Revista Catarinense de Economia

(112 Artigos indexados)

DESEMPENHO GEOECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO E CATARINENSE PÓS-2003 - (2024)

Carlos José Espíndola, Roberto César Costa Cunha

Volume: 7 - Issue: 1

Resumo. Os agronegócios brasileiros e catarinenses desempenham importante papel na economia brasileira e mundial. O PIB do agronegócio brasileiro a preços correntes cresceu de R$ 523,6 bilhões, em 2003, para R$ 1,9 trilhão de reais, em 2020. Em termos de Valor Bruto da Produção (VBP), enquanto as lavouras geraram em 2021, R$ 688,3 bilhões, a pecuária gerou R$ 314,4 bilhões. Nas exportações, que passaram de US$ 21 bilhões, em 2000, para US$ 96,8 bilhões em 2019, o que corresponde a 43,2% do total exportado e resultou em um saldo de R$ 83 bilhões. O estado de Santa Catarina, com 183 mil estabelecimentos agropecuários e 502 mil pessoas ocupadas, apresentou em 2021, um VBP agropecuária uma receita de R$ 42,6 bilhões, sendo 33,3% referentes às lavouras e 66,3% referente à pecuária. Entre 2003-2020, o VBP da agropecuária catarinense apresentou um crescimento da ordem de 2,7 vezes. As exportações do agronegócio catarinense representaram em 2020, 5,7% das exportações do agronegócio brasileiro e 68,3% das exportações totais catarinense. De um total de US$ 10,3 bilhões, gerado pelo estado em 2020, o agronegócio contribuiu com US$ 1,59 bilhões com a exportação de carne de frango, US$ 1,32 bilhões de carnes de suínos e US$ 669,9 milhões, com a soja. Este texto objetiva apresentar o desempenho geoeconômico dos agronegócios brasileiros e catarinenses no período pós 2003. Na elaboração do texto, optou-se pela abordagem exploratória via levantamento bibliográfico, documental e estatísticos relativo à temática exposta. Fruto do processo de modernização da agropecuária iniciada nos anos 1960, os diferentes agronegócios passaram por profundas transformações técnico-econômicas que se manifestaram ainda nos anos de 1990 e pós 2003. O desempenho favorável dos indicadores econômicos contrastou com o declínio da área de pastagens e da área plantada das lavouras temporárias e permanentes. O crescimento da produção das lavouras e da pecuária catarinenses explica-se igualmente pelo aumento da produtividade e a crescente inserção no mercado internacional.
DESMATAMENTO NA AMÉRICA DO SUL: UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA DA RELAÇÃO ENTRE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, URBANIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO HUMANO - (2024)

Thiago Santos da Silva

Volume: 7 - Issue: 1

Resumo. O desmatamento é uma grave questão ambiental, que impacta negativamente a biodiversidade e compromete o bem-estar das gerações futuras. Nesse contexto, este artigo propõe investigar a relação entre a perda de áreas florestais, a produção de cereais e o crescimento da população urbana na América do Sul, por meio de uma análise econométrica. Os resultados apontam que a produção de cereais e o crescimento urbano contribuem para o desmatamento, enquanto o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que considera educação, longevidade e renda, tem um efeito positivo na preservação das florestas. Essas evidências têm importantes implicações para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a promoção do desenvolvimento sustentável. Portanto, este trabalho contribui para o debate sobre a importância da conservação das florestas primárias como meio de garantir o crescimento econômico de forma ambientalmente responsável.
ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL EM SANTA CATARINA: DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE MARCAS COLETIVAS CATARINENSES - (2024)

Ivoneti da Silva Ramos, Mateus Tiago Huinka, Valério Alécio Turnes

Volume: 7 - Issue: 1

Resumo. O desenvolvimento territorial tem se apresentado como alternativa à mudança do cenário econômico de diversos municípios localizados fora de grandes circuitos comerciais e que foram desfavorecidos pelos processos competitivos desencadeados na segunda metade do século XX. Dentre as estratégias de desenvolvimento, a valorização da identidade territorial por meio dos sinais distintivos coletivos se apresenta como uma oportunidade para gerar renda e estimular a economia local. Este trabalho tem como intuito apresentar um mapeamento das marcas coletivas existentes em território catarinense e que estejam em operacionalização comercial. Nesta perspectiva, o objetivo geral consiste em apresentar a distribuição espacial das marcas coletivas registradas em Santa Catarina, que estejam em circuitos comerciais, fornecendo um material inicial para futuras pesquisas sobre o tema. A pesquisa foi delineada como estudo exploratório, complementada por pesquisa bibliográfica, com coleta de dados em fontes primária e secundária. Os principais resultados do trabalho apontaram para a existência de 32 marcas coletivas, com efetiva operacionalização, distribuídas de maneira mais evidente nas mesorregiões do Oeste Catarinense (50%) e Norte Catarinense (21,9%). Na mesorregião do Vale do Itajaí encontram-se 12,5% das marcas coletivas estudadas. As mesorregiões Sul Catarinene e Serrana possuem o mesmo quantitativo de marcas coletivas em circuitos comerciais (6,3%). A mesorregião da Grande Florianópolis possui apenas uma marca coletiva (3%). A distribuição espacial mostra a concentração nas áreas mais distante dos grandes centros de comercialização, corroborando com a teoria. Mas ressalta-se que todas as mesorregiões apresentam pelo menos uma marca coletiva, o que indica que o tema tem espaço nas agendas regionais em Santa Catarina. Destaca-se que os municípios de São Miguel do Oeste, Chapecó e Joinville possuem mais de uma marca coletiva em seu território, o que pode gerar novas pesquisas para entender os fatores competivivos e a participação no mercado local. O estudo também demonstrou um grande desafio no que se refere à identificação do tema no território catarinense, o que abre espaço para pesquisas futuras.
O ACORDO DE PLAZA E A DINÂMICA DAS ECONOMIAS ASIÁTICAS ENTRE 1980-1990: UMA COMPARAÇÃO COM A AMÉRICA LATINA PELA PERSPECTIVA JAPONESA - (2024)

