Palíndromo

(525 Artigos indexados)

Ecomuseu Urbano: do canto ao grito, o silêncio - (2024)

Osvaldo (Vado) Vergara Borges, Cláudia Vicari Zanatta

Volume: 16 - Issue: 40

Resumo. Este artigo enfoca um deslocamento de 24 horas, divididas em 4 dias de caminhadas, realizadas pelo Ecomuseu Urbano, incursão existencial dos artistas Cláudia Zanatta e Vado Vergara, após um temporal em Porto Alegre. Tendo como base a caminhada como metodologia, a leitura da Odisseia, de Homero, e um plantio realizado no espaço público da cidade, são tecidas as argumentações usando o método de montagem, proposto por Walter Benjamin, para refletir sobre as modificações neste centro urbano e seu impacto no imaginário. Indaga-se, também, como o que está na origem da narrativa homérica reverbera enquanto projeto de dominação como ordem na cidade contemporânea, relacionando-o a uma proposta em arte contemporânea.
Editorial Dossiê - (2024)

Maria Raquel da Silva Stolf, Giuliano Obici

Volume: 16 - Issue: 40

Resumo. O dossiê ESCUTAS: Processos, Proposições e Modulações do Sonoro reúne investigações, reflexões e propostas acerca de práticas, procedimentos e projetos co-implicados em diferentes contextos e situações entre escutas, saberes e a arte sonora. Propõe articular inflexões heterogêneas que atravessam e catalisam projetos artísticos em seus enredamentos midiáticos, envolvendo intersecções e/ou tramas entre o audível e o inaudível, entre proposições de escritas, escutas e modulações do sonoro.  Partindo do pressuposto de que o sonoro pode ser articulado a partir de diferentes modos e/ou modulações de escutas, o dossiê convida a pensar sobre as seguintes questões: a escrita como proposição e a escuta como prática; modulações e escritas do intensivo vibrátil; ecologias e tecnologias do sonoro; articulações entre corpo, escrita, som; experiências de silêncio, silenciamento e contra-silenciamento; sentidos de ruído e práticas contextuais; materialidades do sonoro; modos de escuta, cuidado e clínica do sonoro; vozes do antropoceno.
Proposição para uma auto-escuta: 3 movimentos para auto-escutar-se - (2024)

Marina Mapurunga de Miranda Ferreira

Volume: 16 - Issue: 40

Resumo. A escrita pode propor uma escuta, assim como uma escuta pode gerar escritas. Apresento uma escrita que partiu de uma auto-escuta e, agora, proponho outra escuta para o/a leitor/a. Esta proposição envolve uma auto-escuta que pode ser fisiológica, em busca dos sons do próprio corpo, como também uma escuta psicológica que vagueia pelos pensamentos à deriva. Essa auto-escuta também pode ser focal e global. Por mais que busquemos focar um som específico, nosso ouvido se abre para “planos” mais abertos seja estes internos ou externos a nós. Esta prática de escuta pode ser feita individualmente ou em grupo. Em grupo, pode-se discutir e compartilhar, após a auto-escuta, a experiência de cada pessoa. O que eu escutei que o outro também escutou? O que eu escutei que o outro não escutou? Como compartilhar minha auto-escuta? Por meio de uma nova escrita, um desenho, um rascunho?
A fortuna visual das camadas trágicas do romance da Castelã de Vergy - (2024)

Flavia Galli Tatsch

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. A tragédia pode assumir várias dimensões em uma mesma história, a depender de sua compreensão. Este artigo procura desenvolver uma reflexão sobre a fortuna visual das distintas camadas trágicas na história da Castelã de Vergy (escrita na primeira metade do século XIII), que narrava o amor de um casal de jovens e as mortes de três dos quatro personagens. A ampla circulação do romance estimulou a produção de imagens em suportes distintos. A partir da análise de uma miniatura, uma insígnia em metal, uma caixa em marfim e um afresco, este estudo abordará como os episódios representados se relacionavam tanto com o romance, quanto dialogavam com a comunidade, impactando na construção das relações no interior das sociedades pré-modernas.
A leitura trágica da Conjuração Mineira por Pedro Américo - (2024)

