Revista Catarinense de Economia

(112 Artigos indexados)

A A PANDEMIA DA COVID-19 E OS NOVOS PARADIGMAS DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO - (2022)

Vanuzia Silva,

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. A educação superior brasileira está passando por um momento peculiar em sua história. A pandemia da COVID-19 fez com que as Instituições de Ensino Superior (IES) alterassem o modus operandi da sua estrutura acadêmica e a transpusesse para ambientes virtuais. Esse movimento trouxe para as universidades um grande desafio de imersão tecnológica o qual, fosse condizente com a sua realidade estrutural e do seu corpo docente e discente. Para isto, estas instituições passaram a formular estratégias buscando suplantar a criticidade do período, introduzindo o Ensino Remoto Emergencial (ERE) aliado ao uso de ferramentas tecnológicas como Microsoft Teams, Google Meet. etc., que passaram de instrumentos de apoio pedagógico a ferramentas cruciais na manutenção do ensino ou, migrando para um ambiente de aprendizado à distância. O uso destas estratégias foi um marco ao revelar qual era o grau tecnológico das IES públicas e privadas e o olhar que estas instituições possuíam no cenário anterior ao advento da pandemia, sobre a inserção virtual no ambiente acadêmico além de apontar um marco histórico que produziu e produzirá efeitos sobre os pilares da universidade de ensino, pesquisa e extensão. Deste modo, este artigo analisa como a educação superior em ambientes virtuais no Brasil vem ocorrendo e como crise pandêmica afetou as universidades de modo a trilharem caminhos que perpassam a Educação à Distância (EAD) e o Ensino Remoto Emergencial, apresenta-se também uma discussão se essas estratégias ficarão apenas no período pandêmico ou se elas passarão de emergencial para essencial nos currículos acadêmicos pós pandemia.
Apresentação - (2022)

Alcides Goularti Filho, Fábio Farias de Moraes

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Com a habitual satisfação, apresentamos à comunidade acadêmica e a sociedade um novo número da Revista Catarinense de Economia (RCE). Este volume é composto por sete artigos e um texto clássico, que comportam temas relacionados à economia, sejam de alcance regional e mesmo nacional. Com isso, a RCE continua seu intento de promover a produção científica no campo da economia no estado de Santa Catarina. Segue firme nossa busca pela excelência e pelas melhores práticas editoriais. Nesta edição que ora apresentamos, sobre a “Reestruturação econômica-financeira e organizacional do futebol catarinense: o caso do Figueirense Futebol Clube’’, escrevem Patrícia Volk Schatz e Carlos José Espíndola, em instigante artigo sobre a exploração econômica do esporte. O texto discute três etapas de reestruturação administrativa e econômico-financeira do Figueirense F.C.: desde o final dos anos de 1990, com a criação da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A., decorrente da Lei Pelé; a constituição do Figueirense Futebol Clube Ltda e seu posterior controle pela empresa Elephant Participações Societárias S/A. até 2020, período marcado pelo decesso do clube para terceira divisão do Campeonato Brasileiro, e; na última etapa, com a formação da Figueirense F.C. SAF, em 2021, quando houve retorno dos gestores da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A. De Andrea Felippe Cabello e Ivan Colangelo Salomão é o segundo artigo da edição, “Da Economia Política ao Ministério da Fazenda: a profissionalização dos economistas no Brasil”. Os pesquisadores focam sua atenção numa perspectiva histórica da formação dos economistas. Esses profissionais estão, sabidamente, envolvidos no debate acerca do desenvolvimento nacional, pelo menos desde o início do século XX. Com o surgimento dos primeiros cursos de economia, formou-se uma série de pessoas na área, que tiveram relevante atuação na burocracia estatal, consolidada a partir da década de 1930. O reflexo desse movimento é percebido na estrutura do Ministério da Fazenda, diretamente impactado pela profissionalização dos economistas no Brasil. No terceiro artigo, “O comportamento do PIB catarinense durante o período de descentralização político-administrativa”, Maria Eduarda Munaro e Lauro Mattei analisam a estratégia de descentralização político-administrativa no governo estadual, vigente de 2003 a 2018, centrados no comportamento do Produto Interno Bruto das mesorregiões e microrregiões. Com isso, a autoria constata a ineficácia de tal estratégia, cujo objetivo seria reduzir as desigualdades regionais do estado, ao passo que houve aprofundamento da concentração do Produto Interno Bruto em regiões específicas. O quarto artigo, intitulado “A pandemia da covid-19 e os novos paradigmas do ensino superior brasileiro”, de Vanuzia Pereira da Silva, tem como problema central as transformações não efêmeras pelas quais passa a educação superior brasileira, como desdobramento da pandemia da COVID-19. Na adaptação à realidade pandêmica as Instituições de Ensino Superior (IES) ampliaram o uso de ambientes virtuais, especialmente, para introdução de ferramentas tecnológicas para o Ensino Remoto Emergencial (ERE) e a súbta migração para um ambiente de aprendizado à distância. Ficam os efeitos sobre as universidades e o ensino, pesquisa e extensão, como a ampliação da Educação à Distância (EAD). No quinto artigo, novamente, o impacto da pandemia na vida cotidiana é evidenciado, como retratam Woodroow Richardson Santiago de Oliveira e Alícia Cechin, em “Efeitos da pandemia da covid-19 nos preços dos alimentos no Brasil”, com o emprego de revisão bibliográfica e estatística descritiva. Conforme os autores, a pandemia da Covid-19, somada à desvalorização cambial, mas também associada à política fiscal, teve considerável impacto na alta de preços, especialmente sobre os alimentos, que acumularam alta superior à média da inflação brasileira no período analisado. O sexto artigo é de autoria de Mohamed Amal, Júlia Ropelato Floriani e Glaucia Grellmann. Nele, os pesquisadores relacionam as atividades de dezenas de filiais de empresas multinacionais e o desenvolvimento regional. O efeito moderador dos clusters em tal dinâmica é, então, posto em evidência. Sob o título de “O efeito moderador das vantagens de aglomeração sobre a relação entre investimentos de empresas multinacionais e desenvolvimento regional”, os pesquisadores concluem que pela mediação de clusters (concentração industrial) há influência positiva na relação entre importações das filiais de multinacionais e o desenvolvimento regional. Em relação às exportações, a influência foi positiva no PIB, mas negativa para IDHM. O sétimo texto, “Os impactos do Pronaf sobre o crescimento econômico dos municípios de Santa Catarina, de 2000 a 2015”, de Cristian Rafael Pelizza e Cristiano Spier, avalia efeitos dos créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) na variação do PIB per capita e do PIB agrícola dos municípios catarinenses. O trabalho recorre à inferência estatística para estimação de dados em painel, com cuidados específicos na obtenção dos regressores. As conclusões evidenciam que houve forte impacto positivo do PRONAF sobre a variação do PIB per capita dos municípios, mas sem resultado estatisticamente significativo sobre o PIB agrícola. Fechando esta edição e dando seguimento à sessão “Clássicos da Economia Catarinense”, que objetiva a (re)publicação de textos de significativa relevância para o debate sobre a economia catarinense, trazemos aos leitores um texto extraído da dissertação de mestrado de Etienne Luiz Silva, defendida em 1978 na UFRGS, “O desenvolvimento econômico periférico e a formação da rede urbana de Santa Catarina”. O texto que selecionamos é a conclusão de Silva, sob o título de “Santa Catarina: uma rede urbana em definição”, tendo grande valor aos estudos multidisciplinares sobre o estado. Desejamos uma boa leitura! Criciúma, 15 de dezembro de 2022. Alcides Goularti Filho Fábio Farias de Moraes Liara Darabas Ronzani Equipe Editorial
DA ECONOMIA POLÍTICA AO MINISTÉRIO DA FAZENDA: A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS ECONOMISTAS NO BRASIL - (2022)

