas práticas em um tom menor (rastros em fotos, bordados etc.). O que se pretendeu foi o rastreio de imagens e notas adormecidas nos guardados e gavetas, deixados à margem, em pesquisas empreendidas pelas pesquisadoras na área de artes visuais.
Espaços abandonados na cidade: apropriação e ressignificação - (2023)

Milena Rubin Magoga, Josicler Orbem Alberton, Verônica Garcia Donoso

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo aborda a questão dos espaços abandonados no tecido urbano e explora as possibilidades de intervenção e apropriação desses locais. O objetivo é ampliar a discussão teórica sobre o tema, apresentando exemplos de intervenções no espaço urbano que estimulam novas formas de habitar a cidade. O trabalho está dividido em três partes principais. Primeiro, reflete-se sobre a presença de arquiteturas abandonadas no espaço urbano e a importância da arte e da educação no processo de ressignificação e as experiências que surgem desse encontro. Em seguida, são identificados diferentes tipos de intervenções e apropriações desses locais. Por fim, são apresentados casos de intervenções que surgem a partir de práticas não-hegemônicas, coletivas e/ou artísticas, buscando reativar os espaços de maneira orgânica. Em conclusão, destaca-se o papel fundamental da arte e da cultura nos processos de ressignificação do espaço urbano, como fomentadoras de novas formas de habitar e refletir sobre a cidade.
Fotografias digitais na Educação Básica: ensaios e experimentações na produção de visualidades - (2023)

Jean Oliver Linck, Paula Garcia Lima, Valdirene de Assunção Pereira, Silvia Regina dos Santos Meireles

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este estudo apresenta uma proposta educativa de experimentação e investigação do cotidiano de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental, iniciada em 2021, visando estabelecer relações com as tecnologias móveis (Smartphones e Tablets) na produção de imagens digitais, através da linguagem da fotografia. Considerando relevante a preocupação em inserir as novas tecnologias na educação básica, propõe-se uma abordagem, onde o educando dialogue com a Arte, entre diferentes disciplinas de forma crítica, poética e reflexiva e com isso, produzir novos conhecimentos e aprendizagens. Ainda, busca-se desenvolver a autonomia dos envolvidos, numa postura de pesquisador e atuante em sua aprendizagem. Tendo como proposta dar visibilidade para que o aluno articulem práticas variadas, em um ideário pedagógico que parte de uma abordagem qualitativa e tece relações com uma pesquisa baseada em artes (PBA) e na perspectiva da Cultura Visual, verifica-se a possibilidade de se produzir registros visualidades narrativas, incentivar a escrita, a leitura e a representação, colaborando na construção de exposição virtual chamada “Imagens no meu caminho’’ no Instagram, um repositório como forma de compartilhamento da proposta e de culminar os resultados das produções.
Gambiarras: uma pequena coleção de gestos recolhidos em percurso - (2023)

Eduardo Silveira

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O ensaio apresenta uma pequena coleção de gestos capturados em percursos por diferentes cidades e experiências pedagógicas.Qual a entrega e disponibilidade necessária para que pequenos gestos possam insinuar-se em meio à atribulação da vida? O corpo com o qual se caminha pela cidade na tentativa de encontrar pequenos gestos é o mesmo que caminha na vida cotidiana? Qual a qualidade de presença necessária para que se veja o que se esconde na sombra dos detalhes? Estas são algumas das questões surgem nesses percursos compartilhados. Gestos e percursos se imbricampara compor movimentos de gambiarra. A gambiarra aqui é entendida como um movimento de composição para pensar em questões que atravessam processos pedagógicos investigativos e vai se construindo no encontro com a cidade e por meio de movimentos de escrita. Em cada gesto e percurso, aos poucos, vão se sobrepondo rastros de experiências que trazem material para que se componham novas camadas em relação à pesquisa em educação e sobre práticas pedagógicas.
Moscas transgênicas: quando o laboratório de genética torna-se ateliê de criação artística - (2023)