Maraliz de Castro Vieira Christo

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. No presente texto, pretende-se apresentar a série idealizada por Pedro Américo sobre a Conjuração Mineira, entre 1892 e 1893, da qual apenas o quadro Tiradentes esquartejado foi concluído. A série de cinco quadros nos lembra a estrutura de uma tragédia: felicidade, erro e catástrofe, numa relação de causa e efeito. Gonzaga, feliz na expectativa do casamento, bordando o vestido nupcial de sua noiva, Tiradentes reunido com outros conjurados, errando por neles confiar em demasia, e a catástrofe da repressão ao movimento, exemplificada pelo suicídio/assassinato de Claudio Manuel da Costa e pelo esquartejamento de Tiradentes. A estrutura trágica revela como o pintor considerava a conjuração um movimento frágil, condenado, desde o início, ao fracasso.
A palavra que ginga - (2024)

Ana Lucia Beck, Emmanuel Felipe de Araújo Amaral

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. Este artigo explora a utilização da palavra – elemento da linguagem verbal – em desfiles carnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro. Se valendo pela noção de ginga, visto que essas escritas desfilam sob giros, rodopios e bailados, é realizada uma reflexão mediada por diversas críticas negativas feitas à utilização desses elementos na visualidade carnavalesca. Todavia, tais críticas tratam a dimensão verbal nessas criações como algo hierarquicamente menor do que a dimensão visual. Em função deste tipo de mirada à presença de elementos verbais nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, realizamos um levantamento de diversos exemplos dessa ocorrência que, em nosso entendimento, demonstram as potencialidades da linguagem verbal na constituição da visualidade do Carnaval, bem como no incremento dos sentidos de diferentes sambas enredo.
Arte participativa, tragédia social e dissenso político: uma batalha possível - (2024)

Artur Correia de Freitas

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. Este artigo analisa a relação entre a tragédia social da agenda neoliberal e o dissenso político da arte participativa através de um caso concreto: a performance coletiva Batalha de Orgreave, do artista inglês Jeremy Deller. Realizada em 2001, a obra propõe, no plano da memória coletiva, a reencenação de um dos mais violentos conflitos do pós-Guerra entre as políticas neoliberais e a classe trabalhadora: o trágico ataque policial contra mineradores em greve perpetrado durante a era Margaret Thatcher, na Inglaterra, dezessete anos antes, em 1984. Para a reconstrução da batalha, Deller conta com a cooperação de cerca de mil participantes, centenas dos quais “veteranos” do conflito de origem, incluindo ex-mineradores e ex-policiais. A análise do evento é realizada a partir da teoria neo-aristotélica da “tragédia social” da socióloga Stephanie Baker, em articulação com os conceitos de “dissenso político” e “antagonismo” de Jacques Rancière, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe e Claire Bishop. Ao final, conclui-se que a elaboração coletiva de uma tragédia social, central em obras como essa, tem na mecânica da retração autoral um de seus prováveis limites políticos.
Bastidores da tragédia “Otelo” (1949): aproximações entre as pinturas dos irmãos Bellini e o desenho de figurino de Oliveira - (2024)

Paula Alvares Ampessan

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. Este artigo visa investigar um desenho de figurino desenvolvido para a tragédia “Otelo” para o Teatro do Estudante do Brasil no ano de 1949. O objeto, como fonte primária, é descrito e analisado com objetivo de identificar características formais que revelam escolhas artísticas de Pernambuco de Oliveira, desenhista responsável. Conforme sugere o tempo e espaço desta peça shakespeariana, a escola de pintura veneziana é indicada, particularmente em Gentile e Giovanni Bellini, alcançando os símbolos emprestados ao desenho - em uma transferência da pintura para o desenho e como a diferença de suporte se manifesta. Nesse exame comparativo, busca-se compreender como o personagem representado ganha contorno, sugerindo um diálogo entre as artes plásticas e cênicas, capturando as semelhanças e as soluções visuais deste.
Editorial Dossiê O trágico e a arte - (2024)

