Revista Internacional de Folkcomunicação

(186 Artigos indexados)

Carnaval de rua em disputa em Santa Cruz do Sul/RS - (2021)

Ângela Cristina Trevisan Felippi, Verushka Goldschmidt Xavier de Oliveira

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. Carnaval faz parte da cultura popular do Brasil. Entretanto, em algumas regiões a festa não recebe tanto destaque quanto em outras. No município de Santa Cruz do Sul, localizado no Vale do Rio Pardo/RS, a realização do tradicional carnaval de rua de escolas de samba e blocos é motivo de disputas entre sociedades carnavalescas, poder público e iniciativa privada. O artigo discute estas disputas por meio do estudo dos dois carnavais de rua que ocorrem na cidade, um, a Descida da Júlio, que surge inicialmente como resistência a alterações no carnaval de rua tradicional propostas pela prefeitura municipal. Outro, o Bailinho de Carnaval da Borges, que nasceu da inovação de empresários locais. Estas duas alternativas são analisadas como meios para discutir as tensões no campo cultural, através da principal festa popular nacional, tendo ao fundo as questões de identidade e o direito à cidade. O artigo se orienta pela teoria dos estudos culturais, em diálogo com a literatura sobre desenvolvimento urbano e regional. Baseia-se em revisão de literatura e análise documental. Os resultados apontam para as fissuras sociais existentes na cidade e os projetos distintos de sociedade. Carnaval; Identidade; Culturas Populares; Direito à cidade.
Casas e descasos. Resistência e indiferenças - (2021)

Pedro Serico Vaz Filho

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. Ensaio fotográfico, com dez fotos, que traz como tema questões referentes às desigualdades urbanas, a partir de olhares sobre situações desrespeitosas à cidadania. Ao mesmo tempo acerca da resistência de quem não tem condições mínimas de sobrevivência, como a ausência de um teto, alimentação diária, viabilidade para higiene e saúde. Incluindo a falta de educação aos ambientes comuns, como nos transportes públicos, onde apelos educativos soam de autofalantes e são totalmente ignorados por quem joga lixo no chão, coloca pés em acentos, comete atos de assédios etc.
Contribuições estratégicas da Folkcomunicação no contexto de rupturas democráticas. - (2021)

Cristina Schmidt

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. ​ “Sopram ventos malignos no planeta azul”. Com essa frase Manuel Castells (2018) inicia uma análise dramática sobre as múltiplas crises por que passam os sistemas democráticos no mundo. Desde os países considerados potências econômicas aos subdesenvolvidos, eles se rendem ao neoliberalismo selvagem e recuam suas ações de compromisso social gerando impactos de grande retrocesso em todas as áreas: habitação, alimentação, emprego/renda, saúde, educação, cultural. Uma instabilidade que provocou levantes populares de protesto por meio de grandes mobilizações públicas em inúmeros países durante todo o ano de 2019. E é nesse contexto de rupturas e manifestações que delineamos uma reflexão para entender o papel da Folkcomunicação como método de pesquisa estratégico; seja na identificação dos atores e procedimentos comunicativos de grupos sociais de resistência, seja na utilização dos conceitos que definem os mecanismos comunicativos e as características dos grupos marginalizados. Uma reflexão com abordagem qualitativa descritiva, por meio de levantamento bibliográfico e documental, que foi desenvolvida em duas etapas: a primeira traz o contexto das manifestações em face as rupturas democráticas e, a segunda, elucida aspectos teóricos e metodológicos da Folkcomunicação que auxiliam em um descortinar estratégico. Desse modo, pudemos constatar que a Folkcomunicação é disciplina fundamental para abranger esse contexto e, ainda, esclarecer como os grupos marginalizados criam processos folkcomunicacionais de insurgência, pressão e determinação social. Folkcomunicação; Grupos Marginalizados; Democracia; Metodologia.
Da ‘zueira’ ao discurso político: o caráter propagandístico dos stickers no Whatsapp - (2021)