Mariana Vieira Soares

Volume: 7 - Issue: 1

Resumo. O Acordo do Plaza aconteceu em Nova Iorque em setembro de 1985 e contou com a participação do G-5, as 5 maiores economias industrializadas do mundo que concordaram em depreciar o dólar americano. Desde o início dos anos 80, o Federal Reserve optou por política monetária restrita, ao mesmo tempo que investia em uma política fiscal expansionista no governo Reagan entre 1981-1984. Essas medidas resultaram em uma alta valorização do dólar, pressionando a indústria manufatureira americana. Com isso, o Japão foi pressionado a valorizar o iene frente ao dólar. Nessa pesquisa, o objetivo é analisar o desenvolvimento econômico proporcionado pela estratégia do Japão após o Acordo de Plaza em 1985 e como tornou as economias do Leste da Ásia mais dinâmicas que as da América Latina no contexto internacional a partir de 1985. É a partir desse acordo que o Japão passa a ser um protagonista na expansão econômica da região, responsável, por exemplo, por mudanças estruturais de deslocamento de capital e produção pelo Leste e Sudoeste da Ásia. Por meio de análises históricas e desenvolvimentistas, será possível identificar as características decorrentes do acordo que possibilitaram à Ásia sua participação expressiva na economia mundial e entender motivos regionais, macroeconômicos e políticos para que economias latino-americanas não tenham percorrido o mesmo caminho. O Acordo de Plaza, 38 anos depois, ainda contribui na compreensão das economias da América Latina, que a partir de 1985, foram desenvolvendo uma trajetória diferenciada, composta por economias majoritariamente primário exportadoras, com infraestrutura deficitária tecnologicamente e vulneráveis às necessidades da demanda mundial.
PRODUÇÃO TÊXTIL E DE VESTUÁRIO NO MÉDIO VALE DO ITAJAÍ (SC) PERANTE OS DESAFIOS DA COVID-19 - (2024)

Hoyêdo Nunes Lins, Patricia Loch Kleinubing

Volume: 7 - Issue: 1

Resumo. A pandemia da Covid-19 forçou governos a adotar medidas rigorosas para conter o vírus, como interrupções duradouras de atividades. Em sistema de produção globalizada que evoca uma engrenagem com peças articuladas, essas medidas tiveram importantes consequências na economia mundial, afetando diversos setores em diferentes lugares. Este estudo focaliza os efeitos dessa conjuntura em atividades de produção têxtil e de vestuário no Médio Vale do Itajaí (MVI), incluindo a maneira como empresas reagiram às adversidades. Pesquisa bibliográfica e documental e, principalmente, pesquisa direta por meio de entrevistas embasaram o trabalho. A pesquisa direta logrou levantar dados e informações junto a sete empresas associadas ao Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (SINTEX), embora o questionário eletrônico fosse disponibilizado para todas. O trabalho mostra que atividades têxteis e vestuaristas locais foram bastante atingidas, impondo dificuldades em termos de comercialização e de importação de insumos e matérias-primas, em linha com o observado em diferentes experiências no Brasil e no exterior. As reações das empresas abrangeram mudanças nos seus processos de comercialização, com avanço na digitalização e nas relações com clientes, e tentativas de redesenhar linhas de suprimentos, explorando possibilidades nacionais e estrangeiras quanto a fornecedores e novos produtos. Uma escassa “projeção” regional nesses termos foi informada, embora o MVI abrigue um importante e histórico cluster têxtil-vestuarista. Também rarefeitas foram as interações locais indicadas, quer interempresariais ou entre empresas e instituições, sobre tentativas para encaminhar o enfrentamento dos problemas criados ou agravados pela pandemia.
A TRAJETÓRIA DA COOPERATIVA PRIMA DO RIO MAIOR DE URUSSANGA ESTADO DE SANTA CATARINA - (2023)