Fabiola Simões Rodrigues da Fonseca, Ada Beatriz Gallicchio Kroef

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo é sobre o período da residência artística no laboratório de Genética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) quando foi feita a primeira obra de arte transgênica no Brasil. Acreditamos que os avanços nas pesquisas em genética têm alcançado, cada vez mais, possibilidades de transformações coletivas, o que tem dado margem para que artistas partam da ciência para tensionar as relações que ela cria, algo necessário à arte contemporânea. Trouxemos para cá fragmentos de como arrancamos perceptos e afetos dos protocolos científicos para fazer com que as moscas transgênicas que produzimos se tornassem arte e discutimos esse processo da desterritorialização do laboratório de pesquisa. Com isso, escrevemos esta cartografia a qual se propõe este texto. Tomamos como referenciais teóricos Deleuze e Guattari para falar como criamos blocos de sensações com o que foi experimentado e produzido no laboratório.
Narrativas de uma cidade em ruínas: caminhando com paisagens, educações e alianças multiespécies - (2023)

Marcos Allan da Silva Linhares, Keyme Gomes Lourenço, Lúcia de Fátima Dinelli Estevinho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este ensaio, escrito ao modo narrativo e experimentativo, procura flagrar alianças que emergem do espaço urbano e que interseccionam natureza-cidade-educação, compondo paisagens multiespécies que nos mostrem caminhos possíveis para pensarmos educações-outras. Para criar uma escrita em experimentação fizemos alianças epistemológicas com as antropólogas Anna Tsing e Donna Harawaye com trabalhos do campo da filosofia da diferença de Deleuze e Guattari. Dessa forma esse trabalho foi tecido como se caminha por aí, atravessando as dobras da cidade, nas vielas ora de cimento, ora de palavras. Caminhamos com o corpo ao subir e descer ruas, produzíamos uma conversa contínua entre nós e os seres das cidades, humanos e não-humanos. Esses encontros foram disparadores potentes para a criação de narrativas que se expressam através de imagens, textos, grafias, contos, enredos que compõem aquilo que nos marcou e nos fez vibrar pelo caminhar. A caminhada como método para produção de narrativas de uma cidade em ruínas, nos abre a possibilidade de conhecer e também de participar de negociações que produzem as paisagens-multiespécies na cidade. Produzir narrativas que permitem serem permeadas pelo fluxo de devir-escrita-caminhar significa atentar-se enquanto pesquisadores-professores-artistas a escutar mais do que falar, de tornar-se acolhedor daquilo que é pequeno e passa despercebido, de reaprender a todo momento, de expor-se aos inesperados das descobertas que vão ecoar não dos grandes prédios, mas sim daquilo que estará entre eles, nas frestas que eles deixam na composição da paisagem que são preenchidas e arrochadas pelos habitantes humanos e não-humanos.
O caminhar como produção de sentidos e prática pedagógica de construção narrativa - (2023)

Reginaldo Bastos dos Santos, Maria Clara Guimaraes Ferrer Carrilho

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O presente estudo é uma reflexão sobre o ato de caminhar pela cidade enquanto produção de sentidos e como gatilho para a escrita. Para tanto, busca-se, primeiramente, desenvolver uma sintética perspectiva histórica da figura do caminhante, muito marcada pelo flâneur, e suas relações com a filosofia, com a literatura e com as artes visuais e performativas.
Ouvidos em trânsito: intervenções urbanas em aprendizagens docentes - (2023)

Tamiris Vaz

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O projeto Ouvidos em Trânsito explorou vivências imersivas em espaços da cidade pelo deslocamento, pela coletividade e pela escuta como ferramentas para pensar aprendizagens da docência junto aos sotaques, aos corpos e aos saberes heterogêneos que habitam a cidade. Após visitas de contato e mapeamento, foram realizadas conversas e entrevistas com moradores e comerciantes e propostas intervenções artísticas urbanas participativas. Essas intervenções se voltaram a subjetividades, memórias e temáticas sociais nascidas dos encontros com os fluxos urbanos, fazendo com que os conteúdos formativos emergissem das vivências com habitantes da cidade. Como parte do processo foram produzidos fanzines e diários afetivos, através dos quais discutiu-se o ver, o ouvir, o pesquisar e o produzir colaborativamente como saberes de uma docência aberta às contingências dos contextos percorridos. Da criança ao idoso, do feirante ao comerciante, do morador de rua ao morador de condomínio, os ouvidos de licenciandos transitaram por saberes múltiplos que fazem do aprender docente uma caminhada constante e permeada pelo inesperado.
Quando humanos, cães e caminhos se encontram: arte, afetos e palavras no movimento potente da vida nas ruas - (2023)