Sergio Roberto Trein

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. Os stickers podem ser definidos como adesivo, etiqueta e figurinha. Muito semelhantes aos tradicionais gifs e emoticons, nas conversas digitais, os stickers têm suprimido o uso de palavras e imagens. Por serem polissêmicos, podem ser empregados em diferentes situações de interação, o que dá um tom mais divertido ao assunto a que se referem. Esta situação linguageira é o que a Análise de Discurso define como um deslizamento discursivo. Ou seja, por meio de incisas e elipses discursivas há uma ruptura na linearidade do discurso original. No caso da política, entretanto, mesmo que um novo sentido seja construído, o caráter propagandístico dos stickers permanece. Através da pesquisa exploratória e empírica, o objetivo deste estudo é o de compreender os deslizamentos de sentido dos discursos políticos para os stickers. Para isso, como principal suporte teórico-metodológico, utilizou-se a proposta de Análise de Discurso desenvolvida por Patrick Charaudeau. Em especial, por meio de duas modalidades de construção e organização do discurso: o modo de organização descritivo e o modo de organização argumentativo. Em seus componentes linguísticos, o modo descritivo e o modo argumentativo possuem os procedimentos de nomear, qualificar, situar-localizar e as asserções de partida, de passagem e de chegada, importantes na nossa investigação e para a compreensão dos deslizamentos discursivos e os novos sentidos produzidos. Como corpus de pesquisa, foram escolhidos quatro stickers veiculados no Whatsapp, em 2020. O critério de seleção foi o da conveniência, pois não há critérios específicos que devam ser considerados para a escolha da amostra. Discurso; persuasão; stickers; Whatsapp.
E a gente ama esses bracinhos oferecidos: Folkcomunicação política na Campanha de vacinação contra a COVID-19 em Recife- PE. - (2021)

Giselle Gomes Souza, Severino Alves Lucena

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. O presente trabalho busca apontar o uso de estratégia folkcomunicacional política usando apropriação das mídias digitais pelos grupos populares, colocando em foco os processos informais de comunicação. O objetivo é verificar como a Prefeitura da Cidade do Recife utiliza a rede social para a interação com os leitores- internautas sobre o avanço com a vacinação contra a COVID-19 da população recifense. É na apropriação de elementos da cultura folk de massas que localizamos a utilização das redes sociais como veículo da folkcomunicação política pela Prefeitura da Cidade do Recife. Folkcomunicação política; Pandemia; Mídia.
Elementos Folkcomunicacionais no Discurso do ex-Presidente Lula: Um Registro Histórico do Brasil Ovacionado nas Páginas de The Economist - (2021)

Pedro Paulo Procópio de Oliveira Santos

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. O presente estudo visa a discutir um registro histórico do Brasil, com base em um olhar elogioso e mesmo eufórico, a seu respeito no jornal britânico The Economist durante o segundo mandato do ex-Presidente Lula. O veículo é considerado por economistas e especialistas do mercado financeiro de todo o mundo como a bíblia do liberalismo mundial; com essa “marca” The Economist vai do pânico com a iminente vitória do ex-líder sindical em 2002 ao entusiasmo com a postura do ex-Chefe de Estado da maior potência econômica latino-americana em menos de uma década! Este paper, com alicerce teórico envolto pela análise de discurso e por importantes aspectos folkcomunicacionais, faz um retorno a um passado histórico recente, no entanto, extremamente distante da realidade brasileira atual, na qual a crise permeia diversos setores e a linguagem folk, leve, pacífica deu lugar ao discurso do “negacionismo” face a demandas sociais de ordem emergencial, como é o caso da fome, do emprego, da saúde pública. Por fim, o que foi “marolinha” na economia do Governo Lula, se transformando em elogios e exemplo para todo o planeta, parece hoje um longínquo registro histórico. É o referido registro que ora se apresenta, envolvendo o discurso como o eixo central da imagem folk de um ex-presidente brasileiro que trouxe elogios e euforia ao seu país. Brasil; Folkcomunicação; Lula;
Empreendedorismo cultural e festa: uma Etnografia da Festa de São João do Porto em Portugal - (2021)