Andrea Felippe Cabello, Ivan Colangelo Salomão

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Profissional que esteve no centro do debate acerca do desenvolvimento nacional, o economista teve sua atuação institucionalmente reconhecida em meados do século passado. Suas atividades oficiais remontam, porém, ao início do XX, quando intelectuais brasileiros que tiveram contato com os autores clássicos passaram a utilizar o conhecimento para refletir sobre o desenvolvimento do país. O estabelecimento das primeiras escolas de Economia contribuiu para fornecer mão de obra qualificada para a burocracia pública, paulatinamente formada a partir de 1930. Ponto mais alto dessa estrutura, o Ministério da Fazenda também reflete uma faceta da profissionalização dos economistas no Brasil.
EFEITOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NOS PREÇOS DOS ALIMENTOS NO BRASIL - (2022)

Woodroow Richardson Santiago de Oliveira, Alícia Cechin

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Entra ciclo e sai ciclo, a inflação retorna à pauta. A pandemia do Covid-19 e outras variáveis estruturais do Brasil como a desvalorização do Real e os riscos fiscais, fizeram com que a inflação aparecesse cada vez mais. A alta de preços em alguns setores, principalmente na alimentação, fez com que a preocupação sobre a temática da inflação voltasse ao radar dos consumidores e do mercado financeiro. Perante isso, se levantou o seguinte questionamento de pesquisa: como a pandemia da Covid-19 influenciou os preços dos alimentos no Brasil? O trabalho teve como objetivo compreender, a partir de uma revisão bibliográfica e estatística descritiva, os efeitos gerados pela pandemia da Covid-19 nos preços dos alimentos no Brasil. Os preços de alimentos acumularam uma alta superior do que a média da inflação nacional. De fato, existe uma tendência em todo o mundo de alta nos preços de alimentos, muito devido a problemas nas cadeias globais de oferta gerados pela pandemia. Contudo, a Covid-19 não é a única razão da carestia de alimentos. Aspectos internos, como a insegurança econômica e política, e a consequente desvalorização cambial, agravaram esse problema. E nesse cenário, a inflação, no formato em que se delineou na crise da Covid-19, atingiu em particular as famílias mais pobres.
O COMPORTAMENTO DO PIB CATARINENSE DURANTE O PERÍODO DE DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA - (2022)

Maria Eduarda Munaro, Lauro Mattei

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Em 2003 foi implementada em Santa Catarina a estratégia de descentralização político-administrativa, que tinha como objetivo reduzir as desigualdades regionais do estado e evitar a continuidade do processo de litoralização populacional que vinha sendo observado no território catarinense. O objetivo central do estudo foi analisar as implicações do processo de descentralização político-administrativa sobre o desenvolvimento regional catarinense a partir do comportamento do Produto Interno Bruto das mesorregiões e microrregiões de Santa Catarina entre os anos de 2003 e 2018, período de vigência da estratégia de descentralização. Os procedimentos metodológicos utilizados foram a coleta da série do Produto Interno Bruto das mesorregiões e microrregiões catarinenses disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o deflacionamento de toda a série tendo como base o ano de 2003, e a análise dos resultados ao longo do período de vigência da descentralização político-administrativa, buscando comparar o cenário de 2003 com o de 2018, além da contextualização geral de como se deu o processo de descentralização político-administrativa no estado de Santa Catarina. Os resultados indicam que não ocorreram alterações significativas nas desigualdades regionais de Santa Catarina diante do fim da estratégia de descentralização político-administrativa, uma vez que o cenário de concentração do Produto Interno Bruto não foi amenizado ao longo dos anos, mas ao contrário, acabou se agravando ainda mais, se concentrando em regiões específicas. Sendo assim, as ações de descentralização político-administrativa não foram capazes de cumprir com seu principal propósito: interromper o processo de litoralização domiciliar da população catarinense.
O EFEITO MODERADOR DAS VANTAGENS DE AGLOMERAÇÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE INVESTIMENTOS DE EMPRESAS MULTINACIONAIS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL - (2022)