Angela Brandão, Cássio da Silva Fernandes

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo.
Fogo, destruição e criação: a arte de Anselm Kiefer e a filosofia de Andrea Emo - (2024)

Alexandre Ragazzi

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. A partir de uma questão ambiental sobre o problema das queimadas no Brasil, trata-se, neste artigo, da correlação entre destruição e regeneração na natureza e na arte. Levando em conta tragédias causadas pelo fogo que, ao longo da história, arruinaram o patrimônio histórico e artístico, serão analisadas as afinidades existentes entre um artista e um filósofo. De um lado coloca-se Anselm Kiefer, com destaque para as pinturas produzidas para uma exposição no Palazzo Ducale de Veneza, local acometido por um grande incêndio em 1577; de outro, o pensamento de Andrea Emo, autor recentemente redescoberto. Como será demonstrado, a noção de que as imagens nascem de gestos iconoclastas apresenta-se aqui como parte central de um programa em que destruição e criação se fundem e se manifestam por toda parte.
Povo da lua, povo de sangue (1983) e a “tragédia Yanomami” - (2024)

Rosane Kaminski

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. O presente artigo propõe uma análise do fotofilme Povo da lua, povo de sangue (1983), um curta-metragem dirigido por Marcelo Tassara com base nas fotografias que Claudia Andujar fez do povo yanomami. O objetivo central é problematizar o lugar social e a eficácia política do filme, considerando as suas intenções, as suas características e as suas ambiguidades. Argumenta-se que esse fotofilme carrega um “desejo de salvação” e, ao mesmo tempo, não esconde a relação entre a operação fotográfica e as violências coloniais. Com essa condição, o filme debate-se entre as suas potências estéticas e políticas, as suas responsabilidades e os seus próprios limites.
Príamo e o resgate de Heitor: um estudo sobre o trágico na pintura da cerâmica ática - (2024)

José Geraldo Costa Grillo

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. O objetivo deste estudo é o de argumentar que Príamo é o personagem principal nas pinturas do resgate de Heitor e que os pintores, ao se concentrarem nele, representaram a sua tragédia. Para atingir tal fim, foram selecionadas seis pinturas consideradas as mais dramáticas, as quais são analisadas a partir da narrativa visual, levando em conta a composição, os gestos e as posturas. Visto que a Ilíada de Homero serviu de inspiração aos pintores, apresenta-se como Homero concebeu esta cena, bem como o entendimento de Aristóteles sobre a tragédia, de modo a destacar o caráter dramático da tradição pictórica e suas especificidades.
Rosana Paulino: das naturezas inventadas sobre os corpos negros - (2024)

Adriana dos Santos Araújo

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. O objetivo deste artigo é apresentar uma análise de trabalhos da artista Rosana Paulino, desenvolvidos com o uso de imagens de arquivos do período histórico do Brasil colonial, quando foram criadas naturezas inventadas sobre corpos negros, com o propósito de justificar relações hierárquicas entre raças, através de comprovação pseudocientífica. Para isso, lançamos um olhar mais atento sobre os procedimentos, as construções críticas e os chamamentos presentes no livro de artista ¿História natural? Por extensão, trabalhamos também com considerações teóricas veiculadas na literatura sobre arte e crítica descolonial. Verificamos a força de uma produção que subverte mecanismos de inferiorização e exclusão de outrora, os quais ainda ecoam em nossa atualidade, com uma criação que constitui uma convocação, por meio da arte, para outros modos de vida que considerem o respeito às diferenças e a igualdade de direitos.  
Teatralidade, ritual fúnebre, e teoria da arte na Roma antiga. A teoria das imagines, em seu contexto cultural e crise cênica. - (2024)