Israel Campos

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. As festas são espaços históricos e com relevância quando abordamos o estudo do empreendedorismo cultural. Uma festa centenária, que influenciou a cultura brasileira e é uma das mais importantes na Europa nos dias atuais, revela estratégias e inovações pertinentes para a pesquisa e a discussão no campo do empreendedorismo cultural. Este trabalho, portanto, tem como objetivo compreender a relevância e estratégias do empreendedorismo cultural na festa do São do Porto. Para tal, serão discutidas no âmbito teórico e prático, as ideias de empreendedorismo cultural, identidade cultural e juventude, no contexto de uma festa. Como resultado, são apresentados, através da metodologia etnográfica, com a estratégia do estudo de caso, e com apoio das técnicas fotográficas e fílmicas, os elementos teóricos e práticos que constituem a longevidade e potencial de crescimento da festa do São João do Porto em Portugal. Empreendedorismo Cultural; Festa; Identidade Cultural; Juventude.
Grafipar Edições: uma reação erótica à ditadura militar - (2021)

José Carlos Fernandes, Agnes do Amaral

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. Durante a primeira década da ditadura-civil militar, uma editora curitibana – a Grafipar –, de propriedade de uma família muçulmana, deixa de publicar livros de história e atlas e passa a investir no ramo de “revistas adultas”. Torna-se um polo nacional do gênero, chegando ao ápice de 49 títulos, 1,5 milhão de exemplares mês e 1,5 mil cartas/mês de leitores. Entre seus colaboradores, jornalistas malvistos pelo regime e intelectuais à esquerda, como os poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz. Em meio aos então chamados “nus artísticos”, uma pequena de rede de intelectuais, de forma anônima, orientava a redação, num claro combate ao obscurantismo. Este artigo explora a resistência jornalística e intelectual disfarçada no conteúdo erótico. E o “lugar difícil” da qualificação desse material, que ficou à margem da chamada imprensa alternativa. Imprensa alternativa; revistas eróticas; comportamento.
O folheto de política na literatura de cordel: a peleja da querela com o esclarecimento na classificação temática - (2021)

Alberto Magno Perdigão

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. O presente artigo se localiza no campo da folkcomunicação, em um ponto comum da literatura, do jornalismo e da política. Oferece uma proposta de classificação temática para o folheto de política da literatura de cordel, a partir da análise de conteúdo de narrativas poéticas de caráter informativo-opinativo elaboradas sobre fatos e temas da história e do cotidiano, e denominadas “de acontecidos” entre outros termos. Discute dados de uma revisão bibliográfica sobre a diversidade temática da literatura de cordel, com ênfase nos folhetos de política, e questiona querelas que envolvem a efetividade metodológica de diferentes modelos de classificação. Folkcomunicação; Literatura de cordel; Jornalismo; Política; Classificação temática.
Os ex-votos como mídias na transmissão e na preservação da memória social - (2021)

Magali do Nascimento Cunha, Luis Erlin Gomes Gordo

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. Este artigo, de caráter teórico, baseado em pesquisa bibliográfica, assentada nos estudos em Folkcomunicação, com as teorias de Luiz Beltrão, e na noção de memória cultural religiosa, com as ênfases defendidas por Jan Assmann, atenta para o caráter comunicativo da memória religiosa que abrange a articulação de experiências vividas e aprendizagens transmitidas. Destaque é dado ao lugar dos ex-votos, uma prática comum a vários grupos religiosos, de agradecimento por uma graça divina alcançada, interpretados aqui como veículos de transmissão e preservação da memória de uma localidade e de uma época. No trajeto metodológico é elaborada uma aplicação, por meio da apresentação da ampliação das tipologias utilizadas nos estudos de Folkcomunicação, proposta em tese de doutorado defendida por um dos autores deste estudo, como a indicação das possíveis formas de transmissão e preservação da memória social em cada tipo de ex-votos. Memória cultural religiosa; Folkcomunicação; Ex-votos.
Os jogos da política e a teia cultural de Lampião em Mossoró - (2021)