Mohamed Amal, Júlia Ropelato Floriani

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Este artigo tem o propósito de analisar as relações entre as atividades de empresas multinacionais e o desenvolvimento regional, ponderando o efeito moderador dos clusters nesta dinâmica relacional. Com base em dados 73 subsidiárias de empresas multinacionais estrangeiras do setor da indústria de transformação operando em 34 municípios, procuramos testar as relações entre a existência de atividades de empresas multinacionais e o nível de desenvolvimento regional. Além disso, testamos os efeitos moderadores de clusters regionais. Os resultados apontam que em Santa Catarina, as empresas multinacionais estrangeiras estão localizadas em concentrações industriais caracterizando a formação de clusters. Além disso, os municípios com maior concentração industrial apresentaram um resultado melhor de IDHM e PIB quando comparados com os municípios com menor concentração industrial. Já o impacto das atividades de subsidiárias de empresas multinacionais no IDHM e PIB apresentaram comportamento divergente. O efeito moderador dos clusters apresentou influência positiva na relação entre importações e desenvolvimento regional. Para as exportações, a influência foi positiva para PIB e negativa para IDHM.
OS IMPACTOS DO PRONAF SOBRE O CRESCIMENTO ECONÔMICO DOS MUNICÍPIOS DE SANTA CATARINA, DE 2000 A 2015 - (2022)

Cristian Rafael Pelizza, Cristiano Spier

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. O presente trabalho busca avaliar o impacto dos créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) sobre o crescimento do PIB per capita e do PIB agrícola dos municípios catarinenses, para o período de 2000-2015. Para tanto, utilizou-se uma estimação de dados em painel, controlando para a existência de heterogeneidade não observável correlacionada com os regressores através de efeitos fixos. Como resultados apontou-se para impacto positivo e significativo do PRONAF sobre o crescimento do PIB per capita municipal, embora não se tenha obtido resultado estatisticamente significativo sobre o PIB agrícola nos municípios.
REESTRUTURAÇÃO ECONÔMICA-FINANCEIRA E ORGANIZACIONAL DO FUTEBOL CATARINENSE: O CASO DO FIGUEIRENSE FUTEBOL CLUBE - (2022)

Patrícia Volk Schatz, Carlos José Espíndola

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo.  futebol representa um dos esportes mais populares do mundo com amplas possibilidades de exploração econômica. Portanto, sua cadeia produtiva envolve entidades reguladoras (federações, FIFA), fornecedores, grupos de mídia, empresários e agentes, bem como os torcedores-consumidores. É, a partir da década de 1970, que se observa um crescimento dos negócios associados ao futebol conforme se desenvolviam os meios de comunicação, aumentavam as transferências de futebolistas e as empresas investiam no marketing esportivo. Nesse sentido, existem diversas possibilidades de investigação sobre o futebol incluindo os modelos de negócios (franquias, licenciamento, terceirização, por exemplo); as relações entre clubes de futebol, investidores, empresários e instituições financeiras; o papel da tecnologia para as novas formas de torcer (mídias digitais, canais próprios, plataformas de streaming); os fluxos de transferências de jogadores, a implementação das Sociedades Anônimas de Futebol (SAF) no Brasil, entre outros. Esta última, lei homologada em 2021, representa uma nova possibilidade para reorganização dos clubes brasileiros, muitos deles assolados por dívidas e históricos de má gestão. Sendo assim, esse texto objetivou apresentar e discutir as etapas de reestruturação administrativa e econômico-financeira do Figueirense F.C., de Santa Catarina. Foram identificadas três fases distintas e complementares para as mudanças de gestão do clube catarinense. A primeira, ainda no final dos anos de 1990, levou a criação da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A. conforme orientações da Lei Pelé que previam a conversão dos clubes em empresas. Posteriormente, foi constituída a Figueirense Futebol Clube Ltda. com a pretensão de captar investidores no mercado. No caso, a Elephant Participações Societárias S/A., empresa administrada por Cláudio César Vernalha Abreu de Oliveira, obteve controle sobre 95% do seu capital, enquanto outros 5% das cotas permaneceram com o Figueirense F.C, ou seja, a associação. Sem muito êxito e com diversos problemas que levaram, inclusive, ao decesso do clube para terceira divisão do Campeonato Brasileiro, a parceria teve fim em 2020. Já na última etapa foi identificada a formação da Figueirense F.C. SAF em 2021 que, entre outros, representa o retorno de gestores da Figueirense Participações e Gestão Desportiva S.A. Com suas particularidades quanto à organização da gestão e resultados alcançados, nota-se que esses processos distintos tornaram o clube florianopolitano um caso diferenciado. A base metodológica da pesquisa pautou-se na abordagem exploratória e empírica-analítica com levantamento de material bibliográfico e documental. As principais fontes de pesquisa foram teses e publicações sobre o tema, assim como os sites do Figueirense F.C. e de empresas de consultoria esportiva.
SANTA CATARINA: UMA REDE URBANA EM DEFINIÇÃO - (2022)

Etienne Luiz Silva

Volume: 5 - Issue: 2

Resumo. Extrato da dissertação de mestrado de: SILVA, Etienne Luiz. O desenvolvimento econômico periférico e a formação da rede urbana de Santa Catarina. Porto Alegre: UFGRS, 1978
Apontamentos teóricos acerca da existência de uma etapa feudal: um olhar para três interpretações do Brasil - (2022)

