História Econômica & História de Empresas

(77 Artigos indexados)

A agricultura na industrialização pesada: a modernização agrícola no Plano de Metas e seus impactos sobre a reforma agrária - (2022)

Pedro Vilela Caminha

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. O artigo tem o objetivo de analisar como a agricultura foi vista pelo Plano de Metas. A metodologia é análise descritiva das Metas do Plano e de seus impactos sobre o comportamento da produção e da produtividade da agricultura brasileira e das variáveis econômicas que estimulavam ou desestimulavam a modernização agrícola segundo o modelo Paiva-Schultz: o custo do capital e do trabalho na agricultura, o preço e o consumo interno e externo dos gêneros agrícolas, e a produtividade do capital e do trabalho rural. Os resultados do artigo apresentam evidências empíricas de que no período do Plano de Metas não havia uma vantagem comparativa para a modernização agrícola.
Antigas e novas centralidades: a experiência da cultura do consumo no centro tradicional de Belo Horizonte. - (2022)

Natânia Silva Ferreira

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. Resenha: LEMOS, Celina Borges. Antigas e novas centralidades: a experiência da cultura do consumo no centro tradicional de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Editora da Escola de Arquitetura da UFMG, 2010, 236 p., ISBN 978-85-98261-05-8.
Cativos no Sul de Minas Gerais: Aiuruoca nos últimos anos da escravidão - (2022)

Paula Chaves Teixeira Pinto, Renato Leite Marcondes

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. A escravidão no Sul de Minas Gerais concentrou-se nas atividades para o mercado interno, muitas vezes destinadas à província do Rio de Janeiro. Aiuruoca consistia num elo dessa rede de abastecimento regional. Essas atividades empregavam grandes contingentes de cativos, mas pouco se conhece da escravidão do município. O objetivo consiste em compreender o perfil dos cativos e de sua propriedade, bem como analisar algumas trajetórias na luta pela liberdade nas últimas décadas da escravidão em Aiuruoca. Lançamos mão de diferentes fontes primárias algumas das quais inéditas: o censo de 1872, as listas de matrícula apensadas aos inventários e as listas de classificação dos escravos de 1874 a 1880. Para melhor entender o perfil da população escravizada na década de 1870 utilizamos de forma comparativa as listas nominativas de 1830.
El sector pesquero uruguayo (1974-2015) - (2022)

Juan Geymonat

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. El presente trabajo busca acercar una mirada de largo plazo sobre el sector pesquero uruguayo, atendiendo a variables institucionales, económicas y biológicas que hacen a la actividad. El período abordado comprende cuatro etapas. Una primer etapa de “despegue”, con un crecimiento exponencial en términos económicos y productivos fomentado en buena medida por la intervención estatal en la promoción de un nuevo sector privado. A partir de 1981 se observan un conjunto de etapas intermedias donde el modelo alcanza la madurez y su estancamiento. Se ensayan durante este período distintos tipos de política para sostener la actividad. Por último, a partir de 2006 se aprecia una caída pronunciada en las principales variables relativas al desempeño sectorial. Esta historia en forma de U invertida, pone en evidencia el fracaso de un modelo promovido y planificado en la década del 70, en el marco de una transición más general signado por la reformulación del modelo sustitutivo de importaciones en Uruguay.  
Empreiteiras, concorrências públicas e mudança da capital federal: o ápice do rodoviarismo brasileiro no Plano de Metas (1956-61) - (2022)

Daniel Monteiro Huertas

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. O objetivo deste artigo é analisar como o rodoviarismo brasileiro atingiu o seu ápice, em termos históricos, durante o governo Juscelino Kubitscheck (1956-61), correlacionando variáveis políticas e econômicas que sejam capazes de explicar o fenômeno. Ancorados em um conceito próprio de rodoviarismo e em pesquisa realizada na revista Rodovia, procuraremos demonstrar que os instrumentos institucionalizados durante o Estado Novo (1937-45) desempenharam papel relevante para uma nova etapa de alavancagem das estradas de rodagem em todo o território nacional, tanto no plano simbólico (valores, ideias e propaganda) quanto no executivo (construção e pavimentação), consubstanciada como um elemento central do Plano de Metas.
Governando “como se fosse própria”: história econômica vista de baixo da Real Fazenda de Santa Cruz (Capitania do Rio de Janeiro, 1760-1783) - (2022)