Elizabeth Christina de Andrade Lima, Karlla Christiane Araújo Souza

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. O artigo propõe uma interconexão entre os estudos de Cultura e Política, tomando como caso para análise a passagem do bando de Lampião pela cidade de Mossoró e de como o bando foi expulso por sua maior autoridade local, o prefeito Rodolfo Fernandes. Esse fato histórico local é revivido, todos os anos, a 13 de junho, por meio de uma peça teatral, apresentada em praça pública, o qual ajuda a reforçar e reinventar, ano a ano, tal folguedo e seus usos por parte dos políticos locais e das famílias políticas, que há anos, detêm o poder na cidade, como a família Rosado. Para tanto, pesquisamos, além da peça teatral, cordéis que contam a “saga de Lampião em Mossoró”, Jornais locais sobre os usos de políticos sobre a saga de Lampião. Observamos que tal folguedo ajuda na perpetuação não só do imaginário da cidade como “terra de valentes”, como é utilizada pelos políticos na construção de suas personas públicas. Lampião; Cangaço; Poder Político.
Resistência civil, ativismo (folk)midiático e ciberativismo: o caso da sociedade boliviana - (2021)

Karla Andrea Terán, Aline Wendpap

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. É na teoria da folkcomunicação, proposta pelo autor Luiz Beltrão, na década de 1960, que este artigo sustenta seus aspectos teóricos e metodológicos, pois o ativismo folkmidiático cria mecanismos de leitura, identificação e ações em canais próprios, capazes de superar a pós-verdade — a distorção deliberada da realidade. Dessa forma, objetiva-se evidenciar o papel dos ativistas folkmidiáticos nas rupturas democráticas da sociedade boliviana, num contexto no qual o ciberespaço parece ser uma maneira eficaz de construir novas formas de interação social, que, em conjunto com a participação cidadã nas ruas, pode produzir ações e efeitos na realidade. Resistência civil; Ciberativismo; Ativismo (folk)midiático; Folkcomunicador.
“Emicida: AmarElo – É Tudo pra Ontem” – o discurso dos excluídos e a reivindicação de espaços culturais fechados no contexto da negritude brasileira - (2021)

Augusto Martins de Jesus

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo. O documentário protagonizado e narrado pelo rapper Emicida traz em seu título a urgência do debate: “é tudo pra ontem”, porque tem pressa de fazer acontecer. O filme, estreado na plataforma de streaming da Netflix em dezembro de 2020, combina dois momentos importantes: uma autobiografia feita por um registro dos bastidores da construção do seu último álbum de lançamento, o AmarElo, e a narrativa da história da negritude brasileira munida da imprescindibilidade de uma reparação histórica.
“O cordel é uma mídia alternativa, popular e contra-hegemônica”, defende Alberto Perdigão - (2021)

Sérgio Luiz Gadini

Volume: 19 - Issue: 42

Resumo.
A Festa das Tribos: perspectivas folkcomunicativas em um cenário de resistência - (2020)

Nair Santos Lima

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. O Festival das Tribos Indígenas ou Festribal é um evento que ocorre anualmente desde o ano de 1995 na cidade de Juruti (Pará), na Amazônia brasileira, e compreende à competição entre as “tribos” Munduruku e Muirapinima, concorrentes dessa manifestação da cultura popular. A Amazônia sintetiza simultaneamente a singularidade e a complexidade de um território que em tempo muito antigo apresentava um cenário abundante, habitado por diversos grupamentos humanos (tribos), além de que, em tempos modernos, agrega marca e produto. A partir do século XVI, com a colonização e a chegada do europeu, houve um tensionamento entre culturas que resultou na dupla consciência, efeito da ampla violência que transmutouse, evidenciando-se nas festas populares. Com foco na diversidade cultural da região e da comercialização de seus produtos, a publicidade criou a “marca” Amazônia, nas festas, na música, na dança, na artesania regional etc., e, a partir da origem e projeção da festa, este artigo buscou identificar nas letras das músicas da Festa das tribos, em 2019, modos de resistência representados nessa manifestação da cultura popular e o modo como esse sentimento é expresso. A partir de uma abordagem qualitativa e objetivo exploratório, fez-se uma análise semiótica do evento, por meio do audiovisual na Plataforma YouTube - pela percepção e apreensão dos sentimentos desses povos. Embora ressignificadas, as festas indígenas se perenizaram com base na oralidade, na contação de histórias de seus povos, dos mitos, crenças e das festas vivenciadas por seus antepassados. Essa análise encontra abrigo na teoria da folkcomunicação.
A folkcomunicação como estratégia de resistência dos grupos marginalizados: um estudo de caso de uma comunidade de catadores de caranguejo em Aracaju - (2020)