Caroline da Graça Jacques, Dimas de Oliveira Estevam, Gabriel de Souza Bozzano

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. O movimento cooperativo teve início no país, em 1847, com a criação da Colônia Tereza Cristina, no Estado do Paraná. Posteriormente, na localidade de Palmital, atual município de Garuva/SC. Na segunda metade do século dezenove, começaram a surgir, em todo o país, iniciativas cooperativistas que aos poucos passaram a abranger quase todos os setores socioeconômicos. Várias iniciativas surgiram, como em Campinas/SP (1887), Ouro Preto/MG (1889), Limeira/SP (1891), Rio de Janeiro/RJ (1894), Camaragibe/PE (1895), entre outras, que contribuíram para a disseminação do cooperativismo no Brasil. No século XX, comunidades cooperativas foram criadas por imigrantes europeus, especialmente no Sul do país, nos moldes de seus países de origem, na tentativa de mitigar os problemas advindos do acesso ao consumo, crédito e de produção. Foi nesse contexto que em 1909, descendentes de imigrantes italianos, radicados no sul de Santa Catarina, fundaram a Cooperativa Prima do Rio Maior (Cooperprima), localizada na comunidade de Rio Maior, no município de Urussanga/SC. Neste sentido, o presente artigo tem por objetivo traçar a trajetória da Cooperprima de Urussanga/SC. Como procedimento metodológico, a pesquisa foi qualitativa, com base em análise de documentos e uma entrevista. Os resultados da pesquisa mostraram que a Cooperprima era composta, incialmente, por quarenta e cinco sócios chegando a 120 cooperados, atuava no setor agropecuário, sobretudo na produção e no comércio de banha porco, comercializada na cidade do Rio de Janeiro, trazia de lá, sal, café, açúcar, tecidos e ferramentas. A Cooperativa funcionou durante o período de 1909 a 1923, sendo considerada pela OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) uma das pioneiras do cooperativismo catarinense.
ANALYSIS OF THE INTERACTIONS BETWEEN THE NATIONAL SERVICE FOR INDUSTRIAL TRAINING INNOVATION INSTITUTES AND COMPANIES OF SANTA CATARINA FOR INNOVATIVE DEVELOPMENT - (2023)

Gabriela Crippa, Silvio Antônio Ferraz Cário, Paola Azevedo

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. This study aims to analyze the interaction of research institutes and companies in their institutional and innovative aspects, from the study on the National Service for Industrial Training (SENAI) Innovation Institutes in Santa Catarina and companies. The neo-Schumpeterian perspective and its analytical framework of the innovation system and processes of knowledge generation, learning, and routines were adopted as theoretical basis. This is a descriptive research with a qualitative approach, developed from data obtained through an integrative, documentary research and carrying out a case study. The data sample consisted of industrial companies in Santa Catarina that completed innovation projects throughout 2017 and the first half of 2018 with more than 100 hours of services provided by the SENAI Innovation Institutes. The main conclusions of this research fall on the sharing of knowledge transferred from the institutes to the companies through meetings, technical reports, videos, and documents; occurrence of different forms de learning, as well as routine procedures, changes in processes, and development of physical systems in the projects carried out. Innovations resulting from the established institutional interactions appear as incremental.
Apresentação – RCE Volume 6, número 2/2022 - (2023)

Alcides Goularti Filho, Fábio Farias de Moraes, Liara Darabas Ronzani

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. Apresentamos mais um número da Revista Catarinense de Economia ao leitor e à comunidade acadêmica. A edição traz alguns dos trabalhos com maior impacto nas discussões promovidas no âmbito da XVI Encontro de Economia Catarinense, bem como outros trabalhos de grande relevância para as pesquisas em economia no estado. Além disso, mantemos a editoração de uma seção especial, em que trazemos um texto clássico sobre a economia de Santa Catarina, proporcionando acesso fácil a importantes referências para estudos na área. Na edição que segue, a RCE contempla os resultados das pesquisas de Andréia do Prado Bueno e Ricardo Lobato Torres, sobre Desigualdade de gênero e mercado de trabalho em Santa Catarina no contexto da pandemia de COVID-19; Ana Carolina Tedesco, sobre Estrutura produtiva de Santa Catarina: uma análise de insumo-produto; Gabriela Crippa, Silvio Antônio Ferraz Cário e Paola Azevedo, com Analysis of the interactions between the national service for industrial training innovation institutes and companies of santa catarina for innovative development; Samuel Henrique Colombo da Luz, sobre a Trajetória inicial da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS) (1994-2010); Valmor Schiochet, Valdir da Silva e Jonas Gabriel da Silva Ribas, sobre O processo de industrialização em Blumenau e sua relação com o cooperativismo: o caso da Cia. Hering, e; Caroline Jacques, Dimas de Oliveira Estevam e Gabriel de Souza Bozzano, sobre A trajetória da Cooperativa Prima do Rio Maior de Urussanga estado de Santa Catarina. Na sessão "Clássicos da Economia Catarinense", apresentamos o texto Indústria, do Professor Dr. Armen Mamigonian. Esse texto foi publicado no Atlas de Santa Catarina, de 1986, e tornou-se uma referência para os estudos sobre a formação da economia catarinense. Mesmo datado, o texto continua sendo uma importante contribuição para pensarmos questões recentes da economia regional. Fundado em seus estudos clássicos, Mamigonian reforça sua interpretação autoral sobre o papel desempenhado pela pequena produção mercantil na constituição dos setores dinâmicos da indústria regional catarinense.
DESIGUALDADE DE GÊNERO E MERCADO DE TRABALHO EM SANTA CATARINA NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19 - (2023)