Ana Paula Klaumann,

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. As interpretações do Brasil, com frequência, defrontam-se com temáticas ligadas aos modos de produção. O presente ensaio tem como objetivo investigar o debate da existência (ou não) de um modo de produção feudal durante a formação econômica e política do país, a partir das contribuições de autores ligados ao chamado “marxismo oficial”, bem como dos intérpretes do Brasil Caio Prado Júnior e Raymundo Faoro. A primeira dessas abordagens admite a existência de etapas no que se refere à história brasileira, dentre as quais identifica-se uma etapa feudal. Caio Prado Júnior não está de acordo com essa concepção, apontando que ela resultaria da transposição de teorias formuladas em outros locais para o Brasil, o qual, na sua concepção, era palco do capitalismo comercial. Raymundo Faoro também não vê na história brasileira uma etapa feudal, e sim a absorção pela colônia do capitalismo politicamente orientado presente em sua metrópole, Portugal, o qual era ligado ao sistema patrimonialista. Dessa forma, conclui-se que, ainda que tenham partindo de argumentos e matrizes teóricas distintas, os autores Caio Prado Júnior e Raymundo Faoro contribuem para o debate acerca da presença de uma etapa feudal no Brasil, opondo-se aos argumentos apontados pelos representantes do marxismo oficial.
Apresentação - (2022)

Alcides Goularti Filho, Fábio Farias de Moraes

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. É com imensa satisfação que apresentamos à comunidade acadêmica mais um número da Revista Catarinense de Economia (RCE). O volume é composto por sete artigos que abordam temas diversos relacionados às esferas estadual, regional, nacional e mesmo internacional da economia. No último semestre, a RCE passou por uma remodelação: está com novo visual, tem depósito de DOI em todos os artigos, possui novos indexadores e conta com o sistema V Libras de acessibilidade. Além disso, a RCE está listada no sistema Qualis e segue as recomendações de boas práticas editoriais da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). Nesta edição, no primeiro artigo, “Diálogo social e neoliberalismo: um estudo comparado da origem dos Conselhos Econômicos e Sociais na Espanha, em Portugal e no Brasil”, André Pereira Carneiro e Thiago Fontelas Rosado Gambi discutem a formação dos Conselhos Econômicos e Sociais nos referidos países, a fim de comparar suas experiências, identificar elementos comuns e compreender melhor a promoção do diálogo social nesse tipo de arranjo institucional. Por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, os autores apresentam análises de natureza qualitativa para cada um dos casos estudados e avaliações de caráter histórico e comparado de suas origens e funcionamento inicial. O estudo aponta que, apesar das diferenças em cada caso, a reconstituição da origem dos referidos conselhos revela a tentativa comum de estabelecer um diálogo social, mas também a necessidade dos respectivos governos de legitimar a adoção de políticas econômicas neoliberais. O segundo artigo, intitulado “Crise econômico-financeira mundial de 2008: contexto e efeitos sobre o setor da construção civil no Brasil (2003-2011)”, de autoria de Juliano Vargas e Marcus Elany Gomes de Oliveira, apresenta uma investigação acerca da atuação do Estado na contenção de efeitos da crise econômico-financeira mundial de 2008, especificamente sobre o setor da construção civil, contextualizado os períodos pré e pós-crise. O objetivo central do estudo é compreender o panorama no qual a crise surgiu, sua amplitude e as políticas públicas instituídas para minimizar seus efeitos no setor da construção civil. Os resultados apontam que a construção civil esteve entre os setores mais afetados pela crise, no entanto, a implementação pelo Estado de um conjunto de políticas públicas voltadas para o setor foram fundamentais para sua recuperação e impulsionamento nos anos seguintes à eclosão da crise. No terceiro artigo, “Economia catarinense no cenário da pandemia: perspectivas, oportunidades e evidências do ano de 2020”, Gueibi Peres Souza busca identificar os principais impactos da pandemia do Coronavírus e do programa de auxílio emergencial do governo federal na economia catarinense. Os resultados indicam a necessidade de ampliação de políticas de gastos governamentais e de crédito, visando torná-las mais universalistas e com caráter desenvolvimentista mais ostensivo do que as medidas adotadas, verificadas insuficientes. O quarto artigo, de autoria de Marieli Vieira e Yasmine Candida da Mata Mendonça, intitulado “Desmatamento da Mata Atlântica paranaense: análise espacial para o período 2014 e 2019”, é uma investigação acerca da existência de autocorrelação espacial entre o remanescente de Mata Atlântica e as atividades agropecuárias nos municípios do estado do Paraná, que ocupa a terceira posição no ranking de estados com maior nível de desmatamento. O estudo aponta que a redução da área remanescente no período analisado (aumento do desmatamento) ocorreu com maior predominância nos municípios das mesorregiões Metropolitana de Curitiba, Sudeste e Centro Sul Paranaense. A indicação do avanço do desmatamento nessas regiões acende um sinal de alerta. No quinto artigo, “Entrada em mercados estrangeiros: análise de viabilidade de uma pequena empresa do setor da construção civil”, Ilda Cristina Vasquez, Caroline Goncalves e Fernando Thiago analisam a viabilidade de uma empresa do setor da construção civil para ingressar no mercado estrangeiro. Os resultados apontaram, por meio da avaliação comparativa dos principais modelos de internacionalização de empresas, o modelo mais adequado para o caso analisado. No sexto artigo, intitulado “Resultados do Plano Nacional de Aviação Civil (PNAC) em Santa Catarina (2009 a 2015)”, o autor Walter Arthur Fensterseifer Antunes analisa os efeitos da Política Nacional de Aviação Civil (PNAC) em Santa Catarina, buscando compreender seus impactos sobre o transporte aéreo comercial no estado e sobre a economia catarinense de forma mais ampla. Os resultados apontam que a PNAC permitiu grandes melhorias estruturais nos aeroportos, tornando-os mais bem preparados para atender as demandas. O sétimo texto, “Apontamentos teóricos acerca da existência de uma etapa feudal: um olhar para três interpretações do Brasil”, de Ana Paula Klaumann, constitui-se uma análise do debate teórico, a partir das contribuições de autores ligados ao marxismo oficial e dos intérpretes do Brasil, Caio Prado Júnior e Raymundo Faoro, acerca da possível existência de um modo de produção feudal no país. O estudo aponta que, ainda que tenham partido de argumentos e matrizes teóricas distintas, os autores Caio Prado Júnior e Raymundo Faoro contribuem para o debate, contestando a ideia acerca da existência de uma etapa feudal no Brasil, opondo-se aos argumentos apontados pelos representantes do marxismo oficial. A RCE também inaugura neste número a sessão “Clássicos da Economia Catarinense”, que reúne textos relevantes, que contribuíram para o debate sobre a economia catarinense ou que serviram de base para a formulação de políticas econômicas voltadas ao desenvolvimento da economia catarinense. Iniciamos com o texto de abertura do intitulado “Documento Básico”, escrito por Celso Ramos. O Documento é resultado do Seminário Socioeconômico, organizado pela FIESC, realizado em Florianópolis em dezembro de 1960. O texto final serviu de plataforma para a elaboração do Plano de Metas do Governo (PLAMEG), 1961-1965, um marco na história do planejamento em Santa Catarina. Desejamos uma boa leitura! Alcides Goularti Filho Fábio Farias de Moraes Liara Darabas Ronzani Editores/a
Crise econômico-financeira mundial de 2008: contexto e efeitos sobre o setor da construção civil no Brasil (2003/2011) - (2022)