Flávio Santana

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. O presente artigo tem como objetivo analisar como a Folkcomunicação serve de estratégia de resistência dos grupos marginalizados, a partir de um estudo de caso da comunidade do Povoado Coqueiro, localizada na Região Metropolitana de Aracaju (RMA). Foram analisadas entrevistas semiestruturadas coletadas na comunidade, a fim de entender como os catadores enxergam o processo midiático na preservação de sua identidade. Constatamos que a comunicação massiva segue uma lógica que não condiz com a realidade cultural da comunidade e a população local segue indiferente, na construção de suas próprias expressões de resistência.
Agentes folkcomunicacionales y memoria colectiva: organizando el territorio desde la experiencia popular - (2020)

Nastassja Mancilla Ivaca

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. Este artículo es parte de una investigación en curso que se desarrolla en la precordillera de la región de Los Ríos, Chile, donde ex pobladores/ras buscan recuperar territorios del Complejo Forestal y Maderero Panguipulli (COFOMAP) de los cuales fueron desplazados forzadamente durante la dictadura militar (1973-1989). El objetivo es analizar las prácticas folkcomunicacionales de actoras/res que otorgan sentido a la apropiación del espacio desde la cultura popular, que emerge en la memoria colectiva y potencia la organización. Dimensión que se identificó a partir del trabajo de campo que incluyó entrevistas grupales y observación participante. Así, se articula una narrativa resistente al despojo empresarial y el terrorismo estatal vívido, otorgando inteligibilidad a la lucha presente y las demandas de justicia.
Bases teóricas do Ciespal: a década de 1960 foi um período funcionalista? - (2020)

Iury Parente Aragão

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. Este texto é uma reflexão sobre o entendimento de que entre 1960 e 1973 o Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina (Ciespal) passou por um “período funcionalista”. Tendo por base pesquisa bibliográfica e documental realizada no acervo desse Centro e o estudo de obras de Émile Durkheim, Bronislaw Malinowski e Robert Merton, buscamos aproximações e distanciamentos entre as indicações de investigação presentes em materiais do Ciespal dos anos 1960 e o funcionalismo. O estudo apontou que a comunicação para o desenvolvimento trouxe propostas políticas, enquanto que a Mass Communication Research (MCR) guiou o fazer científico, e que estas não trazem, necessariamente, em suas estruturas, o pensamento funcional.
Comunicação rural e internet: protagonismo da população do campo - (2020)

Luiz Custódio da Silva, José Primitivo Leal Neto, Iara Alves dos Santos

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. Apresentamos uma reflexão sobre a utilização de ferramentas contemporâneas de comunicação pela população rural. Para tanto, fizemos uma revisão bibliográfica sobre as concepções de comunicação rural, trazendo algumas problematizações para sua atualização. Em seguida, tendo como parâmetro o YouTube, falamos também sobre a liberação do pólo emissor e sobre a democratização da fala. Para isso, nosso objeto empírico foi o canal “Humorista da Serraria Ofc”, protagonizado por agricultores do sítio Serraria, da cidade de João Dias, Rio Grande do Norte. Compreendemos que está havendo um movimento que propende atualizar a concepção de comunicação rural, tendo em vista que o protagonismo desse campo passa a ser das comunidades rurais. Eles estão utilizando cada vez mais as plataformas digitais para compartilhar informações e causos que permeiam a vida no campo.
Comunidades indígenas e resistência cultural na Amazônia: entrevista com a pesquisadora Iraildes Caldas Torres - (2020)

Karina Janz Woitowicz

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo.
Dinâmicas e fluxos da teatralidade do interior: as características folkmidiáticas da Companhia Teatral Arte Viva de Santa Cruz/RN - (2020)