Manoela da Silva Pedroza

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. A Fazenda de Santa Cruz foi o maior empreendimento agropecuário e escravista dos jesuítas na América do Sul. Neste artigo nosso objetivo é mapear e analisar a agência de uma parte dos “de baixo” – escravos, índios, foreiros e intrusos -- em relação ao uso cotidiano dos recursos naturais desta Fazenda, após a expulsão dos padres jesuítas, em 1759. Nossa discussão teórica mobiliza o conceito de economia moral, proposto por Edward Palmer Thompson. Metodologicamente, também seguimos a orientação de Thompson e buscamos recompor os contextos locais, seus agentes, suas histórias e seus dilemas, como única forma de discernir, nas práticas sociais efetivas, os princípios que orientavam o comportamento econômico daqueles grupos sociais e, também, suas formas de resistir aos ditames e projetos vindos de cima. Procuramos comprovar a hipótese de que foi gestado, neste período, um outro projeto para administração e apropriação dos recursos deixados pelos padres, em clara desobediência ao projeto da Coroa portuguesa. Utilizamos como fontes o pedido de devassa aberto pela Rainha de Portugal contra o administrador da Fazenda, em 1783, e uma série de relatórios, visitas e pareceres fornecidos por funcionários do governo português sobre os administradores da Fazenda de Santa Cruz neste período, depositados no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional do Brasil.
História Econômica do Brasil Império. Coleção Novos Estudos de História Econômica do Brasil. São Paulo, Niterói: Hucitec, EdUFF, 2022. - (2022)

Thiago Fontelas Rosado Gambi

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo.
Nota de pesar – Prof. Armando Dalla Costa - (2022)

Alexandre Macchione Saes, Ivan Colangelo Salomão

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. -
O Boticário: processo de internacionalização em Portugal e América Latina na ótica da Escola de Uppsala - (2022)

Armando João Dalla Costa, Danieli Lurdes Stadnik

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. O modelo de Uppsala conclui que as firmas irão buscar se internacionalizar para países com uma distância psíquica próxima, para reduzir os riscos associados ao desconhecido. Ao se internacionalizar, farão uma expansão gradual, para que aos poucos possam conhecer fatores como a dimensão do mercado e a aceitação de seu produto pelo novo público. Quanto mais a empresa conhecer acerca do mercado, menores serão os riscos a que ela estará sujeita e então, passará a investir mais naquele país, utilizando recursos especializados, próprios para aquele público. Partindo desse modelo teórico, busca-se conhecer o histórico de internacionalização de O Boticário. A marca se internacionalizou pela primeira vez para Portugal em 1985, através do modelo de franquias. Com o tempo de atuação e um conhecimento daquele mercado, houve maior investimento, com a abertura lojas próprias e uso de recursos especializados. A expansão de O Boticário para a América Latina iniciou pouco tempo depois, dividindo-se em duas fases. A primeira, a partir de 1987, quando empresários de alguns países abriram franquias e O Boticário adotou um padrão único. A segunda, a partir de 2000, quando a firma abriu lojas próprias em alguns países. Analisados os casos de internacionalização de O Boticário para Portugal e América Latina, passou-se à análise comparativa destes à luz da teoria da Escola de Uppsala. Quanto às fontes, os dados primários foram conseguidos no Centro de Memória de O Boticário, assim como através de entrevistas. Concluiu-se que a empresa internacionalizou de forma gradual, passando a dispor de recursos especializados quanto mais aumentou o conhecimento sobre o mercado em que atuava e que a distância psíquica tem uma influência positiva sobre seus resultados.
O desenvolvimento elétrico capixaba, as capacidades estatais e o papel das elites modernizantes entre 1946 e 1964 - (2022)