Andréia do Prado Bueno, Ricardo Lobato Torres

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. A desigualdade entre mulheres e homens sempre esteve presente em todas as esferas da sociedade, mas a crise econômica sanitária produzida pela pandemia de COVID-19 alavancou essa problemática, expondo as mulheres a um sistema de dupla jornada infindável nos lares brasileiros. O fato de a mulher ser a principal responsável pela manutenção do maior sistema econômico do mundo (capitalismo) deveria torná-la centro desse sistema, com garantias civis e econômicas estritamente definidas, mas o que acontece é o oposto: o mainstream econômico subjuga a mulher a posições inferiores, produzindo e reproduzindo condições de subalternidade em razão de sua necessária dedicação à reprodução e aos cuidados que a permeiam. De encontro a essas concepções se insere a Economia Feminista, principal responsável pelas críticas à ortodoxia econômica e à divisão sexual do trabalho. É nesse contexto que este artigo se insere, perpassando um recorte pelo estado catarinense que possui alguns dos melhores indicadores socioeconômicos do Brasil. Compreender em qual espaço econômico a mulher catarinense está inserida e quais as configurações do mercado de trabalho catarinense para homens e mulheres é o principal objetivo desta pesquisa. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua é a principal fonte de dados do estudo, considerando um panorama pré e pós-pandêmico que afetou sobremaneira as mulheres. Os principais achados não são novidade: embora o estado esteja entre os melhores em qualidade de vida do país, as catarinenses enfrentam os mesmos problemas de outras brasileiras: salários desiguais, profissões estereotipadas, maior taxa de desocupação, menor ocupação de espaços de decisão e sobrecarga de afazeres domésticos. Enquanto isso, são mais escolarizadas que os homens, são maioria em idade para trabalhar e possuem a melhor taxa de ocupação nacional. Isso mostra que os problemas enfrentados pelas mulheres são quase que universais, atribuídos pelo fato de nascer e de ser mulher, de sustentar todo um sistema econômico que a relega ao espaço privado do lar.
ESTRUTURA PRODUTIVA DE SANTA CATARINA: UMA ANÁLISE DE INSUMO-PRODUTO - (2023)

Ana Carolina Tedesco

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. Este artigo tem como objetivo contribuir com a literatura regional de Santa Catarina analisando a estrutura produtiva do estado por meio da abordagem de insumo-produto. Para ter uma visão detalhada da economia do estado e conhecer os pontos fortes e fracos de sua estrutura produtiva, emprega-se os geradores de produção, emprego e renda, somados aos índices de ligação de Hirschman e Rasmussen e a índices puros de ligação normalizados. As atividades econômicas de Santa Catarina com maiores valores para os geradores de produção, emprego e renda foram, respectivamente, Refino de petróleo, Pecuária e Educação pública. Os principais setores-chave no encadeamento produtivo do estado foram Transporte terrestre e Fabricação de Produtos têxteis. Destaca-se o fato de que a relação de Santa Catarina com o Resto do Brasil é mais intensa do que a relação intraestadual de Santa Catarina.
INDÚSTRIA - (2023)

Armen Mamigonian

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo.      
O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO EM BLUMENAU E SUA RELAÇÃO COM O COOPERATIVISMO: O CASO DA CIA. HERING - (2023)

Valdir da Silva

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. O processo de industrialização de Blumenau tem sido objeto de análise em muitas pesquisas desenvolvidas, considerando diversos enfoques e hipóteses de trabalho. A partir da década de noventa do século passado, chamou à atenção as profundas mudanças que a (des)reestruturação produtiva provocou no setor têxtil e de confecção, afetando diretamente as relações entre capital e trabalho na região. Estudos publicados identificaram uma articulação entre reestruturação do setor e proliferação do cooperativismo de trabalho. Em verdade, a crise do final da década de 1980 representou a substituição da tradicional relação empresas - cooperativas de crédito e consumo (que se autonomizaram na década seguinte) pela relação empresas - cooperativas de trabalho. Portanto, a articulação entre processo de industrialização e cooperativismo é uma característica do desenvolvimento do setor têxtil e de confecção, e assim, é plausível considerar que o processo de industrialização e acumulação de capital em Blumenau foi permeado por uma profunda articulação das grandes empresas capitalistas com o cooperativismo de crédito e de consumo, num primeiro momento e com as cooperativas de trabalho após a crise dos anos de 1980. A criação, expansão e transformações das cooperativas de consumo e de crédito de trabalhadores do setor têxtil e de confecção, devem ser entendidas como processos fundamentais na análise do modelo de industrialização aqui desenvolvido, em especial, das relações entre capital e trabalho. A partir desta hipótese, este é um estudo preliminar e exploratório com o objetivo de descrever os processos das grandes empresas de Blumenau envolvendo a criação, manutenção e consolidação de cooperativas de crédito e de consumo. Para tanto, utilizamos o caso da Cia. Hering, que foi responsável pela criação das duas maiores cooperativas de crédito e consumo na região. O objetivo deste artigo é descrever o processo de criação, expansão e desligamento entre a Cia. Hering e as cooperativas.
TRAJETÓRIA INICIAL DA COMPANHIA DE GÁS DE SANTA CATARINA (SCGÁS) (1994-2010) - (2023)