Antonio Leandro Gomes de Souza Barros

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. Este artigo reflete sobre as relações entre produção artística e experiência do morrer através de um estudo de caso do contexto cultural da teatralidade da vida social na Roma Antiga. Para tanto, repassamos como uma tal teatralidade se configurou socialmente entre as apresentações propriamente cênicas e os ritos fúnebres da aristocracia romana, eventos públicos marcados pelos usos das imagines (máscaras de cera dos mortos extremamente realistas). Dos eventos que cercam a figura de Júlio César até aqueles relacionados à Nero, portanto da queda da República ao fim da dinastia júlio-claudiana. Deste modo, objetivamos examinar em uma perspectiva mais ampla como, afinal, estas máscaras se estabeleceram como fundamento da teoria romana das artes visuais, conforme a encontramos exposta na obra de Plínio, o Velho.
Triste tormenta: o trágico em uma paisagem de Albert Bierstadt - (2024)

Luiz César De Sá

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. O objetivo do texto é apresentar uma possibilidade de análise da pintura de paisagem da Hudson River School e, em particular, de Albert Bierstadt, por meio de um exame de fatores ontológicos e sócio-históricos. Busca-se, com isso, desenvolver dois pontos. Primeiro, mostrar como a ontologia naturalista organiza o modo hegemônico de classificar essas pinturas; segundo, restituir os modos verossímeis de representação vigentes no período de confecção dos quadros para além dos critérios naturalistas hoje dominantes. Conclui-se, com o auxílio de instrumentos de análise da história ambiental da arte, que a busca pelos “estilos de atenção” praticados nas obras consistia na tentativa de pintores como Bierstadt de fixar um mundo natural em vias de destruição.
“Receptores das ondas mnêmicas”: Aby Warburg como leitor de Nietzsche - (2024)

Serzenando Alves Vieira Neto

Volume: 16 - Issue: 39

Resumo. Este artigo tem como objetivo investigar como o historiador da arte Aby Warburg leu e recepcionou a obra de Friedrich Nietzsche. Embora o nome do filósofo não seja mencionado uma única vez em seus escritos publicados, sua influência é claramente perceptível no quadro histórico que Warburg apresenta sobre o amplo fenômeno da pós-vida da Antiguidade no Renascimento europeu. Para explorar essa questão, o artigo se divide em duas partes. Primeiramente, analisa-se o desenvolvimento das pesquisas de Warburg sobre o Renascimento, destacando a formulação de conceitos que sugerem uma influência de Nietzsche, como a “psicologia da polaridade” e a “fórmula de páthos”. Em seguida, examina-se o acervo documental legado por Warburg na forma de manuscritos e cartas, os quais oferecem elementos fundamentais para a compreensão de sua interpretação da obra do filósofo.
Abordagem “SIR” (Sensível, Imaginativa e Racional) para apreciar uma obra - (2024)

Letícia Francez, Mara Rúbia Sant'Anna, Myriam Lemonchois

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. Apreciar uma obra é uma atividade complexa que exige o desenvolvimento de competências: competências para explorar a imaginação, competências para explorar a sensibilidade, competências para examinar uma obra e todos os seus elementos. É preciso ainda de competências para sintetizar aquilo que foi sentido, imaginado e examinado. O artigo apresenta a abordagem “SIR”, uma proposta de apreciação de obras de arte segundo três etapas, nesta ordem: 1) sentir e imaginar diante da obra; 2) examinar os elementos do conteúdo e os elementos socioculturais da obra; 3) fazer a síntese das duas primeiras etapas para estabelecer um julgamento crítico e estético da obra. É um processo de apreciação que pode ser realizado por professores de arte e outros educadores e visa desenvolver competências relacionadas à sensibilidade, imaginação, capacidade de análise e sintetização.
Alfabetização midiática-visual: estabelecendo algumas concepções e intenções em torno do termo e da prática aliada a linguagem fotográfica - (2024)