Michele Fernandes Gonçalves

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo aposta nas artes, especificamente nas intervenções de rua em formato lambe-lambe e na escrita narrativa, como formas de partilha do sensível (RANCIÈRE, 2005) e de circulação de afetos (SAFATLE, 2015; ESPINOSA, 2009) entre humanos e cães ‘de rua’ quando nela eles se encontram. Parte-se da afirmação de que há uma relação de poder (FOUCAULT, 2007), sujeição e assujeitamento entre esses viventes, adota-se a premissa de que é necessário rompê-la para acessar as potencialidades não hierarquizadas do encontro entre eles e apresenta-se uma discussão conceitual sobre como esse encontro pode, pelas sensações e sensibilidades que aí se despertam, atuar nesse rompimento, possibilitando aos segundos outras configurações espaciais e existenciais. Algumas experimentações feitas com narrativas e lambe-lambes produzidos como parte de uma pesquisa de mestrado são apresentadas.
Um caminhar multiespécies: mesas de trabalho como modos de habitar artes, educações e comunicações diante do Antropoceno - (2023)

Susana Dias

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Neste artigo busca-se pensar a potência de duas mesas de trabalho, desenvolvidas em diferentes contextos e denominadas de “Encontros com potências frágeis” e “Modos de atenção à Terra”. As mesas de trabalho são, ao mesmo tempo, uma intervenção artística urbana e uma metodologia de pesquisar-criar entre artes e ciências, desenvolvidas no âmbito do grupo multiTÃO (CNPq) e Revista ClimaCom. Interessa pensar como tais mesas de trabalho instauram um certo caminhar multiespécies e como geram novas possibilidades de habitar a educações e comunicações diante do Antropoceno.
Uma Arte/Corpo/Cidade: itinerâncias imersivas em Arte e Educação nos centros urbanos - (2023)

Margarete Sacht Goes

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Problematizar como os deslocamentos pelos centros urbanos podem ser utilizados como dispositivos de sensibilização do olhar e ativação dos ambientes de aprendizagens em arte é o objetivo deste texto. Metodologicamente, sustenta-se na pesquisa qualitativa exploratória e artográfica, por meio de dispositivos de narrativas, em que estudantes de graduação do curso de licenciatura em Pedagogia, ao participarem do projeto de pesquisa internacional “Arte na Pedagogia: Formação docente com e em Artes/Culturas”, experienciam a proposição Arte/Corpo/Cidade, na qual narram suas experiências imersivas em Arte e Educação ao andar pelos centros urbanos e equipamentos culturais da cidade de Vitória/ES. Teoricamente, fundamenta-se em Larossa (2002), Jacques (2005), Bellidson e Irwin (2013), Careri (2017), Góes (2021), Martins (2021) e Barbosa (2023). Finaliza inferindo sobre a premência de que, na formação inicial de professoras/es, a arte seja potencializada por deslocamentos pelos centros urbanos, pois as visualidades que compõem os repertórios artístico-culturais são constituídas nos mais diferentes e diversos locais de aprendizagem quando os corpos se sensibilizam para seu entorno e, ao se moverem, compreendem suas memórias, histórias e identidades culturais e reconhecem seu lugar na educação e no mundo.
Uma cidade em variações compositivas errantes - (2023)

Leandro Belinaso

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O ensaio se cria nas margens de um conjunto de artefatos culturais composto em caminhadas por uma metrópole costurada por rios, pontes, portas, ruas, gentes e histórias. Sonoridades, palavras e imagens são construídas em deslocamento pelo tecido urbano. O ensaio é o resultado do encontro do autor com uma profusão de textualidades. O texto desdobra três questões que colocam em cena indagações relativas à alteridade, aos processos de escrita e à vida dos rios. Sem produzir um fim, o ensaio deixa espaço para novas perguntas a serem tecidas por um corpo errante em caminhadas pelas cidades.
Unas Experiências de ensinar e criar em artes mais além dos muros da universidade - (2023)