Samuel Henrique Colombo Da Luz

Volume: 6 - Issue: 2

Resumo. Esse artigo tem como objetivo discutir os serviços de distribuição de gás no horizonte de 1994 a 2010, com foco na Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS), a qual foi fundada oficialmente em 1994 e teve suas atividades iniciadas no ano 2000. O gás natural é um combustível fóssil. Ele foi a matriz energética com maior expansão de consumo no século 20, no Brasil, impulsionada por sua versatilidade. No Brasil, a Constituição Federal exige que os Estados da Federação sejam responsáveis pela exploração dos serviços locais de gás canalizado, sendo a SCGÁS a concessionária de sua distribuição em Santa Catarina. A metodologia utilizada foi a exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, além da utilização de fontes bibliográficas e documentais. O método de análise foi o materialista histórico-dialético. Para a realização do artigo, foram utilizadas livros, artigos, teses, legislação sobre gás natural, sites e relatórios administrativos da SCGÁS. O estudo faz referência ao Estado e ao desenvolvimento, por se tratar de uma pesquisa sobre a história de uma empresa estatal inserida em um sistema estatal de Santa Catarina. Como resultado, podem-se inferir alguns pontos principais como a intervenção do Estado através da criação da estatal como solução apresentada para que o gás natural pudesse ser ofertado no Estado. E em um segundo momento, verificou-se que os resultados financeiros se expandem positivamente, consolidando e demonstrando que a gestão bem administrada pelo Estado se transformou em uma empresa estatal, que pode expandir suas funções e ser um fator de desenvolvimento socioeconômico, além de um instrumento da política econômica.
ANÁLISE DO REGIME DE METAS DE INFLAÇÃO NO BRASIL NO PERÍODO DE 1999 A 2018 - (2023)

Júlia Rodrigues Mauad, Pedro dos Santos Portugal Júnior

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. Este trabalho demonstra o processo de implementação do regime de metas de inflação no Brasil. Tal abordagem se justifica devido aos longos períodos de instabilidade econômica que o Brasil viveu ao longo desses anos, o que implica diretamente nos aumentos dos preços de bens e serviços. O propósito desse estudo é analisar se com a implementação do RMI (Regime de Metas para Inflação) no ano de 1999 o Banco Central do Brasil obteve sucesso com os resultados traçados. Para cumprir tal objetivo, será realizada uma pesquisa do tipo exploratória, utilizando procedimentos de análise bibliográfica e documental. Por meio da análise realizada verificou-se que a política econômica implantada em 1999 obteve relativo sucesso em assegurar a credibilidade dos agentes econômicos e consequentemente controlar a inflação do país como o RMI pretendia alcançar.
ASPECTOS GERAIS DA FORMAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL DA REGIÃO OESTE CATARINENSE - (2023)

Eduardo von Dentz, Carlos José Espíndola

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. O objetivo desse texto é apresentar os principais aspectos constituidores da formação econômica e social do Oeste catarinense até 1960. Esse objetivo leva em consideração, ainda que de maneira incipiente, alguns elementos que fazem parte da transição do complexo rural para o complexo agroindustrial, bem como os principais fatores responsáveis pela consolidação dos agronegócios específicos na região. Dessa forma, o Oeste catarinense está inserido no contexto físico geográfico do estado de Santa Catarina que lhe confere um planalto levemente ondulado com terras possíveis de serem aproveitadas parcialmente para agricultura, com temperaturas médias anuais de aproximadamente 21°C, mas com elevada amplitude térmica. Essas características naturais proporcionaram o desenvolvimento de riquezas naturais, como a madeira e a erva-mate, que foram utilizadas como primeira fonte de renda de muitos imigrantes, as quais serviram de aproveitamento comercial para as empresas colonizadoras que dividiram e comercializaram em forma de lotes as terras na região – muitas delas de capital internacional e outras de capital nacional. Entretanto, depois do retalhamento da região em pequenos lotes, ao mesmo tempo em que os imigrantes aproveitavam o que sobrou da madeira e da erva-mate, iniciou-se o desenvolvimento da produção de grãos e animais nas pequenas propriedades rurais que funcionavam em forma de pequena produção mercantil. O extrativismo, principalmente madeireiro, serviu para um primeiro momento de acumulação que mais tarde se desdobrou na ampliação da capacidade produtiva dos segmentos agropecuários. Ademais, a pequena produção mercantil da região permitiu a ocorrência de um intenso processo de comercialização local-regional, até 1960, dos seus produtos. Neste sentido, para atingir o objetivo do texto, utilizou-se, principalmente, de dois procedimentos metodológicos: 1) levantamento bibliográfico e alguns dados histórico-geográficos; 2) organização da bibliografia e dos dados levantados em forma das ideias contidas nesse artigo.
Editorial - (2023)