Alissom Brum, Saraí Patrícia Schmidt

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. Os indivíduos, apesar de estarem visual e midiaticamente envolvidos com sua realidade, pouco sabem da amplitude do poder comunicativo e político dessas produções. Notamos, diante disso, a emergência de outras alfabetizações no escopo de compromissos da educação escolar contemporânea. Posto isso, objetivamos, para este artigo, fazer uma incursão sobre as bases epistemológicas que elucidam aquilo que compreendemos por uma Alfabetização Midiática-Visual no território escolar, apropriando-nos, para tanto, das perspectivas teóricas-conceituais dos compôs: Comunicação/Educação, Estudos Culturais e Direitos Humanos. Este é, portanto, um estudo teórico-reflexivo, caracterizado, metodologicamente, como qualitativo, documental e bibliográfico. Como conclusão, este lineamento intelectivo aponta que uma escola disposta a tomar mídia como objeto de seu estudo é uma escola que alfabetiza os indivíduos para questionarem não apenas as verdades formatadas em palavras, mas também as máximas, que, disfarçadas de imagens, circulam amigavelmente pela sociedade sob o prisma de serem representações incontestáveis do “real”.
Análise da produção acadêmica sobre “artista-professor” em escolas de artes: uma nova identidade revelada na última década (2010-2020) - (2024)

Juliana Rossi Gonçalves, Teresa Matos Pereira, Taiza Mara Rauen Moraes

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. O presente trabalho pretende realizar um mapeamento da produção acadêmica sobre o termo “artista-professor” em escolas de artes no portal de periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O “artista-professor” é um profissional que atua tanto no campo da produção artística como no âmbito educacional, termo que marca um hibridismo característico de nosso tempo atual, em que não podemos afirmar que a identidade do sujeito é única, individual, mas sim, múltipla (Santaella, 2007). O foco da pesquisa é desencadeado pela seleção de artigos publicados em periódicos científicos revisados por pares, escolha movida pela constante atualização dessa modalidade de produção acadêmica. O estado da arte foi empregado para efetuar o mapeamento que possibilitou uma efetivação de balanço da pesquisa, demonstrando que o termo vem sendo cada vez mais utilizado principalmente na última década (2010-2020) nos campos das Artes Visuais e Arte/educação.
Centro Alternativo de Cultura Espaço N.O.: arena de experimentações de toda ordem - (2024)

Walter Karwatzki, Laura Ribero Rueda

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. O presente artigo trata de aspectos relacionados à história da arte especificamente a um momento da arte contemporânea no Brasil e em especial ao Centro Alternativo de Cultura N.O. (Espaço N.O.), que apesar do curto espaço de tempo de existência, marcou o cenário artístico cultural de Porto Alegre entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. Formado por artistas locais, que além de apresentarem suas produções de arte conceitual, possibilitaram a vinda de grandes artistas do centro do país para essa cidade. O Espaço N.O. foi relevante por projetar artistas locais em nível nacional e internacional.
Como analisar uma exposição de design?: abordagem semiótica - (2024)