Juliano Vargas, Marcus Elany Gomes de Oliveira

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. Com a ascensão do neoliberalismo a partir da década de 1990, os movimentos de desregulamentação dos mercados avançaram. Nesse contexto, recrudesceu um processo denominado de “financeirização” aliando desregulamentação do sistema financeiro com inovações financeiras. Estas caracterizaram o cenário econômico em que se evidenciou uma crise originada no mercado imobiliário nos Estados Unidos (EUA) a partir de 2008, a chamada crise do subprime. O crédito facilitado e os investimentos incertos elevaram a crise estadunidense à categoria de crise econômico-financeira mundial. Diversos setores brasileiros foram atingidos pela crise, dentre eles o da construção civil. Assim, nesta pesquisa objetiva-se entender o panorama no qual a crise surgiu, sua amplitude e as políticas anticíclicas instituídas para minimizar os seus efeitos na construção civil. Metodologicamente, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa, via análise de estatística descritiva fundamentada por dados oficiais e bibliografia provinda de fontes secundárias. Utilizou-se o método indutivo para sustentar a argumentação. Conclui-se que é importante compreender as causas e os efeitos da crise econômico-financeira sobre a construção civil, de modo que subsidie a elaboração de políticas públicas ativas diante de outras crises que venham a ocorrer. Destarte, sugere-se que o Estado deve atuar no sentido de fomentar o setor contra os efeitos das crises.
Desmatamento da Mata Atlântica paranaense: análise espacial para o período 2014 e 2019 - (2022)

Marieli Vieira, Yasmine Candida da Mata Mendonça

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. O objetivo deste artigo é verificar a existência de autocorrelação espacial entre o remanescente de Mata Atlântica e as atividades agropecuárias, para os municípios do estado do Paraná, que ocupa a terceira posição no ranking de estados com maior nível de desmatamento. O recorte temporal utilizado nos dados foi de 2014 e 2019 e como metodologia, optou-se pela Análise Exploratória de Dados Espaciais. Por meio da estatística I de Moran, verifica-se a existência de autocorrelação espacial e a presença de clusters significativos em algumas regiões do estado para a variação do remanescente de Mata Atlântica e para as variações da atividade agropecuária, indicando que possivelmente o desmatamento em determinada localidade afeta o desmatamento em municípios vizinhos. Porém, não foram verificadas evidências de autocorrelação espacial entre a variação do remanescente e a variação das atividades agropecuárias.
Diálogo social e neoliberalismo: um estudo comparado da origem dos Conselhos Econômicos e Sociais na Espanha, em Portugal e no Brasil - (2022)

André Pereira Carneiro, Thiago Fontelas Rosado Gambi

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social (CDES) foi criado no Brasil em 2003. Esse arranjo promotor da participação social nas decisões governamentais pode ser visto como uma novidade institucional no país, entretanto, conselhos como esse já haviam sido criados em outros países e influenciaram a estruturação da instituição brasileira. Para melhor compreender sua origem e atuação, este artigo reconstitui os contextos de criação dos Conselhos Econômicos e Sociais da Espanha e de Portugal e os compara ao da criação do CDES brasileiro. A perspectiva histórica permite enxergar nas experiências dos países ibéricos uma tentativa de resgatar o diálogo social depois de longevas ditaduras, todavia, serviram também para reiterar reformas econômicas liberais no contexto da integração europeia. A experiência brasileira resultou da proposta de um novo pacto social, em tese crítico da política econômica neoliberal implantada na América Latina nos anos 1990, mas também acabou por conferir-lhe institucionalmente maior legitimidade social. Em síntese, em que pesem as diferenças em cada caso, a reconstituição da origem dos conselhos acima referidos revela a tentativa comum de estabelecer um diálogo social, mas também a necessidade, por parte dos governos responsáveis por sua implantação, de legitimar a adoção de políticas econômicas neoliberais.
Economia catarinense no cenário da pandemia: perspectivas, oportunidades e evidências do ano de 2020 - (2022)