Fabio Farias de Moraes, Alcides Goularti Filho

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. Editorial
IDENTIFICAÇÃO DE CLUSTERS INDUSTRIAIS: UM ESTUDO QUANTITATIVO DA MICRORREGIÃO DA AMARP, SANTA CATARINA - (2023)

Amably Cristina Platen, Leandro Hupalo

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. O presente estudo tem como objetivo identificar a existência de clusters industriais na região do Alto Vale do Rio Peixe (AMARP), utilizando metodologia baseada em critérios de especialização, participação e densidade da região selecionada. Caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem predominantemente quantitativa, com objetivos estabelecidos característicos de pesquisas descritivas, e procedimentos típicos de uma pesquisa de levantamento. Os resultados da pesquisa identificaram a existência de diversos clusters na Microrregião da AMARP, sendo que entre os municípios analisados, Caçador, Fraiburgo e Videira se destacam pela coexistência de múltiplos clusters, e Pinheiro Preto por um cluster de bebidas alcóolicas. O estudo aponta ainda que o cluster industrial da microrregião analisada é formado, majoritariamente, por micro e pequenas empresas que, em conjunto com grandes e renomadas empresas de porte internacional, promovem desenvolvimento socioeconômico local e regional. A pesquisa aponta ainda, que há uma defasagem considerável de escolaridade entre a força de trabalho dos municípios participantes do estudo, fator este que pode impactar significativamente o desenvolvimento econômico de longo prazo da região.
KLABIN S/A E AS PRÁTICAS ADOTADAS NO ÂMBITO DA SUA GESTÃO AMBIENTAL PROATIVA - (2023)

Angelo Brião Zanela,

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. O principal objetivo deste trabalho foi apresentar as práticas ambientais proativas adotadas pela Klabin S/A no período de 2014 a 2020. A análise efetuada a partir dos relatórios anuais e de sustentabilidade disponibilizados pelo acervo empresarial, permitiu a identificação de investimentos permanentes que apontam para o controle dos custos, a busca pelo lucro líquido e a criação de valor em um ambiente organizacional mantido em constante transformação e crescimento. Ao final desta pesquisa, observou-se que ao tentar ir além do que é exigido pela legislação ambiental vigente, a empresa estudada foi capaz de adotar práticas ambientais voluntárias de grande importância nos tempos atuais. E que além de promover um forte alinhamento estratégico entre gestão organizacional e melhorias ambientais, grande parte das práticas ambientais proativas adotadas estiveram de acordo com as exigências da sociedade em torno das causas ambientais. Ademais, a empresa também percebeu que é preciso promover, continuamente, ações voluntárias direcionadas à preservação do meio ambiente, antes mesmo de entender que a produção verde é lucrativa.
MENSURANDO O IMPACTO DOS SETORES DE PRODUÇÃO NA RENDA PER CAPITA DOS MUNICÍPIOS DE SANTA CATARINA: UMA ANÁLISE ECONOMÉTRICA - (2023)

Luan Marca, Marco França

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. O objetivo desse estudo consiste em mensurar por meio de modelos de regressão de dados em painel, o grau de associação entre o valor adicionado bruto setorial (VAB) e a renda per capita. Para isso, foi conduzida uma pesquisa com os 295 municípios do Estado de Santa Catarina no período 2010-2014. Como método, optou-se pelo desenvolvimento de modelos de regressão de dados em painel (pooled, within, random), para a verificação do grau de associação entre as variáveis PIB per capita (variável dependente), indústria, serviços e agropecuária (variáveis independentes). Os dados referentes as séries VAB e renda per capita foram obtidos por meio do banco de dados da Secretaria de Estado do desenvolvimento econômico sustentável de Santa Catarina (SEDES). Os resultados obtidos apontam para relevância do setor industrial no que tange à geração de riqueza nos municípios analisados, haja visto que, dos três setores analisados, foi o único que apresentou efeitos positivos em relação à variável resposta (renda per capita). Os setores agropecuário e de serviços apresentaram efeitos negativos estatisticamente significantes. Verificou-se também, por meio de testes econométricos, que o modelo de efeitos fixos é mais eficiente para o proposito definido quando comparado aos outros. A principal contribuição desta pesquisa consiste no uso do modelo de dados em painel para estimar parâmetros em agregados de PIB de um estado da federação (SC). Além disso, o artigo foi redigido com a ferramenta R markdown (RStudio), que permite que os códigos R sejam incorporados ao texto. Dessa forma, a pesquisa também pode ser utilizada como tutorial de regressão em R.
Minas de carvão de pedra de Santa Catarina - (2023)

Jules Parigot

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo.
ROUBA, MAS FAZ? CORRUPÇÃO, DESIGUALDADE DE RENDA E POBREZA NO BRASIL - (2023)

Fernando Ribeiro de Oliveira

Volume: 6 - Issue: 1

Resumo. Este trabalho objetiva analisar a natureza da corrupção no âmbito político-governamental e mensurar os efeitos desse fenômeno sobre os indicadores de desigualdade de renda e pobreza dos estados brasileiros, no período de 2011 a 2015. Para tanto, foram testados dois modelos de regressão com dados em painel e, com o propósito de evitar o problema de endogeneidade, emprega-se o método de mínimos quadrados em dois estágios com uso de variáveis instrumentais. Os resultados obtidos detectaram que os níveis de pobreza aumentam à medida que a incidência de corrupção é maior, trazendo uma implicação importante: as políticas públicas voltadas para contenção e combate à corrupção também contribuem para a redução dos níveis de pobreza.
A A PANDEMIA DA COVID-19 E OS NOVOS PARADIGMAS DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO - (2022)