Fernando Miranda

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo relata e analisa quatro experiências de formação artística em nível universitário de graduação e pós-graduação. As experiências têm em comum a ideia do interesse de um trabalho docente coletivo e interdisciplinar e postulam a possibilidade de ultrapassar o recinto físico das universidades para que os alunos intervenham criativamente no espaço público. 2.11.0.0
‘De volta pra casa’: analogias como estratégia para o desenvolvimento do pensamento crítico - (2023)

Isabel Orestes Silveira, Paula Elisa Ricardo Serafim Daré

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Este artigo parte da hipótese de que o uso de analogias pode favorecer a compreensão de conceitos, os quais necessitam ser validados em determinados campos, além de possibilitar o desenvolvimento do pensamento crítico e as formulações de conclusões e de argumentos simbólicos. Por isso, a problematização que se aventa busca tencionar as analogias possíveis para o termo “casa”. Interessa suplantar o senso comum que atribui a essa palavra o significado apenas de espaço funcional para moradia e lugar de dentro. O objetivo foi valorizar o termo, exemplificando-o como lugar de dentro e de fora, ou seja, ora como habitação, ora como possibilidade de expressão artística, ora como corpo, e ora também como casa comum, dizendo respeito ao planeta. A metodologia de natureza básica nvolveu a abordagem qualitativa com ênfase interdisciplinar ao dialogar com teóricos de diferentes áreas: Carl G. Jung favorece a reflexão numa perspectiva psicológica; já outros, como Edgar Morin, compreendem a vida como um grande tecido entrelaçado, de forma que - juntamente com Marc Augé ampliam a relação entre a humanidade, seu meio e entorno. Por seu turno, Salles e Ostrower embasam as teorias sobre os processos criativos, a linguagem da arte e o uso imagético para representar os sintomas expressos no homem e em seu meio ambiente.
“Páginas encadernadas que contêm histórias”: do livro ao Livro de Artista na disciplina de Arte - (2023)

Natalia Comerlatto Ribacki, Michelle Coelho Salort, Felipe Pergher

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O artigo investiga de forma teórico-prática as possibilidades criativas do livro de artista, por meio de uma experiência realizada no Componente Curricular Arte, em uma turma de oitavo ano do Ensino Fundamental de Garibaldi — RS. Por isso,  versa de forma sintética o conceito de Livro de Artista.  Para o estudo, foram apresentadas obras de artistas que trabalharam com esse meio para os estudantes, que foram instigados a explorar livros antigos, obtidos de uma pilha de descarte, como suporte para a criação artística. O resultado da atividade foram quatro livros de artista desenvolvidos coletivamente pelos estudantes, que posteriormente foram expostos em um ambiente de circulação da escola. Foram discutidas, também, as implicações que esta atividade trouxe à percepção dos estudantes sobre o livro enquanto objeto e instituição.
“Vai rolar festa na escola!” Cotidianos escolares: arte, estética e coletivo - (2023)

Aldo Victorio Filho, Edivan Carneiro de Almeida

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. O este artigo trata do conhecimento da vida escolar em suas relações com as Artes e demais manifestações culturais nas quais a energia estética é predominante. Consideramos estas relações no panorama ampliado dos trânsitos dentro/fora escola/cidade. A escola na qual se deu a pesquisa se destaca tanto nas semelhanças quanto nas diferenças meio ao universo escolar e em sua singularidade nas relações com a cidade. Como tantas, porosa e receptiva a tudo que acontece na cidade mundo, a despeito de marcas precisas - pública e de uma cidade do interior - floresce em seus modos de fazer, modos de existência cotidiana absolutamente em sintonia com a atualidade das culturas juvenis. A proposta investigativa aplicada, pesquisa do e com os cotidianos escolares, evidencia seus protagonistas, os discentes e a dedicação de seus docentes, na invenção cotidiana da escola em seus fundamentais aspectos poéticos.
“Vale uma foto?”: crianças e seus olhares sobre cidades do interior paulista por meio da fotografia e de exposições fotográficas - (2023)