Jayme Karlos Reis Lopes

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. Este artigo se destina a analisar os processos que estiveram na base da eletrificação do estado do Espírito Santo, entre os anos de 1946 e 1964. Duas dinâmicas serão tratadas de forma especial aqui: a forte presença do Estado Nacional como impulsionador do desenvolvimento nacional no período e o papel fundamental das elites modernizadoras regionais, em especial as capixabas, para o planejamento, articulação política e aplicação de políticas para o setor elétrico. Tentaremos apontar ainda, como o desenvolvimento estatal nacional, as forças políticas regionais e energia elétrica revelam-se em dimensões que assumem sua forma final sob a coordenação do Estado nacional, dentro da construção de suas “capacidades” regionais. Esta pesquisa, se desenvolve a partir dos dados obtidos durante doutoramento na PUC-Rio, defendido em maio de 2021.
Uma metodologia de História de Empresas - (2022)

Jaques Kerstenetzky, Jacob Frenkel

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. Este artigo é uma proposta metodológica para estudos de caso de História de Empresas a partir do fornecimento de algumas chaves para a compreensão e elaboração de casos. A metodologia se caracteriza pelo tratamento de diferentes níveis de análise, pela investigação da dinâmica da ação da empresa através de binômio dificuldades/oportunidades, pela proposição da identificação de estágios, que são períodos de relativa estabilidade operacional, organizacional e estratégica e por fim recomenda o uso flexível e pluralista de teorias econômicas, com equilíbrio na relação entre história e teoria. O artigo faz também um inventário comentado de fontes para o estudo de casos empresariais.
“O diabo e o labirinto”: Companhia Evoneas Fluminense e a história de uma falência (1890-1893) - (2022)

Alexandra do Nascimento Aguiar

Volume: 25 - Issue: 3

Resumo. A Companhia Evoneas Fluminense foi uma das pioneiras atuantes na construção de habitações higiênicas para a classe trabalhadora e sua fundação deveu-se às iniciativas de Américo de Castro, o primeiro a obter concessão pública para essa finalidade, e às de Antônio Jannuzzi, renomado construtor e diretor-técnico da companhia. Através da atuação da Evoneas Fluminense o artigo se propõe a analisar a interação entre uma companhia de construção civil e o Estado, desde os projetos iniciais na década de 1870 do Império até o estabelecimento e a falência nos governos de Deodoro da Fonseca e de Floriano Peixoto, e como os mencionados cenários políticos impactaram na trajetória da companhia, de promissora sociedade anônima até o fechamento de portas.
A economia de abastecimento de Santa Catarina no império marítimo português (1750-1820) - (2022)

André Fernandes Passos

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo busca entender como a produção de abastecimento da capitania de Santa Catarina esteve relacionada com a expansão ultramarina portuguesa e com a economia do Atlântico Sul. Para isso, fiz um balanço do processo de colonização da região em aspectos referentes ao povoamento, ao tráfico de escravo e a sua produção em um recorte de tempo reconhecido pela historiografia como de dinamização da economia mundial atlântica. Utiliza-se nesta pesquisa de diálogo com a bibliografia especializada e com fontes provenientes do Conselho Ultramarino (1750-1820).
As principais dimensões da noção de progresso de JK - (2022)