Gueibi Peres Souza,

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. Em meio ao gradual processo de recuperação econômica que se decorreu a partir de 2017 no estado de Santa Catarina, observou-se uma relevante crise do diesel no segundo trimestre de 2018, e no primeiro bimestre de 2020, o início de uma crise sanitária sem precedentes neste século. Esta última se constitui no principal objeto de análise deste estudo, a qual se mostrou de caráter persistente, exigindo, portanto, um esforço de apoio à proposição de políticas públicas não apenas anticíclicas, mas também de desenvolvimento por parte do Estado. Após um tempo de convivência com este importante choque, muitas reflexões vieram à tona na sociedade, tornando-se pertinente proceder não apenas a uma investigação quantitativa que fosse o mais ampla possível dentro do período de análise, acerca de seus prováveis impactos no que se refere aos diferentes setores da atividade econômica estadual em processo de recuperação, como se torna imprescindível também reflexionarmos acerca da necessária oportunidade de revermos com mais profundidade nossos contratos sociais. Sendo assim, este estudo buscou dar sua parcela de contribuição nesta discussão partindo da verificação dos possíveis impactos dos números da pandemia do Coronavírus ao longo do ano de 2020 na economia do estado e também do programa de auxílio emergencial do governo federal às famílias de baixa renda. Para isto foram estimados modelos causais para 42 variáveis dependentes coletadas referentes à economia catarinense (41 no site do Banco Central do Brasil e 01 no site da ESAG/UDESC), o que gerou um total de 58 modelos estimados para fundamentar as colocações aqui realizadas. No que diz respeito aos principais resultados obtidos, aponta-se para as necessidades de ampliação de políticas que envolvem gastos governamentais e a articulação para ampliação e flexibilizações de políticas que envolvem linhas de crédito, visando torná-las mais universalistas e com caráter desenvolvimentista mais ostensivo, em relação à visão até então adotada nesta observada “resposta” à crise sanitária, a qual se pode classificar como insuficiente.
Entrada em mercados estrangeiros: análise de viabilidade de uma pequena empresa do setor da construção civil - (2022)

Ilda Cristina Vasquez

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. Este estudo tem como questão central identificar de que maneira uma pequena empresa brasileira do setor da construção civil deve ingressar no mercado estrangeiro/boliviano. Assim, o objetivo central foi verificar e explorar como as teorias de internacionalização de empresas são capazes de auxiliar nesta tomada de decisão. A metodologia empregada é qualitativa, descritiva, realizou-se um estudo de caso com uso de entrevista, pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados apontaram que a avaliação comparativa dos principais modelos de internacionalização de empresas implicou em responder cinco questões básicas: por quê, o quê, quando, onde e como as empresas desejam se internacionalizar e o processo de seleção por exclusão indicará o melhor caminho para a decisão. Para a empresa analisada, o modelo de empreendedorismo internacional se destacou como uma sugestão para a internacionalização e as etapas indicadas por esta teoria, as mais apropriadas. O trabalho contribui no sentido de iluminar a tomada de decisão por meio de um instrumento simplificado elaborado por esta pesquisa.
Resultados do Plano Nacional de Aviação Civil (PNAC) em Santa Catarina (2009 a 2015) - (2022)

Walter Arthur Fensterseifer Antunes,

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo. Esta pesquisa tem como seu tema principal pesquisar sobre os efeitos da Política Nacional de Aviação Civil (PNAC) em Santa Catarina no período de 2009 – 2015, entender qual foi o sua importância e seu legado que foi deixado sobre o transporte aéreo comercial no estado catarinense, como isso influenciou e economia, a integração e desenvolvimento no território do estado através da movimentação de cargas e passageiros. Para isso irá abortar uma visão desenvolvimentista através de uma análise qualitativa e quantitativa de dados fornecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), como número de passageiros e quantidade em quilogramas (Kg) transportada, fazendo uso também de livros, artigos, reportagens, regulamentos e leis. Após fazer as pesquisas e análise podemos ver PNAC permitiu grande melhorias estruturais nos aeroportos, tornando-os mais bem preparado para atender as demandas, mas ainda assim tendo deixado a desejar no transporte de carga.
Seminário Socioeconômico de Santa Catarina - (2022)

Celso Ramos

Volume: 5 - Issue: 1

Resumo.        
A inserção externa da indústria brasileira e catarinense entre 1994 e 2017 - (2021)

Hermano Caixeta, Leonel Toshio Clemente

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. Na tradição estruturalista latino-americana o desenvolvimento econômico deve ser fruto do avanço da estrutura produtiva e tecnológica dos países periféricos, permitindo melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. À luz da teoria estruturalista cepalina, o trabalho analisa a trajetória da indústria brasileira e catarinense a partir dos resultados do saldo comercial das manufaturas classificadas conforme seu coeficiente tecnológico nas décadas de 1990 e 2020. O objetivo é apontar0 setores tecnológicos que apresentam alguma capacidade de concorrer pelo mercado mundial de produtos manufaturados. Os resultados apontam que, apesar do processo de desindustrialização da economia brasileira, o crescimento econômico no Brasil e no Estado de Santa Catarina foram acompanhados de uma melhoria na inserção internacional industrial até a primeira metade dos anos 2000, especialmente no setor de média intensidade tecnológica. Fora os momentos de recessão econômica, entre 2015 e 2017, os resultados dos saldos comerciais de manufaturas mostram um déficit crescente, nas mais intensas em tecnologia. Os resultados apontam que, apesar da dificuldade estrutural, alguns setores de média intensidade tecnológica se mostraram competitivos, em um período específico da história recente do país
Ações de internacionalização das atividades das universidades catarinenses: ensaio introdutório - (2021)