Ana Paula Cordeiro, Luciana Aparecida de Araujo, Cleriston Izidro dos Anjos

Volume: 16 - Issue: 1

Resumo. Mediante revisão de literatura e trabalho de campo, este artigo tem como objetivo apresentar algumas considerações relacionadas às temáticas das crianças, suas percepções sobre as cidades e espaços urbanos por meio da formação estética e da Arte. A partir de trabalhos realizados no campo da Arte, mais precisamente da fotografia, aborda questões voltadas aos espaços urbanos, suas peculiaridades, as possibilidades de experiências estéticas e sociais e o olhar das crianças para o que tais espaços oferecem. Apresenta registros de experiências ligadas ao campo da fotografia, as percepções das crianças em relação às imagens e a espaços urbanos, por meio de saídas fotográficas e visitas a exposições de fotografia. Com essa discussão, pretende-se demostrar que, por meio da Arte e da formação estética, é possível pensar as cidades e espaços urbanos como locais mais passíveis de humanização, de um “habitar” mais saudável, para além das meras necessidades de produção.
A (in)visibilidade da interculturalidade em um Curso de Licenciatura em Música - (2022)

Eli de Matos Araujo, Jéssica de Almeida

Volume: 15 - Issue: 0

Resumo. Este artigo tem o objetivo de apresentar resultados parciais de uma pesquisa de mestrado que analisou como discentes de um Curso de Licenciatura em Música do Norte do Brasil desenvolvem, em suas práticas acadêmico-docentes, uma perspectiva de educação musical intercultural. Para tanto, toma-se como pressupostos as considerações de Walsh (2012) e Queiroz (2004) sobre a interculturalidade, embebidas de princípios decoloniais, e a necessidade de se repensar a formação acadêmico-docente em uma concepção de educação musical abrangente, que atenda demandas da sociedade contemporânea e que faça ouvir, também, conhecimentos musicais não hegemônicos. Para isso, a referida pesquisa foi desenvolvida através de uma abordagem qualitativa de fundamento fenomenológico a partir de pesquisa documental e da realização de entrevistas com três acadêmicos, orientando-se pela análise de conteúdo (BARDIN, 2011). Neste recorte, enfoca-se os resultados parciais da pesquisa documental esperando contribuir com a formação docente para o ensino de música embasada na perspectiva intercultural.
A arte e os blocos de sensações: as experimentações e a criação não representativa - (2022)

Thaís Thaianara Oliveira da Costa, Rafael Christofoletti

Volume: 15 - Issue: 0

Resumo. Este texto é parte de uma pesquisa de mestrado que se configura com experimentações artísticas e rodas de conversas com alunos, professoras e professores da rede pública municipal de Porto Velho, Rondônia. Tem como objetivo principal discutir como se articula o ensino de arte nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Para essa conversa, são convidados autores das filosofias da diferença pelas obras de Deleuze (1981), Deleuze e Guattari (2010) e Lins (2008, 2012), que atravessam a todo o momento, compondo com as experimentações artísticas que se movimentam, navegam e transbordam em pensamentos reverberantes, se despindo dos métodos e possibilitando outros modos de fazer pesquisa. Assim, o processo de criação se mostrou potente quando realizado coletivamente, sem direcionamentos e movimentos pré-definidos. Apresentaram-nos um cotidiano escolar permeado por acontecimentos, fugas das regras e aprisionamentos que estratificam a potência da arte, fugindo às tentativas de controle e se compondo com os blocos de sensações no processo de criação artística.
A criação da Escola de Artes Fritz Alt e da Escolinha de Artes Infantis na cidade das indústrias - (2022)

Juliana Rossi Gonçalves, Taiza Mara Rauen Moraes

Volume: 15 - Issue: 0

Resumo. O presente artigo é decorrente de uma pesquisa documental e bibliográfica sobre a criação da Escola de Artes Fritz Alt (EAFA), localizada em Joinville (SC), como uma das ações do movimento de industrialização ocorrido na cidade nas décadas de 1960 e 1970. O estudo desvela que no referido período histórico circulou um discurso desenvolvimentista mobilizado para justificar a criação da Escola. Por sua vez, a Escolinha de Artes Infantis (EAI) foi criada dentro da EAFA em 1970, como um reflexo do Movimento Escolinhas de Arte (MEA) do Brasil, o qual se constituiu por meio da criação de várias escolinhas de arte em todo o território brasileiro, que se transformaram em ateliês de produção artística para crianças. A EAFA, bem como a EAI, é subsidiada pela prefeitura municipal e resiste há mais de 50 anos em uma cidade industrial, apesar dos mo(vi)mentos de tensão e de lutas de seus artistas-professores, funcionários e alunos.