Leonardo Dias Nunes

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. O objetivo deste artigo é reconstituir as dimensões da noção de progresso utilizada por Juscelino Kubitschek nos Discursos e nas Mensagens ao Congresso Nacional. Destaca-se que esta noção expressava a busca, no Brasil, pela consolidação do padrão de vida resultante das transformações decorrentes da II Revolução Industrial. Para tanto, após uma breve Introdução, o artigo apresenta as Principais dimensões da noção de progresso de Juscelino Kubitschek, quais sejam, as médico-sanitárias, educacionais, científicas, industriais e regionais. Nas Considerações finais, as dimensões do progresso defendidas por Juscelino são apresentadas como sendo a expressão do momento em que existia um horizonte de expectativa positivo em relação ao futuro. Além disso, mostra-se o período em análise como um futuro passado caracterizado por um tipo de atuação do Estado nas transformações estruturais da sociedade Brasileira.
Camelot Elétrica: Um Economista Visita a Corte do Rei Arthur - (2022)

Rafael Almeida

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Mark Twain escreveu o livro A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court (1889) como uma forma de refletir sobre as mudanças que ocorriam nos Estados Unidos da assim chamada “Era Dourada”. O livro conta a história de Hank Morgan, um engenheiro que foi parar na Inglaterra do século VI, quando o Rei Arthur liderava os Cavaleiros da Távola Redonda, em Camelot. Hank tenta industrializar a Inglaterra doze séculos antes, usando seus conhecimentos de tecnologia e cultura. Porém, seu projeto de Camelot Elétrica, sobre inúmeros reveses e falha. A novela é relevante para economistas porque lida com vários tópicos de interesse, tais como empreendedorismo e desenvolvimento econômico. A literatura sobre a “síndrome do economista visitante” identifica inúmeros problemas no processo de ajuda ao desenvolvimento de um país devido a uma série de fatores, incluindo até mesmo arrogância e ingenuidade dos modelos econômicos, mas que estão presentes quando se lidam com contextos diferentes. Argumenta-se que esses problemas foram discutidos por Mark Twain, que tinha interesse na nascente economia neoclássica, na novela em questão. Apesar de Hank ser um engenheiro, sua trajetória é semelhante à de um economista visitante. Assim, o livro é uma ferramenta para explorar por meio da ficção problemas e desafios do desenvolvimento econômico.
Consumo e Taxação de Bens Conspícuos na Ciência Econômica: Um debate envolvendo a Escola Clássica, o Institucionalismo Original e John Maynard Keynes. - (2022)

Rafael Camatta, Alexandre Ottoni Teatini Salles

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Este artigo objetiva analisar as contribuições teóricas acerca do consumo e taxação de bens conspícuos, na ciência econômica, entre o final do século XVII até a metade do século XX. Particularmente, busca-se analisar a contribuição de autores da Escola Clássica (Adam Smith, David Ricardo, John Rae e John Stuart Mill), do Institucionalismo Original (Thorstein Veblen e Wesley C. Mitchell) e da abordagem de John Maynard Keynes. Procura-se também discutir alguns motivos que podem explicar a diminuição do interesse sobre o tema entre 1900 e 1950.
Internacionalização de empresas e o caso Odebrecht: uma abordagem teórica - (2022)

Pedro Giovannetti Moura

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Pretende-se nesse artigo analisar o caso da atuação internacional da Construtora Norberto Odebrecht (CNO) entre sua primeira obra – em 1979 - até meados dos anos 1990, à luz dos postulados da literatura empresarial de internacionalização de empresas. Para tanto, nos valemos de um balanço teórico sobre dois dos paradigmas clássicos de internacionalização – os modelos de Dunning e a Escola de Uppsala – somado à diferentes contribuições na área, como a expressa pela obra de Peter Dicken. Ao colocar em debate o estudo de caso da CNO, a partir da obra de Charcani VI, em Arequipa (Peru), temos por objetivo estabelecer pontes de diálogo e limitações entre esses modelos e o caso da construtora brasileira. Para tanto, nos valemos da literatura empresarial mencionada, bibliografia acadêmica e jornalística sobre a CNO, dados públicos e um estudo empírico possibilitado pelo acesso às revistas Odebrecht Informa, materiais de circulação interna da Organização. Pretendemos com isso argumentar em favor da ideia da complementariedade entre esses paradigmas como uma chave de explicação do processo de internacionalização da CNO. Objetivamos, assim, nos distanciar de visões monolíticas da historiografia empresarial, reforçando o entendimento de que o estudo das empresas e sua atuação são fundamentais para compreensão do mundo contemporâneo.
Liberalismo, progresso técnico e propriedade na obra de José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu - (2022)