Tatiane A Viega Vargas, Daniela Lemos Daniela Lemos

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. O objetivo deste artigo é apresentar as ações voltadas a internacionalização das atividades desenvolvidas pelas universidades catarinenses – UFSC, UDESC, FURB, UNIVALI, UDESC, UNIVILLE e UNOCHAPECÓ. As partir de um roteiro estabelecido, os autores buscaram informações nas universidades que estão vinculados. Os resultados apontam que as universidades possuem estrutura organizacional para desenvolvimento de políticas de internacionalização. Formam parcerias e estabelecem convênios com universidades estrangeiras.  Em todas universidades, o desenvolvimento dessas atividades mostra-se crescente, sustentado em diferentes ações empreendidas.
Apresentação - (2021)

Silvio Cario, Alcides Goulart Filho

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. É com alegria que a colocamos à disposição da comunidade acadêmica, mais um número da Revista Catarinense de Economia da Associação dos Pesquisadores em Economia Catarinense (APEC). Os artigos dedicam-se aos estudos sobre a economia internacional catarinense e brasileira, tema do XVI Encontro de Economia Catarinense que se realiza nos dias 15 a 17 de setembro do corrente ano.          O primeiro artigo “Inserção internacional e mudança estrutural da balança comercial catarinense nos anos 2000” de autoria de Adriano de Amarante, William J. Borges, Fenando Pozzobon e Daniel A. Souza tem como objetivo, analisar o comportamento das exportações e importações da economia estadual nas duas últimas décadas. Utiliza o método misto de análise, combinando elementos de análise quantitativa e qualitativa, em estudo de natureza exploratória. Recorre a dados disponíveis do comércio exterior em documentos dos Ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e da Economia, bem como fundamenta a análise no arcabouço teórico da escola institucionalista. Os principais resultados apontam para mudanças na estrutura, origens e destino dos itens da pauta das exportações e importações. Destaque para o crescimento dos valores comercializados com a China, tanto nas vendas como nas compras externas, evidenciando com isso a dependência da economia estadual do mercado asiático.               O segundo artigo “O apoio financeiro do BNDES em perspectiva histórica e o financiamento às exportações brasileiras e catarinenses para o período de 1995-2020” de autoria de André S. Redivo busca identificar as características e as fases de atuação do Banco e apresentar o apoio financeiro para exportações brasileiras e catarinense. Utiliza, para referências bibliográficas que tratam o desenvolvimento sob perspectiva história e base de dados e relatórios de atividades da própria instituição financeira. Os resultados, apontam, no primeiro plano, execução distinta das atividades banco nos períodos - 1990 a 2002, 203 a 2014 e 2015 a 2020 -, em linha com a orientação da política econômica. E, no segundo plano, os dados mostram crescimento dos desembolsos para exportação com o propósito de aumentar a participação das empresas no comércio exterior e melhorar a balança de transações correntes. O apoio dado pelo Banco à economia brasileira, segue padrão semelhante ao fornecido à economia catarinense.             O terceiro artigo “A inserção externa da indústria brasileira e catarinense entre 1994 e 2017” de autoria de Hermano Caixeta Ibrahim e Leonel Toshio Clemente tem como propósito analisar a trajetória da indústria nacional e catarinense, a partir dos resultados da balança comercial das manufaturas segundo o coeficiente de intensidade tecnológica. Fundamenta o estudo na abordagem teórica estruturalista cepalina. Nesse sentido, recorre a dados de fonte internacional como da UCTAD-STAT e nacional do IPEADATA. Os resultados apontam que no período de crescimento econômico do Brasil e de Santa Catarina registra-se melhor desempenho nos setores produtivos de média intensidade tecnológica. No período de recessão econômica, o déficit comercial manufatureiro eleva-se, devido as importações de bens de maior conteúdo tecnológico. O artigo aponta a necessidade de formulação de política industrial, que leve em pauta setores de médio conteúdo tecnológico que se mostram mais dinâmicos ao longo do tempo.             O quarto artigo “Direitos de propriedade intelectual e comércio exterior de serviços no Brasil no período de 2014 a 2018” de autoria de Araken A. Lima, Alisson L. Lessak, Alejandro K. Arrabal, Mauro C. V. Luz e Bruna L. Gonçalves tem o propósito de discutir o comércio exterior de serviços no país, com foco nas operações de direito de propriedade intelectual, considerando cinco anos, 2014 a 2018.  Para tanto, recorre a duas bases de dados, a presente no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio e no Balanço de Pagamentos. Os resultados apontam a baixa performance dos direitos de propriedade no âmbito do comércio exterior de serviços no Brasil. A razão apresentada para tal performance deve-se baixa reação do sistema produtivo às políticas de ciência, tecnologia e inovação propagada pelo governo brasileiro e replicada pelos estados subnacionais. Tal resultado dificulta melhor inserção competitiva do país no mercado mundial. As várias leis – franquia empresarial, propriedade intelectual, cultivares, software e direitos autorais -, a política de inovação e o novo marco legal de ciência e inovação não promovem efeitos relevantes, sobretudo no que tange as transações sobre direito de propriedade intelectual.             O quinto artigo “Estado, desenvolvimento e panorama social na América Latina: análise de indicadores selecionados - Brasil, Argentina, Chile, México e Colômbia” de autoria de Silvio Freitas, Josiane S. Mendes e Henrique P. Campos tem o objetivo de fazer uma radiografia de indicadores sociais de cinco países, considerados maiores economias latino-americanas. Recorre a base de dados da CEPAL, que possui registros de 33 países membros. Os resultados apontam que a despeito da riqueza produzida, a desigualdade social impera nesses países. A riqueza é altamente concentrada em países, Brasil e Chile; existe nível elevado extrema pobreza, Brasil e Colômbia a taxa de analfabetismo não é desprezível, Brasil e Colômbia; e conta com indicador alto de homicídios, Brasil e México. Solicita a realização de mais estudos dessa natureza, no propósito de subsidiar políticas de desenvolvimento que venham reduzir a desigualdade socioeconômica.             O sexto artigo “Região de fronteira terrestre Brasil – Argentina: uma contribuição ao debate sobre desenvolvimento regional, de autoria de Rosa de Barros F. de Almeida busca apontar as ações que estão sendo desenvolvidas em 82 municípios, situados na região de fronteira do estado de Santa Catarina com a Argentina. Recorre a fontes bibliográficas que tratam do tema, bem como de informações obtidas na Secretaria de Planejamento do Governo do Estado de Santa Catarina. Os resultados apontam que o Núcleo Estadual da Região da Faixa de Fronteira vem desenvolvendo ações na região com registros de melhorias na área de infraestrutura, na segurança, na educação, na saúde, no turismo e em atividades econômicas, no agronegócio. Ressalta-se a importância da presença do Estado na região, como instância promotora do desenvolvimento. O sétimo e último artigo “Ações de internacionalização das atividades das universidades catarinenses: um ensaio introdutório” de autoria de Paola Azevedo, Daniela Lemos, Dimas Estevam, Tatiana Veiga, Bruna Furnaletto, Liana Sonza, Gustavo Soares, Maria Elizabeth C. Gama, Jani Floriano e Thais Cristina da Rocha tem como intuito apresentar as ações e resultados alcançados no processo de internacionalização das universidades catarinense: UFSC, UDESC, FURB, UNIVALI, UDESC, UNIVILLE e UNOCHAPECÓ. Utiliza de roteiro de pesquisa para coleta das informações pelos autores das universidades que estão vinculados. Os resultados apontam que todas as universidades criaram estrutura organizacional para levar adiante a política de internacionalização. As atividades desenvolvidas ocorrem com temporalidade distinta, algumas já com ações por várias décadas. Em todas universidades as ações apresentam-se diversificadas, em crescimento com resultados positivos.               Desejamos boa leitura a todos!!   Florianópolis, 11 de setembro de 2021   Silvio Antonio Ferraz Cario Alcides Goulart Filho Editores
Direitos de propriedade intelectual e comércio exterior de serviços do Brasil no período de 2014 a 2018 - (2021)