Vanuzia Silva,

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. A educação superior brasileira está passando por um momento peculiar em sua história. A pandemia da COVID-19 fez com que as Instituições de Ensino Superior (IES) alterassem o modus operandi da sua estrutura acadêmica e a transpusesse para ambientes virtuais. Esse movimento trouxe para as universidades um grande desafio de imersão tecnológica o qual, fosse condizente com a sua realidade estrutural e do seu corpo docente e discente. Para isto, estas instituições passaram a formular estratégias buscando suplantar a criticidade do período, introduzindo o Ensino Remoto Emergencial (ERE) aliado ao uso de ferramentas tecnológicas como Microsoft Teams, Google Meet. etc., que passaram de instrumentos de apoio pedagógico a ferramentas cruciais na manutenção do ensino ou, migrando para um ambiente de aprendizado à distância. O uso destas estratégias foi um marco ao revelar qual era o grau tecnológico das IES públicas e privadas e o olhar que estas instituições possuíam no cenário anterior ao advento da pandemia, sobre a inserção virtual no ambiente acadêmico além de apontar um marco histórico que produziu e produzirá efeitos sobre os pilares da universidade de ensino, pesquisa e extensão. Deste modo, este artigo analisa como a educação superior em ambientes virtuais no Brasil vem ocorrendo e como crise pandêmica afetou as universidades de modo a trilharem caminhos que perpassam a Educação à Distância (EAD) e o Ensino Remoto Emergencial, apresenta-se também uma discussão se essas estratégias ficarão apenas no período pandêmico ou se elas passarão de emergencial para essencial nos currículos acadêmicos pós pandemia.
Apresentação - (2022)

Alcides Goularti Filho, Fábio Farias de Moraes

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Com a habitual satisfação, apresentamos à comunidade acadêmica e a sociedade um novo número da Revista Catarinense de Economia (RCE). Este volume é composto por sete artigos e um texto clássico, que comportam temas relacionados à economia, sejam de alcance regional e mesmo nacional. Com isso, a RCE continua seu intento de promover a produção científica no campo da economia no estado de Santa Catarina. Segue firme nossa busca pela excelência e pelas melhores práticas editoriais. Nesta edição que ora apresentamos, sobre a “Reestruturação econômica-financeira e organizacional do futebol catarinense: o caso do Figueirense Futebol Clube’’, escrevem Patrícia Volk Schatz e Carlos José Espíndola, em instigante artigo sobre a exploração econômica do esporte. O texto discute três etapas de reestruturação administrativa e econômico-financeira do Figueirense F.C.: desde o final dos anos de 1990, com a criação da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A., decorrente da Lei Pelé; a constituição do Figueirense Futebol Clube Ltda e seu posterior controle pela empresa Elephant Participações Societárias S/A. até 2020, período marcado pelo decesso do clube para terceira divisão do Campeonato Brasileiro, e; na última etapa, com a formação da Figueirense F.C. SAF, em 2021, quando houve retorno dos gestores da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A. De Andrea Felippe Cabello e Ivan Colangelo Salomão é o segundo artigo da edição, “Da Economia Política ao Ministério da Fazenda: a profissionalização dos economistas no Brasil”. Os pesquisadores focam sua atenção numa perspectiva histórica da formação dos economistas. Esses profissionais estão, sabidamente, envolvidos no debate acerca do desenvolvimento nacional, pelo menos desde o início do século XX. Com o surgimento dos primeiros cursos de economia, formou-se uma série de pessoas na área, que tiveram relevante atuação na burocracia estatal, consolidada a partir da década de 1930. O reflexo desse movimento é percebido na estrutura do Ministério da Fazenda, diretamente impactado pela profissionalização dos economistas no Brasil. No terceiro artigo, “O comportamento do PIB catarinense durante o período de descentralização político-administrativa”, Maria Eduarda Munaro e Lauro Mattei analisam a estratégia de descentralização político-administrativa no governo estadual, vigente de 2003 a 2018, centrados no comportamento do Produto Interno Bruto das mesorregiões e microrregiões. Com isso, a autoria constata a ineficácia de tal estratégia, cujo objetivo seria reduzir as desigualdades regionais do estado, ao passo que houve aprofundamento da concentração do Produto Interno Bruto em regiões específicas. O quarto artigo, intitulado “A pandemia da covid-19 e os novos paradigmas do ensino superior brasileiro”, de Vanuzia Pereira da Silva, tem como problema central as transformações não efêmeras pelas quais passa a educação superior brasileira, como desdobramento da pandemia da COVID-19. Na adaptação à realidade pandêmica as Instituições de Ensino Superior (IES) ampliaram o uso de ambientes virtuais, especialmente, para introdução de ferramentas tecnológicas para o Ensino Remoto Emergencial (ERE) e a súbta migração para um ambiente de aprendizado à distância. Ficam os efeitos sobre as universidades e o ensino, pesquisa e extensão, como a ampliação da Educação à Distância (EAD). No quinto artigo, novamente, o impacto da pandemia na vida cotidiana é evidenciado, como retratam Woodroow Richardson Santiago de Oliveira e Alícia Cechin, em “Efeitos da pandemia da covid-19 nos preços dos alimentos no Brasil”, com o emprego de revisão bibliográfica e estatística descritiva. Conforme os autores, a pandemia da Covid-19, somada à desvalorização cambial, mas também associada à política fiscal, teve considerável impacto na alta de preços, especialmente sobre os alimentos, que acumularam alta superior à média da inflação brasileira no período analisado. O sexto artigo é de autoria de Mohamed Amal, Júlia Ropelato Floriani e Glaucia Grellmann. Nele, os pesquisadores relacionam as atividades de dezenas de filiais de empresas multinacionais e o desenvolvimento regional. O efeito moderador dos clusters em tal dinâmica é, então, posto em evidência. Sob o título de “O efeito moderador das vantagens de aglomeração sobre a relação entre investimentos de empresas multinacionais e desenvolvimento regional”, os pesquisadores concluem que pela mediação de clusters (concentração industrial) há influência positiva na relação entre importações das filiais de multinacionais e o desenvolvimento regional. Em relação às exportações, a influência foi positiva no PIB, mas negativa para IDHM. O sétimo texto, “Os impactos do Pronaf sobre o crescimento econômico dos municípios de Santa Catarina, de 2000 a 2015”, de Cristian Rafael Pelizza e Cristiano Spier, avalia efeitos dos créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) na variação do PIB per capita e do PIB agrícola dos municípios catarinenses. O trabalho recorre à inferência estatística para estimação de dados em painel, com cuidados específicos na obtenção dos regressores. As conclusões evidenciam que houve forte impacto positivo do PRONAF sobre a variação do PIB per capita dos municípios, mas sem resultado estatisticamente significativo sobre o PIB agrícola. Fechando esta edição e dando seguimento à sessão “Clássicos da Economia Catarinense”, que objetiva a (re)publicação de textos de significativa relevância para o debate sobre a economia catarinense, trazemos aos leitores um texto extraído da dissertação de mestrado de Etienne Luiz Silva, defendida em 1978 na UFRGS, “O desenvolvimento econômico periférico e a formação da rede urbana de Santa Catarina”. O texto que selecionamos é a conclusão de Silva, sob o título de “Santa Catarina: uma rede urbana em definição”, tendo grande valor aos estudos multidisciplinares sobre o estado. Desejamos uma boa leitura! Criciúma, 15 de dezembro de 2022. Alcides Goularti Filho Fábio Farias de Moraes Liara Darabas Ronzani Equipe Editorial
DA ECONOMIA POLÍTICA AO MINISTÉRIO DA FAZENDA: A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS ECONOMISTAS NO BRASIL - (2022)