Leandro Miranda Malavota

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. O primeiro terço do século XIX é marcado por importantes câmbios no pensamento econômico, na estrutura de produção e nas relações de mercado, com impactos significativos sobre a atividade inventiva. Usual no Antigo Regime, a prática de concessão de privilégios e outras mercês a inventores então se submete a uma ressignificação, transformando-se as patentes em direitos de propriedade. Nesse contexto, José da Silva Lisboa apresenta-se como um dos primeiros pensadores luso-brasileiros a discutir questões relativas ao sistema de patentes, considerando seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico. Tencionamos neste trabalho identificar e discutir as ideias de Cairu acerca da matéria, tomando como base seus principais escritos econômicos e pareceres por ele produzidos na condição de deputado da Real Junta do Comércio.
População e economia em Cabo Frio, Capitania do Rio de Janeiro, segundo o censo colonial de 1797 - (2022)

Heitor Pinto de Moura Filho

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. Cana-de-açúcar foi plantada em quase todo o território brasileiro, destinada à produção de açúcar, de aguardente e para consumo direto do caldo. Os levantamentos da população e da produção econômica realizados ao final do século XVIII pela coroa portuguesa em algumas freguesias fluminenses são as fontes que mais se aproximam das listas nominativas disponíveis para as capitanias de São Paulo, incluindo o atual Paraná, e Minas Gerais. Para o Rio de Janeiro, listam nominalmente somente os chefes de fogos, sendo os demais indivíduos apenas quantificados, juntamente com indicação das atividades produtivas que exercem. Apesar de sujeitos a várias prováveis omissões e imprecisões, os dados dessas fontes representam a informação mais detalhada, fogo a fogo, sobre o território fluminense em todo o período escravista. Analisamos o Mappa geral dos fogos (...) de 1797, que permite importantes conclusões sobre a composição desta população e suas atividades econômicas.
Reportagem jornalística como fonte de pesquisa em História econômica: um exemplo e algumas questões - (2022)

Pedro Henrique Pedreira Campos

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. A resenha aborda a obra de Malu Gaspar, "A Organização: a Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo". Além de percorrer a obra e suas contribuições, tentamos realizar uma reflexão acerca das diferenças e aproximações entre o jornalismo econômico com os métodos da História econômica e História de empresas.
Totalitarismo, utilitarismo e a economia nazista: uma leitura a partir de Hannah Arendt - (2022)

Bruna Werle, Carlos Henrique Horn

Volume: 25 - Issue: 2

Resumo. A economia alemã sob o nazismo foi caracterizada por Arendt, em Origens do totalitarismo, como não utilitária e padecendo de “esbanjadora incompetência”. A partir destes traços peculiares, o presente artigo procura reunir evidência sobre a irracionalidade da economia nazista, com base em recente literatura da história econômica do período, a fim de qualificar a incongruência entre a política do Terceiro Reich e os princípios utilitários que regeriam o sistema econômico. Ao fazê-lo, o texto destaca o predomínio da dimensão ideológica do regime nas principais decisões de ordem econômica.
As instituições fazendárias provinciais no contexto da Revolução do Porto e da Independência do Brasil - (2022)