Araken Lima, Alisson Luiz Lessak

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. Este artigo apresenta panorama brasileiro das operações sobre direitos de propriedade intelectual no comércio exterior de serviços, a partir dos dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio, 2014 a 2018, e do Balanço de Pagamentos, 1995 a 2020. Utilizou-se de indicadores de comércio internacional para explicitar a participação do Brasil nos processos de trocas internacionais, em especial nas operações sobre direitos de propriedade intelectual. O resultado indica o baixo efeito das políticas de apoio e estímulo à inovação e à propriedade intelectual no Brasil no seu padrão de inserção comercial aos mercados globais.
Estado, desenvolvimento e panorama social na América Latina - (2021)

Silvio Barboza, Josiane Mendes

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. O presente estudo tem como objetivo apresentar e analisar indicadores de desenvolvimento econômico do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México. Realiza-se pesquisa de cunho descritivo com abordagem analítica sob perspectiva histórica-comparativa. Recorrem-se a fontes de informações, dentre as quais as fornecidas pela base de dados da CEPAL. Os resultados apontam países com maiores indicadores em IDH, Chile e Argentina; em participação de gastos em educação em relação ao PIB, Brasil e Argentina; em concentração de renda, Brasil e Chile, em extrema pobreza, Brasil e Colômbia; em menor índice de analfabetismo Argentina e Chile; e em mortalidade infantil, Brasil e Colômbia. Estudos dessa natureza são instrumentos para gestores públicos implementarem ações para mitigar condições que limitam o desenvolvimento.
Inserção internacional e mudança estrutural da balança comercial catarinense nos anos 2000 - (2021)

Adriano de Amarante, William Jose Borges

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. Neste artigo, propõe-se analisar a evolução da balança comercial de Santa Catarina e a mudança na sua estrutura nos anos 2000. Neste estudo exploratório, pautou-se pela análise descritiva de dados e informações de pesquisas quantitativa e qualitativa. A análise descritiva teve-se como suporte adicional a abordagem Neo-Institucionalista, para direcionar e contextualizar o ambiente em que a economia catarinense se insere no comércio internacional, com influência de acordos internacionais e de blocos econômicos. Os resultados são a mudança nas origens e destinos das mercadorias comercializadas, com destaque ao ganho de participação nos valores das importações e exportações por parte da economia Chinesa, e a redução na diversificação da pauta de exportação ao final da segunda década dos anos 2000.
O apoio financeiro do BNDES em perspectiva histórica e o financiamento às exportações brasileiras e catarinenses para o período de 1995-2020 - (2021)

André Redivo,

Volume: 4 - Issue: 2

Resumo. O presente artigo tem dois objetivos. O primeiro dedica-se em apresentar uma revisão do apoio financeiro do BNDES, em perspectiva histórica, entre 1952 e 2020, buscando identificar as principais características e diferentes fases de atuação do banco. Este panorama geral permite observar que a instituição tem uma atuação específica, demarcada pelo processo de desenvolvimento que o país passou, entre 1952 e 1980. A partir de 1990 a instituição tem uma atuação cíclica, orientada perspectivas de política econômica, demarcados em três períodos: 1990 a 2002, 2003 e 2014, e 2015 a 2020. O segundo objetivo volta-se em apresentar o apoio financeiro do BNDES para exportações brasileiras e catarinenses. Os resultados mostram que o maior volume de desembolsos às exportações se concentra no período 1999-2010 e que o comportamento do apoio para o Brasil e Santa Catarina segue um padrão semelhante. Para ambos os objetivos foram utilizados como fonte de pesquisa os relatórios do BNDES para o período e os dados disponibilizados pela instituição.