Marc Barreto Bogo

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. Os objetos e soluções resultantes de projetos de design são muitas vezes desenvolvidos para passarem despercebidos pelos usuários, entrelaçados silenciosamente às práticas de vida cotidianas. Entretanto, em uma exposição de design, os produtos dessa atividade projetual são necessariamente postos em evidência. Em tais situações, para poder apreciar a proposta expositiva em jogo, que abordagem poderíamos adotar para analisar ou “ler” as linguagens em exibição? Recorremos, neste trabalho, aos fundamentos da Semiótica Discursiva, incluindo seus desdobramentos na Sociossemiótica, na Semiótica Plástica e nos estudos da estesia. Nosso objetivo é fazer uma retomada das principais contribuições semióticas dadas ao estudo de museus e de exposições de arte, visando avaliar se (e como) esse ferramental teórico-metodológico pode servir de alicerce para a análise de exposições de design. Como resultado, propomos um percurso analítico estruturado em quatro dimensões de leitura sucessivas e hierarquizadas – objeto, exposição, instituição cultural, território –, destacando a cada patamar o que há de específico no caso de projetos de design, e que, portanto, deve ser levado em conta quando tratamos da análise de uma exposição de design.
Das plantas e das suas imagens: das formas e das cores do mundo, das formas e das cores dos artistas - (2024)

Daniela Queiroz Campos

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. O presente artigo tem como mote a relação entre plantas e imagens. Para tal, parte-se dos escritos do filósofo e teórico da imagem italiano Emanuel Coccia. Discutiram-se as utilizações que as ciências naturais fizeram das imagens, bem como as formas com que as artes apresentaram as imagens de um mundo vegetal. Foram, então, analisadas diferentes imagens de plantas e de paisagens, tais como: as ilustrações botânicas do século XIX, as telas renascentistas de Leonardo Da Vinci e as holandesas de Johannes Vermeer. A questão central das imagens de plantas passa, por fim, a ser problematizada e analisada na obra de dois artistas brasileiros contemporâneos, Walmor Corrêa e Adriana Varejão.
Desatando nós: a importância da contextualização histórica e social para a fruição da arte têxtil - (2024)

Elisa Rocha Bueno, Júlia Lasry Benchimol Lanza, Joedy Luciana Barros Marins Bamonte

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. O presente trabalho tem como objetivo traçar um panorama da evolução das percepções acerca da arte têxtil ao longo do tempo, na busca por esclarecer certas noções que ainda na atualidade influenciam o julgamento das obras localizadas nesta categoria. Discutiu-se a importância da contextualização histórica e social de uma dada prática – no caso, o fazer artístico envolvendo fibras têxteis – para que esta possa ser fruída em todo seu potencial. O procedimento adotado foi a pesquisa bibliográfica. Identificou-se uma aproximação da prática artística envolvendo fibras têxteis com o artesanato e atividades femininas. Tal associação iniciou-se durante a Idade Média e intensificou-se a partir do Renascimento, coincidindo com a ideia do artista como gênio criador em contraponto à figura do artesão. Concomitante a este processo, o ideal da mulher como dona-de-casa, de atuação restrita ao ambiente doméstico, passou a ser associada às práticas têxteis. Posteriormente, os cânones modernistas dificultaram a aceitação das obras têxteis como objetos de arte, justamente pela associação com o artesanato a o contexto feminino. A partir da década de 1960 e ao longo da década de 1970, eminentemente na América do Norte, a atuação de vários artistas que se valiam do meio têxtil contribuiu para fomentar a discussão em torno da prática artística estudada e possibilitou que os conceitos tradicionais definidores da obra de arte fossem questionados.
Editorial: Desafios de ensinar linguagens - (2024)

Sandra Regina Ramalho e Oliveira, Roser Juanola Terradellas

Volume: 16 - Issue: 38

Resumo. Este dossiê dedicado aos Desafios de Ensinar Linguagens propõe-se problematizar questões relacionadas aos complexos processos de ensinar a ler linguagens, não apenas linguagens visuais stricto sensu, mas outras como a sonora, a moda, o design, a urbanística, as miscigenadas, como a audiovisual ou dos livros ilustrados e mesmo a linguagem verbal, em diálogo próximo ou em cotejamento com a visualidade. Compõe-se de doze artigos de diversas áreas de conhecimento, de abordagens teóricas e instituições e celebra igualmente a colaboração entre o PPGAV, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC e o GREPAI, Grup de Recerca em Educació, Patrimoni i Arts Intermèdia,da Universidade de Girona/UdG.