Cláudia Maria Graça Chaves

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. A Revolução do Porto, constitucionalista e liberal, produziu efeitos imediatos e simultâneos no território americano. A simples notícia de seu acontecimento e da convocação das Cortes Gerais em Lisboa foi suficiente para desencadear os primeiros movimentos de juntas governativas no Brasil, dando início ao processo sem retorno de reforço dos poderes e instituições regionais. Esse foi o caso das Juntas da Real Fazenda, que eram órgãos colegiados presididos, até então, pelos capitães-generais. Nosso objetivo aqui é discutir como as repartições fazendárias estiveram no centro de discussão sobre a reformulação dos poderes regionais e conseguiram manter a continuidade mesmo nos momentos de maior tensão entre as Cortes portuguesas e a Corte do Rio de Janeiro até a Independência do Brasil. Ainda que não tenham sobrevivido ao fim do Primeiro Reinado, as Juntas de Fazenda lançaram as bases de forte representação de interesses e de poderes regionais.
Comércio luso-brasileiro no Rio da Prata e a Independência do Brasil: continuidades e rupturas (1777-1824) - (2022)

Fabrício Prado

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. O comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, desde o século XVI, foi central para a economia luso-brasileira, e levou à fundação da Colônia do Sacramento em 1680, um entreposto comercial luso-brasileiro no Rio da Prata. A conquista espanhola da Colônia do Sacramento (1777) não significou o fim da rota entre Rio da Prata e Brasil; ao contrário, no período tardo-colonial, houve o aumento da intensidade e do volume das trocas entre o Prata e o Brasil, incluindo um aumento expressivo no tráfico de escravizados e a ampliação das trocas comerciais – ainda que tais interações fossem muitas vezes classificadas como comércio de contrabando. O presente artigo apresenta uma análise das rotas, das estratégias e do volume do comércio entre o Brasil (especialmente Rio de Janeiro) e o Rio da Prata no período tardo-colonial, enfatizando rupturas e continuidades nesse circuito mercantil vinculadas ao processo de independência do Brasil (1808-1822).   Palavras-chave: Contrabando. Prata. Escravizados. Rio da Plata.Comércio
Como Tiro e Cartago: portos livres/Portos francos e a economia política do Império português numa perspectiva global (1808-1824) - (2022)

Jesus Bohorquez

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. A declaração de portos livres de 1808 foi um divisor de águas na história da economia política do Império português. Permitir aos comerciantes estrangeiros o comércio nos portos brasileiros alterou radicalmente as políticas utilizadas durante séculos. Este artigo visa reavaliar a concepção e a promulgação das políticas comerciais portuguesas no contexto da turbulência internacional que levou ao desmoronamento dos impérios ibéricos no mundo atlântico. O documento estuda a ideia de portos francos, uma instituição de longa duração que supostamente surgiu no século XVI e que atingiu uma implementação mundial nos séculos vindouros. O artigo tem como focos as tentativas feitas em Lisboa para criar um porto franco na década de 1780. Uma ideia fracassada que voltou a ser tendência mais uma vez na década de 1820 quando os estudiosos lançaram a proposta de porto franco como a solução para a reorganização do comércio imperial. Os portos brasileiros e Lisboa poderiam imitar Tiro e Cartago e a antiga capital imperial se tornar, assim, uma feira global.
Da moeda metálica à moeda fiduciária: as transformações do meio circulante na construção do Império do Brasil (1808-1840) - (2022)

Fernando Cerqueira Lima

Volume: 25 - Issue: 1

Resumo. A passagem de um sistema monetário baseado em moeda metálica para um sistema de moeda fiduciária ocorreu na Europa e nas Américas em diferentes velocidades. No Brasil, tal processo foi particularmente rápido: no breve período entre a transferência da Corte portuguesa e o fim do Primeiro Reinado, o papel-moeda inconversível substituiu a moeda metálica como meio circulante. Este artigo discute as causas dessa substituição, que parte da historiografia atribui a “vícios” do sistema monetário herdado do período colonial e a equívocos na condução da política econômica – em particular, às alterações no valor da moeda metálica e às emissões de papel-moeda pelo Banco do Brasil. Sugerimos que a saída de metais decorreu de déficits no balanço de pagamentos e que o acesso a novas formas de senhoriagem pelo poder central mostrou-se um expediente necessário para o financiamento das despesas gerais e militares nos primeiros estágios da construção do Império do Brasil.