Andrea Felippe Cabello, Ivan Colangelo Salomão

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Profissional que esteve no centro do debate acerca do desenvolvimento nacional, o economista teve sua atuação institucionalmente reconhecida em meados do século passado. Suas atividades oficiais remontam, porém, ao início do XX, quando intelectuais brasileiros que tiveram contato com os autores clássicos passaram a utilizar o conhecimento para refletir sobre o desenvolvimento do país. O estabelecimento das primeiras escolas de Economia contribuiu para fornecer mão de obra qualificada para a burocracia pública, paulatinamente formada a partir de 1930. Ponto mais alto dessa estrutura, o Ministério da Fazenda também reflete uma faceta da profissionalização dos economistas no Brasil.
EFEITOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NOS PREÇOS DOS ALIMENTOS NO BRASIL - (2022)

Woodroow Richardson Santiago de Oliveira, Alícia Cechin

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Entra ciclo e sai ciclo, a inflação retorna à pauta. A pandemia do Covid-19 e outras variáveis estruturais do Brasil como a desvalorização do Real e os riscos fiscais, fizeram com que a inflação aparecesse cada vez mais. A alta de preços em alguns setores, principalmente na alimentação, fez com que a preocupação sobre a temática da inflação voltasse ao radar dos consumidores e do mercado financeiro. Perante isso, se levantou o seguinte questionamento de pesquisa: como a pandemia da Covid-19 influenciou os preços dos alimentos no Brasil? O trabalho teve como objetivo compreender, a partir de uma revisão bibliográfica e estatística descritiva, os efeitos gerados pela pandemia da Covid-19 nos preços dos alimentos no Brasil. Os preços de alimentos acumularam uma alta superior do que a média da inflação nacional. De fato, existe uma tendência em todo o mundo de alta nos preços de alimentos, muito devido a problemas nas cadeias globais de oferta gerados pela pandemia. Contudo, a Covid-19 não é a única razão da carestia de alimentos. Aspectos internos, como a insegurança econômica e política, e a consequente desvalorização cambial, agravaram esse problema. E nesse cenário, a inflação, no formato em que se delineou na crise da Covid-19, atingiu em particular as famílias mais pobres.