Beatriz Lima de Paiva, Itamar de Morais Nobre

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. Analisam-se as práticas, narrativas e aspectos culturais da Companhia Teatral Arte Viva (Santa Cruz, Rio Grande do Norte, Brasil) no âmbito comunicacional e midiático. O relato ressalta as suas características representativas e a interação social entre a companhia e o público, bem como evidencia a observação de um fenômeno original: a expressão e resistência dos teatristas em associação à sua contextualização folkmidiática ao abordar a teatralidade que ocupa o espaço público e demonstra, em sua essência, a vocação.
Do fundo da grota para o streaming: o sucesso do grotesco na midiatização musical - (2020)

Helyna Dewes, Ada C. Machado da Silveira

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. O cenário da pandemia de Covid-19 estimulou a exposição de músicos em lives musicais. Artistas que já se faziam presentes em plataformas de streaming e em mídias sociais digitais buscaram espaço com vistas a superar a exigência de distanciamento social. O artigo observa a intrínseca relação entre o campo da música e os processos de midiatização e propõe-se a examinar como ocorre a inserção da música regional gaúcha em algumas das transmissões de maior audiência no período no streaming. Analisa-se especificamente o fenômeno de uma canção reconhecida como pertencente a uma identidade específica, a partir da relação entre letra, sonoridade e ritmo, e sua divulgação a partir de memes para audiências desterritorializadas. Constata-se que, a partir do linguajar de zombaria em temas já tratados pela narrativa mítica, a vertente musical galponeira assumida na canção manifesta o desprezo por formas cultas e críticas de expressão musical, e conquista por via midiatizada tanto audiências regionais como nichos regionalistas nacionais. Seu êxito expressa a busca catártica de superação da asfixia social determinada pelo contexto da pandemia.
México Colorido - (2020)

Marcelo Sabbatini

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo.
Midiatização, consumo e práticas culturais artesanais - (2020)

Denise Figueiredo Barros do Prado

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. Neste artigo, discutimos como as práticas culturais artesanais de Mariana (MG) se constituem em diálogo com a midiatização. Refletimos sobre como as mesclas com o midiático afetam as práticas culturais artesanais a partir de Canclini (2010, 2015) e Certeau (2009). Metodologicamente, foram feitos o registro fotográfico das produções artesanais expostas em 13 lojas de artesanato de Mariana (MG) e entrevistas narrativas com 18 artesãs da cidade, entre 2016 e 2018. Realizou-se a análise interpretativa deste material. A partir disso, percebemos que as práticas culturais artesanais se veem afetadas pelo midiático, de modo que evidenciam um tensionamento e uma reconfiguração de suas formas tradicionais e suas possibilidades criativas no contexto atual.
Periodismo sobre migración con enfoque de derechos Diálogos metodológicos entre los DDHH y la Folkcomunicación - (2020)

Laura Gottero

Volume: 18 - Issue: 41

Resumo. El trabajo profundiza en la construcción de un discurso periodístico que incorpore y emplee activamente la perspectiva de derechos humanos en la labor mediática que tematiza el fenómeno migratorio y a las personas migrantes como objetos o contextos de noticia. Las preocupaciones por el modo en que se representa a los/as migrantes y se aborda el fenómeno migratorio en los medios de comunicación latinoamericanos tiene su base en la identificación de procesos persistentes de desigualdad en las posibilidades de construcción simbólica, que afectan negativamente la imagen de migrantes y les quitan la posibilidad de una voz propia en los medios hegemónicos. En ese sentido, la Folkcomunicación y los derechos humanos recuperan esa discusión y proveen de herramientas valiosas para reconfigurar la práctica periodística contemporánea. El trabajo analiza el modo de construcción de discursos periodísticos empleando el enfoque conceptual y metodológico de los derechos humanos, así también incorpora herramientas del análisis de discurso desde una perspectiva comunicacional. Como resultado del relevamiento critico realizado, se elaboran elementos de abordaje y recomendaciones concretas para reconfigurar la práctica y la producción periodística sobre migración a partir de un marco de derechos humanos